Críticas, Literatura

Eu Sou a Lenda (2015)

Uma das maiores histórias de horror e ficção-científica de todos os tempos, que influenciou gente como George A. Romero e Stephen King

Eu Sou a Lenda
Original:I Am Legend
Ano:1954•País:EUA
Autor:Richard Matheson •Editora: Aleph

“Uma impiedosa praga assola o mundo, transformando cada homem, mulher e criança do planeta em algo digno dos pesadelos mais sombrios. Nesse cenário pós-apocalíptico, tomado por criaturas da noite sedentas de sangue, Robert Neville pode ser o último homem na Terra. Ele passa seus dias em busca de comida e suprimentos, lutando para manter-se vivo (e são). Mas os infectados espreitam pelas sombras, observando até o menor de seus movimentos, à espera de qualquer passo em falso.”

A primeira coisa que devo mencionar antes de tentar resenhar Eu Sou a Lenda, a seminal obra de horror e ficção científica escrita por Richard Matheson em 1954, é que o leitor deve ignorar completamente o que acha que sabe sobre a história devido às três adaptações do livro para o cinema. Seja a versão de 1964, Mortos que Matam, com Vincent Price, a de 1971, A Última Esperança da Terra, com Charlton Heston, ou a mais conhecida, de 2009, Eu Sou A Lenda, com Will Smith, nenhuma delas se aproximou da grandiosidade do texto original de Matheson.

Eu Sou a Lenda é escrito em forma de diário, acompanhando o dia a dia de Neville e todas as suas lutas, conquistas e derrotas ao longo do período descrito no livro, que vai de janeiro de 1976 a janeiro de 1979. Isso dá um ritmo bastante fluido à leitura e divide os capítulos em pequenos contos diários do personagem. Não é à toa que capítulos inteiros do livro já fizeram parte de coletâneas de ficção científica e vampiros ao redor do mundo.

No livro, podemos acompanhar os dilemas de Robert Neville a partir do ponto de vista do personagem. Seus pensamentos são colocados na mente do leitor, que irá acompanhar de perto a luta de Neville para manter a sanidade como o último homem da Terra enquanto segue na sua luta solitária contra a praga de vampiros que dominou o planeta. O texto de Matheson é melancólico, fatalista e dá um peso à história que nenhuma das três adaptações para o cinema conseguiu, embora a versão com Vincent Price tenha seus momentos.

Eu Sou a Lenda (2015) (1)

Este ponto-de-vista subjetivo do livro cria um vínculo entre o leitor e o personagem como poucas vezes vistos em contos de horror e ficção científica, mais adeptos a uma escrita descritiva que coloca o leitor como testemunha dos acontecimentos. Essa subjetividade carrega a leitura de momentos emocionantes, sendo quase impossível não se pegar com os olhos marejados em determinados pontos do livro. Afinal, não só estamos acompanhando o fim da humanidade na face da Terra, como somos, nós mesmos, os últimos homens do planeta.

Eu Sou a Lenda retorna ao Brasil em uma edição lindíssima da Aleph em capa dura, com um belo design da Desenho Editorial, que traz, além da história principal, uma entrevista com o autor datada da época do lançamento da versão para os cinemas com Will Smith e um artigo científico de Mathias Clasen sobre a importância cultural da obra-prima de Richard Matheson. Ao todo, são 384 páginas com uma das maiores histórias de horror e ficção-científica de todos os tempos. Uma obra que influenciou gente como George A. Romero e Stephen King.

Não perca tempo. Leia Eu Sou a Lenda antes que o mundo acabe.

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