A Chave do Monarca Azul (2015)

A Chave do Monarca Azul
Original:A Chave do Monarca Azul
Ano:2015•País:Brasil
Autor:Bruno Moraes•Editora: Independente

“A Chave do Monarca Azul se inicia na mente de um escritor prestes a lançar seu quarto romance de horror. A chegada de uma encomenda, porém, vem a ele como uma piada de mal-gosto, ou talvez algo ainda mais terrível: O remetente diz ser um “amigo imaginário” que ele teve na infância, e talvez esteja falando a verdade. A partir daí, as fundações do que é real, o que é lembrança e o que é delírio começam a tornarem-se gelatinosas e vagas, e os riscos da investigação podem rompê-las de vez”.

Inspirado pelo horror cósmico de autores como Robert W. Chambers (O Rei Amarelo) e H.P. Lovecraft (O Chamado de Cthulhu), o escritor carioca Bruno Moraes, em seu primeiro romance, revira a poeira sedimentada de memórias esquecidas e expõe uma realidade dura e crua enquanto nos apresenta uma mistura de fantasia, mitologia e horror cotidiano. Aquele a qual todos nós estamos sujeitos.

Aliás, aqui cabe uma ressalv: não leia o posfácio antes de concluir a leitura da história principal. Todo o mistério se esvai da leitura caso o leitor ansioso parta para o texto onde o autor esmiúça o seu processo criativo e as principais razões e influências do seu livro. A Chave do Monarca Azul é daquelas leituras em que quanto menos sabemos sobre o tema, melhor.

E este é o principal mérito de A Chave do Monarca Azul.

Enquanto acompanhamos a história principal, testemunhamos o desespero do personagem quando uma figura sinistra que o visitava na infância retorna muitos anos depois. O texto em primeira pessoa reforça esta sensação e, assim como a personagem, vamos aos poucos decifrando o enigma da chave do Monarca Azul. Ao final do texto, o leitor, assim como o personagem, se depara com a verdade por trás daquelas memórias e a revelação é bastante impactante.

A Chave do Monarca Azul (2015) (2)

O livro ainda conta com dois contos extras, Gênese e Fim, com o próprio Monarca Azul, que eu particularmente considero reduzir a força e a ambiguidade do texto principal, apesar de ser um conto interessante com bastante influência dos universos divinos de Neil Gaiman, e O Novo Produto, um apavorante conto sobre vício com ares lovecraftianos, que é uma grata surpresa.

O livro foi produzido de maneira independente através do Catarse e se mostrou bastante merecedor do sucesso da campanha. O livro possui um bom acabamento gráfico e a única ressalva fica por conta da ausência de uma divisão de capítulos, que tornaria a leitura mais fluída. Moraes condensa uma vasta gama de influências em um texto de leitura fácil e rápida, apesar de um ou outro momento mais verborrágico, e bastante instigante. Mostrando que nem só de autores internacionais e consagrados vive a literatura fantástica. Que seja o primeiro de muitos!

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Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

Designer por formação e apaixonado por HQs e Cinema de Horror desde pequeno. Ao contrário do que parece ele é um sujeito normal... a não ser quando é Lua Cheia. Contato: rodrigoramos@bocadoinferno.com.br

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