Os Melhores e Piores de 2017, por Ivo Costa

As escolhas dessa lista foram bem difíceis. O que por um lado é ótimo, pois estamos tendo cada vez mais filmes de qualidade do gênero.

Foi complicado deixar de fora o ótimo Fragmentado, do Shyamalan, e também o lindo A Dark Song, que traz à tona um sombrio ritual e tem um dos finais mais belos que já vi nessa longa jornada cinematográfica. Complicado também colocar Corra!, Blade Runner 2049, Raw e o brasileiro Mate-me Por Favor como menções Honrosas. Mas aí está mais uma lista deste que vos fala, que 2018 seja melhor que 2017!

CATEGORIA DENTISTA (filmes lançados no Brasil em 2017)

Boca sorridente (o filme mais divertido do ano)

It – A Coisa

Muito bom ver essa adaptação do King funcionar bem e trazer à tona  seu nome, abrindo portas para que o universo do mestre pudesse ser explorado. O diretor Andy Muschietti acertou em cheio quando deu uma cara nova (e assustadora) ao Pennywise, deixando expectadores extasiados e amedrontados com as caras e bocas do Palhaço Dançarino, muito bem construído pelo jovem Bill Skarsgård. Destaque também para a construção do elenco infantil, muito bem executada pelo elenco escolhido. It foi sucesso absoluto nas bilheterias, e deixa uma grande expectativa para uma segunda parte que narrativamente parece ser menos cativante, ficando o desafio para o diretor.

Menção Honrosa

Mate-me Por Favor

Desbocado (filme mais violento, sangrento e ousado que você viu)

Jogo Perigoso

Mais uma vez Stephen King em pauta, em um filme simples e direto, cheio mensagens nas entrelinhas de sua narrativa, que mostra não só um momento de uma mulher algemada em uma cama à mercê de um cão faminto e um estranho psicopata, mas uma reflexão sobre uma vida de abusos sofridos e a necessidade de libertação. Impressiona pela dinâmica da narrativa da personagem Jessie, nas mãos do talentoso Mike Flanagan – onde a maior violência aqui é psicológica.

Menção Honrosa

Raw

Boca Aberta (aquele que te surpreendeu…positiva ou negativamente) 

Ao Cair da Noite

Desolador, pessimista, tenso, incômodo – misto de sentimentos causados em um filme simples sobre uma espécie de paranoia coletiva a cerca de uma ameaça que parece ser desconhecida até mesmo pelos próprios personagens. O diretor Trey Edward Shults conduz o filme com uma sutiliza onde, em meio ao silêncio de uma casa isolada, qualquer som pode ser uma ameaça. A paranoia dos personagens de certa forma chega ao espectador que fica com um pergunta na cabeça “O que eu faria nesta situação?

Menção Honrosa

Corra!

Bocarra (o melhor filme de 2017) 

A Criada

Chan-Wook Park dá uma aula de cinema no melhor filme, em minha humilde opinião lançado por aqui esse ano. Elegante esteticamente, pitadas de um humor sombrio e uma construção sofisticada de uma violência física e psicológica, que remete ao universo feminino e circunstâncias opressoras a que as protagonistas são sujeitas.

Menção Honrosa

Blade Runner 2049

Boca Banguela (o pior filme de 2017)

A Torre Negra

Um filme onde a única coisa que funciona são poucos momentos entre o trio Roland (Idris Elba), Jake Chambers (Tom Taylor) e O Homem de Preto (Mathew McConaughey). Uma tentativa frustrada de trazer para o cinema a série de Livros mais ambiciosa do Stephen King (de novo em pauta) – decepção não só para os fãs, mas também para o próprio escritor ver uma de suas obras mais queridas se transformar em uma de suas piores adaptações.

Menção Honrosa:

Passageiros

CATEGORIA TRATAMENTO DE CANAL (séries e TV)

Dente de Ouro (melhor série, minissérie ou filme para a TV):

Twin Peaks

David Lynch volta à direção revivendo a surreal história de Laura Palmer. Nesta terceira temporada, não se busca esclarecimentos para os fatos ocorridos nas temporadas anteriores, mas há uma inovação em sua narrativa surrealista, mesmo revivendo conceitos abordados em outros trabalhos de sua carreira. Apesar de dividir opiniões, Twin Peaks está entre ‘os melhores filmes’, segundo a famosa revista francesa Cahiers du Cinéma. Destaque para o 8º episódio, um deleite visual e narrativo, e também para o sensacional encerramento da temporada.

Menção Honrosa

Dark

Dente Amarelo (pior série, minissérie ou filme para a TV):

Santa Clarita Diet

Com Drew Barrymore no elenco, a série aposta em uma narrativa recheada de sangue e humor. Até começa em um bom ritmo, mas não se sustenta e cai na repetição de piadas em episódios tediosos. Drew Barrymore está bem carismática e segura a onda durante boa parte da trama, mas não é o suficiente para salvar uma boa ideia mal executada.

CATEGORIA CÁRIE, A ESTRANHA (categoria específica para o tema que você se dedicou em 2017, podendo incluir filmes de qualquer época)

Coroa (melhor filme/notícia que você analisou/pesquisou)

Mãe

A história de Darren Arnofsky a cerca de um casal magistralmente interpretado por Jennifer Lawrence e Javier Barden, que tem uma brusca mudança de rotina com a chegada do invasivo casal representando por Ed Harris e a maravilhosa Michelle Pfeifer. O que parece ser uma simples história de relacionamento que em certo ponto parece remeter até ao filme O Bebê de Rosemary se transforma em uma representação alegórica da Bíblia, e seus fatos narrados aqui, de uma maneira alucinada e incômoda, em uma visão pessimista de um fanatismo religioso que pode ser interpretado de várias maneiras.

Menção Honrosa

Blade Runner 2049

Gengivite (pior filme/notícia que você analisou/pesquisou) 

A Torre Negra

Como fã do Stephen King e de toda a saga A Torre Negra, espero que aprendam com este projeto que estava destinado a ser um fracasso desde sua concepção, que os estúdios e produtores aprendam com outras produções deste ano inspiradas em outras obras de King, e assim, respeitando o conceito original, é possível que o futuro da Torre seja salvo.

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Ivo Costa

Ivo Costa

Estudante de Cinema, fez parte do Juri Popular do Cinefantasy em 2011. Além de crítico do Boca do Inferno, atua como diretor e roteirista de curtas-metragens. Contato: ivocosta@bocadoinferno.com.br

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