Críticas, Literatura

Twittando com o Vampiro (2017)

Devasso e sanguinário. Um livro de vampiros para quem tem estômago forte.

Twittando com o Vampiro
Original:
Ano:2017•País:Brasil
Autor:Aislan Coulter •Editora: Independente

Um lançamento nacional de terror gore que faz jus ao gênero ao deixar um rastro de sangue e vísceras nas 147 páginas do livro. Com entidades do mal promiscuas, vudo haitiano e vampiros bem demoníacos esse livro encontra espaço em um gênero pouco explorado no cenário nacional.

Um vampiro. Uma garota esquizofrênica. Um assassino da Deep Web. Daqui a doze noites o mundo conhecerá o seu governante.

Essa pequena sinopse sintetiza com perfeição o conteúdo do livro. São três histórias que lentamente se misturam.  Na parte do vampiro encontramos muitas mortes e sangue aos baldes, cenas com execuções bem detalhadas para nenhum fã de gore colocar defeito – tudo narrado pela própria Morte.

A escolha desse narrador para o bloco do vampiro explorou muito bem os personagens que entram em contato com o sanguessuga, pois raras vezes sabemos tantos detalhes de personagens que estão na história basicamente para morrer, mas o próprio vampiro é pouco explorado. Ele aparece no livro como uma ferramenta causadora de morte e medo, sua história de vida não é desenvolvida, ou seja, se você está cansado de vampiros que passam noites conversando sob as estrelas e que sejam criaturas delicadas que usam lencinhos umedecidos para limpar o sangue dos lábios não vai gostar do vampiro desse autor. Em minha opinião o vampiro perdeu parte da intensidade, pois o narrador entra na cabeça da vítima e esse método é usado durante esse bloco o que também aumentou a expectativa de uma reviravolta. O arco do personagem sucumbiu diante da boa exposição do gore nesse bloco. Destaque no livro para as descrições mais detalhadas de vísceras e fezes humanas – eu mesma, como escritora de terror, fiquei enojado com algumas cenas.

“… depois de algum tempo, as laterais começaram a se dissolver. As farpas de mandioca se tornaram tênues, o feijão ganhou destaque…”.

O segundo narrador traz a visão de uma garota esquizofrênica e o leitor a acompanha através de seu diário. A diagramação mostra frases riscadas e expõe algumas referências interessantes do cotidiano de muitos leitores, além de detalhar bem a personalidade dela, uma das melhores construções do livro. A jovem passa por uma grave crise depois de ter um vídeo íntimo divulgado na internet. Como se não bastasse ela ainda é atormentada por fantasmas. Eles aparecem em diversas situações e muitas vezes fazem gestos obscenos.

“As pernas pareciam pertencer a corpos diferentes, havia uma briga entre elas. Quando uma ia, a outra permanecia fincada no chão; depois se encontravam cambaleantes, trombando uma na outra.”

O terceiro bloco traz um assassino da Deep Web em busca de uma cruz misteriosa e seu envolvimento inesperado com vudo haitiano. Tudo isso no norte do Brasil. O assassino é um cara estourado e violento, e a saga dele em busca de saber o que está acontecendo para encontrar a cruz é bastante interessante. Tendo em vista esses núcleos bem diferentes fica claro que Twittando com o Vampiro poderia ser três livros diferentes. Sem dúvida é um livro único, e Aislan Coulter sempre vai ser mencionado por esse trabalho.

“Tomado pelo pavor, ele sente, agora, as entranhas se separarem do corpo; a boca se abre sem produzir som algum e o sangue começa a descer.”

O maior desafio foi contar a história com três narradores. No início permanece a sensação de confusão e os capítulos curtos dificultam o apego com os personagens. Pessoalmente eu gostei mais do terceiro bloco e achei o assassino o personagem mais interessante. Indico a leitura para quem procura um livro diferente do convencional, uma leitura gore e bastante acelerada e não apenas um livro de vampiros, porque, apesar do título, o livro é muito mais que isso.

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