Críticas, Literatura

Achados e Perdidos (2016)

Bill Hodges retorna em melhor estilo para enfrentar um novo inimigo, um grande fã de literatura!

Achados e Perdidos
Original:Finders Keepers
Ano:2016•País:EUA
Autor:Stephen King•Editora: Suma de Letras

O resgate de velhos conhecidos produz sempre uma boa sensação no leitor. Íntimo das personagens, a preocupação com a integridade e segurança delas aumenta com a proporção dos perigos, e ainda permite explorar suas reações, seus segredos e pensamentos. Bill Hodges não foi uma criação tão original de Stephen King, conforme apontei em Mr. Mercedes. Embora a escrita eficiente de um excelente contador de histórias, King optou pelos caminhos tradicionais, mas soube fortalecer seu carisma, tanto que nessa segunda aventura a demora para a participação dele e de seus parceiros chega até a incomodar. Mas, eles estão lá: o ex-detetive gordo, o jardineiro Jerome Robinson e a bacia de problemas psicológicos, Holly Gibney.

Até chegar a eles, acompanhamos uma dupla narrativa, contando inicialmente uma situação tensa ocorrida em 1978, envolvendo o assassinato do genial escritor John Rothstein, vítima de três invasores, incluindo o fã de seu personagem mais querido Jimmy Gold. Morris Bellamy não estava interessado na grande quantia de dinheiro guardada em seu cofre, mas nos cadernos que continham a continuação de seu trabalho, jamais publicado. Depois do crime, ele dá um fim em seus parceiros e enterra a grana e o material em um baú no jardim, mas acaba sendo preso pelo estupro de uma garota após um exagero na bebida. Já em 2009, King traz uma outra vítima do assassino da Mercedes, que não morre mas fica com graves sequelas que o impedem de trabalhar. Seu filho, Pete Saubers, encontra os itens enterrados e faz uso do dinheiro para ajudar sua família – embora não consiga levar Tina a estudar onde deseja – e aproveita para descobrir o que ninguém sabe sobre Jimmy.

Quando o dinheiro termina, ele tem a ideia ingênua de vender os cadernos, pensando apenas nos ganhos, porém escolhe o comprador errado, na pele de um ex-conhecido de Morris. Este também sairá da cadeia para clamar por seus segredos, cercando Pete de maneira extremamente perigosa. Bárbara, amiga de Tina e irmã de Jerome, resolve contar sobre os problemas para Bill, que se une aos velhos parceiros para ajudar o garoto, mesmo que este insista em agir sozinho, mantendo suas mentiras. Toda a tensão culminará em atos de violência e uma desesperada luta pela sobrevivência diante de inimigos frios e interesseiros.

Stephen King está bem mais à vontade ao lidar com seu estilo de personagem favorito: o escritor. Servindo mais uma vez como um alter-ego, desta vez simbolizando o carinho que seus leitores nutrem por personagens como os de A Torre Negra, Rothstein representa a força de um autor diante de seus fãs, agindo até mesmo drasticamente para conhecer o fim de uma história. O bom humor e a literatura leve permeiam Achados e Perdidos, podendo ser acompanhado por leitores de qualquer idade, sem o grafismo e os exageros descritivos de outros conteúdos de sua autoria, rendendo uma obra bem mais acabada e desenvolvida do que Mr.Mercedes.

Enquanto Bill Hodges se interessa em ajudar o garoto, ao mesmo tempo mantém uma certa regularidade nas visitas que faz ao terrível Sr. Merdedes, Brady Hartsfield. Hospitalizado, quase em absoluto estado vegetativo, ele começa a dar sinais de lucidez e de domínio da mente, conseguindo até mesmo mexer objetos do ambiente. Em doses discretas, ele deixa evidente que planeja se vingar de seu algoz na terceira parte da série. Mas, para este segundo livro, “essa merda não significa merda nenhuma.

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