Críticas, Literatura

O Bairro da Cripta – Tomo III – As Exéquias (2016)

O melhor livro da série, As Exéquias reforça o nome de M.R. Terci como um dos principais autores brasileiros de horror da atualidade!

O Bairro da Cripta – As Exéquias
Original:idem
Ano:2016•País:Brasil
Autor:M.R. Terci •Editora: LP-Books

“Temeis a morte? Pois não sabeis o que vos aguarda depois.”
– O Bom Doutor Giuzeppe Giovanni

Já é tradição: desde 2014, quando foram lançadas As Elegias, me acostumei a voltar ao Bairro da Cripta anualmente. Em 2015 foram Os Epitáfios, e, neste ano, M.R. Terci lançou o Tomo III de sua pentalogia, As Exéquias, um livro mais longo que os anteriores e o melhor da série até agora – o que não é pouca coisa, já que seus antecessores são excelentes.

Aos que ainda não tiveram o prazer de visitar Tebraria, a cidade fica no interior de São Paulo. Os contos relatados em As Exéquias aconteceram entre o século XIX e a primeira metade do século XX. Terci tem o cuidado de usar elementos específicos da época em que se passa cada conto, tornando fácil para o leitor perceber em qual período está sendo inserido e a imersão na história. Como é bem característico na série do escritor, os contos se ligam através de locais e personagens, o que fica ainda mais interessante com a passagem do tempo.

Não há um conto nAs Exéquias que possa ser considerado fraco, mas alguns merecem destaque, a começar por O Templo do Inseto, que abre o livro. Brevemente é contada a história de um homem que se apaixonou pela bela Calídice. Uma bela história de amor se transforma em horror absoluto, indicando o tom que podemos esperar das demais histórias. Diferentes formas de amor, aliás, estão presentes em vários dos contos de Terci, como O Fruto e Canção de Amor para uma Criança Morta.

O conto O Salão Comunal, parte do Tomo II – Os Epitáfios, usou pela primeira vez o formato de diário para relatar uma história. Em As Exéquias, o mesmo acontece em Os Dias Estranhos do Tio Mircea, em que acontecimentos dignos de uma produção de ficção científica são narrados em um diário escrito e em um gravador.

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Em duas ocasiões, Terci faz referência à outra obra de sua autoria: Caídos. Em O Bom Doutor Giuzeppe Giovanni, o médico que dá nome ao conto relata detalhadamente todos os procedimentos que executa quando recebe um corpo em seu necrotério, demonstrando que dá importância ao seu trabalho e fazendo uma crítica à forma como ricos e pobres são tratados de formas diferentes. A certa altura, porém, o conto dá uma guinada inesperada e brinda o leitor com a presença de uma entidade bem conhecida de quem leu Caídos. Já em Tinha uns Olhos da Cor da Tempestade, que foi disponibilizado como ebook em janeiro passado, conhecemos mais um pouco da história de Dezidério, que já apareceu em As Elegias e Os Epitáfios, e descobrimos que ele também tinha uma sombra com vida própria, assim como Emanuel do Túmulo, protagonista de Caídos. Aqui é impossível não sofrer com o destino dos cativantes personagens.

Por fim, alguns contos de As Exéquias se interligam por diferentes pontos de vista dos personagens. Com leprosos no papel de zumbis, a história começa em O Leprosário, que tem como protagonista o fora-da-lei Sabujo e é ambientado no claustrofóbico Leprosário, um novo cenário na série Bairro da Cripta. O conto serve para apresentar o início do que seria uma catástrofe apocalíptica contada por diferentes personagens nas histórias finais dAs Exéquias: Os Sinos, A Caravana Perdida e Os Campos da Padroeira (um dos finais mais cruéis da série). Trata-se de uma sequência que não permitirá ao leitor largar o livro até o fim das histórias.

O terceiro volume da série O Bairro da Cripta serve para reforçar o nome de M.R. Terci como um dos principais escritores brasileiros de horror da atualidade e mostrar que não devemos em nada para a literatura estrangeira de gênero. A saga continua em breve com Os Epicédios e As Endechas.

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