Críticas, Literatura

Nefastas Lembranças (2017)

O autor transporta-nos aos porões escuros da mente de um jovem assassino que aguarda sua pena em uma prisão qualquer de Pinhais

Nefastas Lembranças
Original:
Ano:2017•País:Brasil
Autor:Jean Thallis•Editora: Independente

O que define um sociopata?
Eles choram? Sentem dor ou algum outro tipo de sentimento?

Em Nefastas Lembranças, o terceiro livro publicado pelo escritor paranaense Jean Thallis e antecedido por obras como Lapso Esquizofrênico (2014) e Carniceiro Mefítico (2015), algumas destas questões até podem ser respondidas, mas isso não significa que o gosto amargo e acre da violência contida nele vá diminuir. Numa narrativa crua e sem rodeios o autor transporta-nos aos porões escuros da mente de um jovem assassino que aguarda sua pena em uma prisão qualquer de Pinhais (PR). Como forma de salvaguardar o pouco de sanidade que lhe resta num ambiente hostil onde reina a loucura e a violência, o detento entrega-se às memórias de seus crimes com o mesmo amor e dedicação que apresenta ao reencontrar seus familiares e louvar seus santos católicos.

Estupro, pedofilia, escatologia e assassinato são coisas frequentes nas páginas pungentes (e frias como o aço de uma faca!) deste turbilhão emocional lançado por Thallis. O descaso com o qual o assassino narra seus atos maléficos impressionam tanto quanto aos loops que a sua mente dá ao bater do remorso pós-crime e ao reencontro com entes queridos do passado e do presente. Jekyll e Hyde brigando com unhas e dentes num misto de ódio, descaso e sofrimento…

Se você tem nervos de aço e estômago forte eu o desafio a enfrentar estas 164 páginas onde o sangue derramado e a total degradação da vida da vida provêm do mais cruel dos monstros: o próprio ser humano.

SOBRE O AUTOR:

Jean Thallis é natural de Londrina (PR) e formado em geografia pela UEL (Universidade Estadual de Londrina). Nefastas Lembranças é sua terceira obra publicada. O autor também tem contos publicados nas obras Maravilhosas Distopias (2015), Épicos Homéricos (2016) e Seres Amazônicos (2016), todos lançados pela Dardo Editora sob organização de Mauricio Coelho.

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