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O México é um Horror: Cinco filmes dos anos 80 que você PRECISA conhecer!

Assombração, possessão demoníaca, boneco assassino, zumbis e pássaros em produções divertidas!

A MALDIÇÃO DE OUIJA (Dimensiones Ocultas/Don’t Panic, 1988)
Direção: Rubén Galindo Jr.


Um dos raros horrores mexicanos a chegar ao nosso mercado de VHS. A frase na capinha original dizia “Esqueça Freddy e Jason. Virgil é o novo pesadelo na cidade!“, deixando bastante óbvia a sua intenção de ser uma “versão mexicana” da série A Hora do Pesadelo. O argumento tem a ver com aquelas tábuas Ouija que volta-e-meia aparecem em filmes do gênero, e que supostamente seriam um canal para comunicação com espíritos. Pois o jovem Michael (Jon Michael Bischof) ganha uma como presente de aniversário (!!!), e resolve fazer uma sessão espírita com os amigos (esses manés não têm nada melhor para fazer?). Eles conseguem contato com uma entidade chamada Virgil, que não passa do próprio cramulhão. Virgil então possui Michael e usa o jovem para matar todos os que participaram da sessão. A relação com Freddy é o fato do protagonista ter pesadelos com um assassino deformado que aparece matando seus amigos, e estas mortes acabam acontecendo na vida real. A Maldição de Ouija não é lá grandes coisas, mas, como outros terrores mexicanos do período, vale uma espiada só pelo fator trash, principalmente por um detalhe pra lá de piegas: o mocinho possui uma rosa que ganhou da namorada e que, por isso, tem poderes mágicos (por causa da força do amor e essas bobagens). Este elemento seria depois reaproveitado por Wes Craven em seu Shocker 1989), onde o herói possuía um pingente com poderes mágicos pelo mesmo motivo!

CEMENTERIO DEL TERROR (Cemetery of Terror, 1988)
Direção: Rubén Galindo Jr.


Para quem procura diversão sangrenta e descerebrada à la Trampa Infernal, este é “o” filme – uma mistura de Halloween com Night of the Demons e A Volta dos Mortos-Vivos. Acompanhe: é noite de Halloween (hahaha), e três garotas invadem uma mansão perto de um cemitério, só por brincadeira. Ali encontram um livro de magia negra (muito parecido com o Livro dos Mortos da série Evil Dead), que ensina didaticamente como trazer os mortos de volta à vida. Novamente só por brincadeira (hahaha), elas resolvem roubar um corpo do necrotério e levar até a tal mansão, onde realizam a cerimônia do livro para ressuscitar o recém-falecido. O problema é que as meninas escolhem o morto errado para reviver: trata-se de Devlon (José Gómez Parcero), um serial killer satanista (!!!), que logo começa um banho de sangue, atacando um grupo de jovens que resolveu visitar o cemitério como programa de Halloween. O único que pode deter o assassino é o Dr. Loomis, ou melhor, o Dr. Cardan (Hugo Stiglitz, veterano do gênero, que apareceu em Tintorera e Nightmare City, entre outros). Mas não vai ser nada fácil, à medida que os mortos do cemitério também ressuscitam e ajudam Devlon a dizimar o elenco. É exatamente o que parece: uma sangrenta e exagerada mistura de slasher com filme de zumbis, incluindo toscos efeitos melequentos pré-CGI. Uma boa opção para quem quer conhecer o mirabolante cinema de horror mexicano, lançado lá fora num DVD “programa duplo” com outro filme de Galindo Jr., Ladrones de Tumbas (1990).

EL EXTRAÑO HIJO DEL SHERIFF (1982)
Direção: Fernando Durán Rojas


Uma curiosa mistura de faroeste com horror que chega a lembrar uma mistura de A Profecia com Basket Case, de Frank Henenlotter, feito no mesmo ano. Em uma pequena cidadezinha de western, a mulher do xerife dá à luz a dois gêmeos siameses, que seu marido (Eric del Castillo) considera coisa do demônio. Assim, ele mantém as crianças acorrentadas em sua casa até elas crescerem, e então decide que chegou a hora de tentar “separá-las“. O xerife leva os siameses ao médico da cidadezinha (Mario Almada), que não tem nada para realizar a cirurgia, mas, sob a pressão do pai furioso, acaba procedendo a separação usando apenas um bisturi, sem qualquer anestesia! Resultado: um dos garotos sobrevive, mas o outro morre (ambos são interpretados por um único menino, Luis Mario Quiroz). E é claro que o sobrevivente logo acabará possuído pelo espírito do irmão morto, que busca vingança contra seu nada carinhoso pai, contra o médico que fez a “separação” e contra quem estiver no caminho. Com cenas grotescas, como a da “cirurgia“, e até uma sequência de exorcismo, o filme é uma daquelas misturebas típicas do cinema mexicano, que ainda tem um climão legítimo de horror, mesmo que os “efeitos especiais” baratíssimos tenham ficado bastante datados.

VACACIONES DE TERROR (Vacations of Terror, 1989)
Direção: René Cardona III


Filme que fez sucesso ao ponto de ganhar uma sequência, trazendo elementos de Poltergeist e Brinquedo Assassino. O nome do diretor entrega: Cardona III representa a terceira geração de diretores mexicanos de horror que começou com seu avô, René Cardona (de La Horripilante Bestia Humana), e continuou com seu pai René Cardona Jr. (de Ciclone e Os Sobreviventes dos Andes). De um velho filme do pai, Bermudas – O Triângulo do Diabo, Cardona III emprestou o argumento: uma boneca demoníaca que apronta horrores. Tudo porque o inocente brinquedo aprisiona a alma de uma bruxa malvada queimada na fogueira. Quando a família do arquiteto Fernando (Julio Aleman) vai passar as férias na casa que outrora pertencia à feiticeira, sua filha Gaby (Gianella Hassle Kus) encontra a tal boneca, que começa a fazer terríveis maldades com a família – composta ainda pela esposa, grávida, por dois irmãos gêmeos, pela babá e seu namorado. A despeito do enredo pouco criativo, a figura da boneca é muito mais sinistra que seu rival norte-americano Chucky (como essas porcarias de brinquedos dão medo, né?). Vale procurar também pela continuação, Vacaciones de Terror 2, realizada em 1991 pelo diretor de Trampa Infernal, Pedro Galindo III. Ao contrário do filme original, a sequência troca a atmosfera de medo e suspense por gore e nojeiras variadas, e é bem mais divertida.

EL ATAQUE DE LOS PÁJAROS (Beaks – The Movie/Birds of Prey, 1987)
Direção: René Cardona Jr.


Inacreditável trash movie dirigido pelo especialista em exploitation Cardona Jr. (falecido em 2003), que parece um remake disfarçado de Os Pássaros, de Hitchcock, mas com a violência quintuplicada e um resultado involuntariamente engraçado devido à pobreza da produção. Atores norte-americanos conhecidos, como Christopher Atkins (Shakma) e Michelle Johnson (Dr. Giggles) pagam mico sem nem ao menos participar da trama principal. Eles interpretam repórteres que investigam estranhos ataques de pássaros em diferentes locais do mundo, quando encontramos atores veteranos tipo Aldo Sambrell e Gabriele Tinti igualmente pagando mico. Episódica, a narrativa se divide entre os ataques a personagens em diferentes países, tentando criar uma inexistente sensação de apocalipse global. Os “ataques” dos pássaros são hilários: pombas e outras aves são simplesmente jogadas sobre os atores, que volta-e-meia acabam matando de verdade os pobres bichos ao caírem sobre eles enquanto fingem morrer! Também são de rolar de rir as situações absurdas e pretensiosamente sérias (tipo o ataque das aves a um trem), e os diálogos ridículos escritos pelo próprio diretor. Enfim, uma daquelas bombas divertidas ao estilo Ratos, do Bruno Mattei. Curiosidade: na Itália, acredite se quiser, o filme foi lançado em VHS como Os Pássaros 2! Bem, pelo menos é engraçado, ao contrário da herege sequência “oficial” dirigida por Rick Rosenthal em 1994.

Dica: Para quem quiser ficar escolado em horror mexicano – e dar muita risada no processo -, vale procurar pelos DVDs importados lançados pela BCI/Deimos Entertainment, chamados “Crypt of Terror – Horror from South of the Border Vol. 1 & 2“. O Volume 1 basicamente cobre a produção dos anos 80 citada neste artigo: traz Vacaciones de Terror 1 e 2, A Maldição de Ouija, Cementerio del Terror, Ladrones de Tumbas e ainda La Rata Maldita (1992), de Rubén Galindo Jr., sobre ratos mutantes assassinos. Já o Volume 2 é uma pérola, com vários clássicos do cinema de terror do México: La Horripilante Bestia Humana (1969), Las Luchadoras Contra La Momia (1964) e Las Luchadoras contra El Médico Asesino (1963), de René Cardona; Muñecos Infernales (1961) e Espiritismo (1962), de Benito Alazraki; e El Hombre que Logró ser Invisible aka New Invisible Man (1958), de Alfredo B. Crevenna. Para quem coleciona filmes bizarros, é um investimento obrigatório!

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3 Comentários

  1. Ric

    Triste,vc achar engraçado e ainda indicar um filme, que mata animais. Aprenda a separar realidade de ficção, quando envolve crueldade ou crime de qualquer natureza, não é entretenimento, não se justifica ou vale qualquer nota.

    • elton

      Falou a Luisa Mell…

  2. mmicron2003

    Ótimo artigo e ótimas dicas para os amantes de trash movies, Felipe!

    Até esbarrei com “A Maldição de Ouija” nas locadoras na época que foi lançado em vhs, mas não despertou meu interesse na ocasião. Os outros eu não conhecia, mas fiquei curioso para assisti-los. Com as facilidades de hoje, espero poder assisti-los em breve!

    Prá terminar, uma dica para um artigo seu: o também mexicano “El Violador Infernal”, trash dirigido por Damián Acosta Esparza. Uma pérola!

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