Críticas, Literatura

Alien (2015)

Foster acerta ao conceber seu livro em 3ª pessoa, colocando o leitor na mente das personagens, aumentando a tensão a cada capítulo.

Alien
Original:Alien
Ano:2015•País:EUA
Autor:Alan Dean Foster•Editora: Editora Aleph

“A tripulação da nave Nostromo é despertada antes do tempo de seu sono criogênico. Misteriosos sinais vindos dos confins do espaço são recebidos pelo computador de bordo, e a equipe é acionada para investigar um planeta desconhecido. Um tripulante é atacado por uma forma de vida estranha, e esse pode ser o início de uma história pior que os mais terríveis pesadelos da humanidade.”

Uma verdadeira obra-prima do cinema, Alien, O Oitavo Passageiro (1979), de Ridley Scott, conseguiu o que poucos filmes conseguiram ao mesclar com perfeição a ficção científica e o horror. Seu clima claustrofóbico de tensão crescente unido ao belíssimo design de criatura do suíço H.R. Giger colocam o filme facilmente em qualquer lista dos melhores de ambos os gêneros. De quebra, ainda temos a Tenente Ellen Ripley (Sigourney Weaver), uma personagem principal feminina, poderosa e forte, como não se via naqueles tempos.

O sucesso inesperado do filme redeu diversas continuações, dois crossovers com outra criatura alienígena, os Predadores, e uma prequel, também dirigida por Ridley Scott, o duvidoso Prometheus (2012) e inúmeros quadrinhos e jogos de vídeo game. Todo este império transmídia da criatura xenomorfa começou com a obra do filme escrita por Alan Dean Foster, já no ano de estreia do filme, em 1979. E é esta romantização que a Editora Aleph traz finalmente para o Brasil.

Fugindo do lugar-comum, Alan Dean Foster nos apresenta um romance com algumas pequenas diferenças entre o livro e o filme. A principal, que vai saltar aos olhos do fã do filme original, é o visual da criatura. Embora não haja uma descrição completa do alienígena em sua forma “adulta”, o livro descreve a fase “facehugger” do Alien de forma levemente diferente daquela a qual nos acostumamos. O fã também irá notar a ausência do “space jockey” no livro, deixando a origem da criatura ainda mais misteriosa.

Alien (2015) (2)

Foster acerta ao conceber seu livro em terceira pessoa, colocando o leitor diretamente no centro de tudo como uma testemunha acidental, aumentando a tensão a cada capítulo e fazendo com que conheçamos melhor a tripulação da Nostromo e nos preocupemos mais com os personagens. Algo que no filme é tratado de maneira bastante superficial, quase inexistente. O livro também preenche algumas lacunas deixadas pelo filme aqui e ali, enriquecendo a leitura pra quem, como eu, já conhece o longa de cor e salteado.

Fechando o pacote está a bela produção gráfica e design adotados pela Aleph para a edição nacional de Alien. As cores e o acabamento metalizado remetem ao clássico box da quadrilogia Alien. Como extras, temos uma introdução escrita por Alan Dean Foster exclusivamente para a edição brasileira e entrevistas feitas por Danny Peary, Sigourney Weaver e Ridley Scott em 1984.

Existem alguns pequenos erros de revisão, mas nada que atrapalhe a leitura, pois o capricho da edição chega ao ponto de colocar o expediente no final do livro, como se fossem os créditos que rolam na tela ao final do filme. Indispensável para os fãs da franquia e de uma boa ficção científica.

Leia também:

Rodrigo Ramos

Rodrigo Ramos

Designer por formação e apaixonado por HQs e Cinema de Horror desde pequeno. Ao contrário do que parece ele é um sujeito normal... a não ser quando é Lua Cheia. Contato: [email protected]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *