Scream Queens (2015): Episódios 1 e 2

Scream Queens (2015) (3)

Scream Queens
Original:Scream Queens
Ano:2015•País:EUA
Direção:Ryan Murphy
Roteiro:Ryan Murphy, Brad Falchuk, Ian Brennan
Produção:Jessica Sharzer
Elenco:Emma Roberts, Skyler Samuels, Lea Michele, Glen Powell, Diego Boneta, Abigail Breslin, Keke Palmer, Nasim Pedrad, Lucien Laviscount, Oliver Hudson, Jamie Lee Curtis

Com muito alarde foi anunciada a estreia de Scream Queens, nova série de Ryan Murphy, Brad Falchuk e Ian Brennan, criadores de Glee e American Horror Story. Com muito mais alarde ainda chegou ao conhecimento dos fãs de terror que Jamie Lee Curtis, talvez a mais emblemática scream queen do cinema, título conquistado ao interpretar Laurie Strode em Halloween – A Noite do Terror, de John Carpenter, estaria no elenco.

A série estreou na FOX no último dia 22 de setembro, em um episódio especial duplo, e a primeira impressão que dá é que pretende fazer pelos slasher movies a mesma coisa que Glee fez para os musicais. E que ela é literal e exclusivamente voltada para o mesmo público alvo, afugentando logo em seu piloto os fãs de terror (tanto os xiitas quanto os mais cabeça aberta) que encararam o televisivo pela curiosidade.

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No prólogo, em 1995, durante uma festa na fraternidade Kappa Kappa Tau, da Wallace University, uma garota dá a luz a um bebê dentro de uma banheira (segundo ela, nem sabia que estava grávida até então!!!) e precisa de cuidados médicos, mas como aquela situação estragaria a festinha e “Waterfalls” da TLC começa a tocar naquele instante, as garotas deixam-na sangrando no banheiro. Ao voltarem para tentar resolver o problema, ela está morta.

Vinte anos se passam e Chanel Oberlin (Emma Roberts) é a presidente da fraternidade, encarnando todo os tipos de estereótipos possíveis e imagináveis, e governa a KKT com mão de ferro, seguida por suas devotas e igualmente fúteis seguidoras, desprezando e humilhando “os excluídos”, como funcionários, latinos, negros, homossexuais, deficientes e tudo que a cartilha do politicamente incorreto manda.

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Após um confronto com a reitora da universidade, Cathy Munsch (Curtis), é decidido que a KKT deve começar a aceitar qualquer uma que queira se candidatar para a fraternidade, e não apenas seguir aquela regra velada do elitismo branco heteronormativo. As novas candidatas losers dão espaço para a metralhadora giratória de piadas politicamente incorretas (nos mesmos moldes de Glee), com direito a uma surda fã de Taylor Swift, uma japonesa lésbica e que seria chamada taxada por essas bandas de “feminazi”, uma garota que usa um aparelho na coluna cervical, uma gordinha nerd rata de biblioteca, uma negra e Grace Gardner (Skyler Samuels), a mocinha da trama.

Seu sonho de entrar para a KKT – uma vez que a única recordação que tem de sua mãe, que morrera quando tinha dois anos, é um broche da fraternidade, – será destruído ao conhecer Chanel e seu fútil modus operandi de liderança, e logo ela tentará destronar a rival no intuito samaritano de criar uma fraternidade que abrace e acolha a todos. Para isso, vai contar com a ajuda do repórter do campus, atendente do café da universidade e par romântico, Pete (Diego Boneta).

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Enquanto isso, já que é uma paródia dos slasher movies e suas situações clichês, uma série de misteriosos assassinatos passa a acontecer no campus, perpetuados por um sujeito usando uma fantasia de diabo vermelho. Durante essa primeira temporada, os 15 episódios provavelmente serão centrados na descoberta da identidade do assassino, suas motivações e o que aconteceu com aquele bebê que ficou órfão na festa de 1995, uma vez que o caso tornou-se uma lenda urbana em Wallace.

Partindo do pressuposto que eu definitivamente não sou o público alvo, mas que ele de fato existe, o grande problema de Scream Queens é afetação, o exagero e todo o ambiente absurdamente caricato e piadas infames. Obviamente ele é uma sátira, também das comédias besteirol americanas de faculdades, e, em suas entrelinhas, mete o dedo na ferida do comportamento dos adolescentes millenials e suas fraternidades, tendo como subtexto na forma de piada politicamente incorreta, alienação, consumismo, futilidade, homofobia, racismo, preconceito contra deficientes, excluídos e desfavorecidos. Tudo isso em nível hard.

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Mas entre uma e outra falta de decoro e situação inverossímil exageradíssima e propositalmente camp, há até que algumas piadas que você pode dar boas risadas, como mesmo eu fiz, se despir só um pouco a capa de preconceito, como, por exemplo, quando o puxa-saco de Chad Powell (Glen Powell), garoto mais popular da universidade, membro do clube de golfe e namorado de Chanel, diz que se um diretor dirigisse um filme de sua vida, seria Michael Bay, o maior de todos os tempos!

Para os fãs de terror de verdade, não há praticamente nada que salve, exceto a participação de Jamie Lee Curtis, que enche a tela toda vez que se põe em cena, e leva numa boa o fato de estar tirando sarro de um subgênero a qual é a representante mor, e uma ou outra boa dose de gore, como a morte da antiga presidente da KKT, quando ácido sulfúrico é colocado no lugar de seu spray bronzeador, ou quando a empregada da casa tem seu rosto enfiado no óleo fervendo.

Sua estreia nos EUA foi muito abaixo do esperado, com apenas quatro milhões de espectadores, um resultado mediano para uma das séries mais esperadas, faladas e promovidas dessa temporada. Talvez o tom tenha passado um pouquinho do ponto, e se você de fato não é o público alvo, é bastante difícil acompanha-la sem torcer o nariz.

Nenhuma sátira ou a homenagem aos slasher movies consegue sobreviver embaixo de camadas de tanto exagero e tanta afetação adolescente e acho pouco provável que os fãs de terror que tiveram essa mórbida curiosidade na estreia voltem na próxima terça-feira para assistir ao terceiro episódio. Resta saber se esses mesmos adolescentes o farão.

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Marcos Brolia

Marcos Brolia

Fanático por filmes de terror desde que se conhece por gente, dos classudos aos bagaceiras! Adoraria ter um papo de boteco com o H.P. Lovecraft.

9 comentários em “Scream Queens (2015): Episódios 1 e 2

  • 04/11/2015 em 11:06
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    Alguém sabe quando a série vai lançar na netflix??

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  • 27/10/2015 em 23:44
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    Olha, eu confesso que esperava bem mais dá série mesmo. Gostaria que houvesse mais cenas gore, que o estilo terror/comedia ficasse mais centralizado, e que houvessem menos piadas e mais cenas de humor negro. Mas, já que eu comecei a acompanhar, vou até o fim, pois como diz o ditado: a esperança é a última que morre. E eu tenho esperança de que, quem sabe, possa melhorar!

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  • 03/10/2015 em 23:33
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    também gostei da série e é claramente que não deve-se levado a sério.
    tem cenas engraçadas (que eu cheguei a rir alto) e algumas cenas de suspense (com mais morte que a série do pânico).
    Agora é uma série que apela bastante do humor negro, por isso que não é para todos. quem não gosta do gênero terrir, deve passar longe.

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  • 30/09/2015 em 14:17
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    O problema não é sair do lugar comum, mas sim ser uma sátira extremamente sem graça. Pode ser exagerado, o que não pode é fazer o público bocejar. Mas entendo que quem gosta de porcarias como “Galo frito” “Parafernalha” “Porta dos fundos” tende a achar ruim quem não gosta de certas porcarias que Ryan Murphy e sua trupe escreve.

    Antes Scream Queens fosse só exagerada… Mas é ruim de doer.

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  • 29/09/2015 em 05:22
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    Particularmente, gostei muito. Achei bem superior ao Scream da MTV e apreciei a dose cavalar de piadas politicamente incorretas.
    As séries atuais estão muito “certinhas” e Scream Queens é um sopro camp ácido.

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  • 27/09/2015 em 02:25
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    Pode não ter agradado muita gente , mais a mim agradou tanto que toda terça terei este compromisso .
    A proposta da série é isso mesmo tende a diversão e exagero , só porque foge do comum é que os críticos aparecem para detonar com a série .
    Quando saí algum filme ou série fora do padrão temos que elogiar e não criticar , pois o que esperamos é a novidade e não a mesmice de sempre , e quando surge muitas pessoas não dão a importância devida .
    Sinceramente eu não tenho que reclamar de nada desses 2 primeiros episódios , pelo contrário só elogiar pois foram muito bons .

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    • 30/09/2015 em 23:54
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      Falou exatamente oque eu penso, concordo com tudo!

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  • 26/09/2015 em 18:06
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    Até entendo que vendo que vendo pelo lado terror, a série não tem nada, mas a série é bem divertida e engraçada, e acho legal o tema de alguns filmes de terror, ser colocadas na série dessa maneira.

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  • 26/09/2015 em 15:10
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    Bem, como tudo que tem uma abordagem meio diferenciada divide opiniões até entendo porque as pessoas não gostaram, o exagero é demais. Mas eu achei bem divertido levando em conta a proposta, é claro que não se pode ter um senso critico alto para algo pastelão. Mas eu vou continuar acompanhando. Para ser meio polemico eu achei esses dois primeiros episódios melhor do que a temporada inteira do sonífero ”SCREAM”. Adorei o texto, continuem assim.

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