Críticas, Literatura

A Sala do Tempo (2016)

Renan Bernardo acerta em cheio em seu livro de estreia mesclando horror e fantasia e uma ótima história sobre viagem no tempo

Original:A Sala do Tempo
Ano:2016•País:Brasil
Autor:Renan Bernardo•Editora: Editora Madrepérola

Algum tempo atrás, publicar um livro no Brasil era uma tarefa árdua, ingrata e para poucos. A democratização das tecnologias tornou tudo muito mais fácil, mais acessível e, ao mesmo tempo em que revelou talentos natos que nunca descobriríamos se não fossem as plataformas de autopublicação, também inundou as prateleiras de livros de qualidade duvidosa, cheios de erros gramaticais e de revisão e, aqueles da pior espécie, sem imaginação alguma!

Renan Bernardo se encaixa na primeira categoria, felizmente.

A Sala do Tempo conta a história de Jonas, que é apaixonado por Helena de forma obsessiva. Quando a garota dá um fim repentino ao relacionamento, o rapaz entra em pânico e encontra refúgio na antiga livraria abandonada da cidade onde vive. Porém, nos fundos da velha loja, há uma sala. E quando alguém fica trancado nesta sala, o tempo do lado de fora não passa. Jonas tenta usar a sala a seu favor para reconquistar seu amor, mas acaba desencadeando uma série de acontecimentos que mudará a vida dos habitantes daquela pacata localidade para sempre.

Em seu primeiro livro, publicado digitalmente no Wattpad em 2014 ano em que recebeu o prêmio Wattys 2014 – e que ganhou uma versão impressa pela Editora Madrepérola em 2016, Renan assume alguns riscos interessantes ao optar por contar não só a história de Jonas e a sala do tempo, mas por mostrar eventos interligados anos no futuro, e passado, e ir costurando aos poucos todas as histórias presentes no livro. Ao todo são oito personagens que terão suas vidas afetadas de alguma forma pelas ações de Jonas. Tais conexões são plantadas aos poucos, deixando o leitor curioso sobre como elas se juntam para dar forma à história principal do livro. A história sobre a tal sala do tempo.

Existem alguns pontos de melhoria, claro, como a dificuldade em se situar a história geográfica e cronologicamente. Por se tratar de um conto que fala de viagens no tempo, em alguns momentos temos uma impressão de passagem do tempo que não condiz com o que está sendo contado. Principalmente quando entra em cena um padre com mais de 90 anos decidido a enfrentar e desvendar os mistérios da sala do tempo, ele mesmo. Existem alguns problemas de gramática aqui e ali, mas nada que prejudique a leitura que possui um ritmo excelente. Renan também acerta no tom da leitura, equilibrando a leveza e a gravidade na medida certa.

Apesar de possuir diversos elementos de horror, o livro pende mais para a fantasia, com pitadas de crônicas do cotidiano, como nos bons romances de Stephen King, onde o horror faz parte da história, mas as pessoas e o cenário são tão ou mais importantes do que os monstros e criaturas que se escondem em cada página. Mesmo quando temos um monstro tão interessante como o Sr. Sorvetão que permeia todas as histórias, sempre pronto a lhe oferecer um sorvete vermelho em troca de algo muito mais valioso.

Leia também:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *