Irmãos Duffer falam sobre final de Stranger Things e algumas abordagens de uma possível segunda temporada

Stranger Things (2016)4

Com colaboração de Silvana Perez.

[ALERTA DE SPOILER: a entrevista a seguir trata de temas e detalhes de todos os oito episódios da série Stranger Things. Não leia se você não terminou de assisti-la]

O mundo ficou realmente muito estranho depois do lançamento de Stranger Things na Netflix. Com oito episódios, a série que faz uma releitura dos anos 80 criada, dirigida e escrita pelos gêmeos Matt e Ross Duffer conseguiu resolver o mistério central e explicou bem o que aconteceu com Will Byers (Noah Schnapp), depois de uma semana preso no “Mundo Invertido”, porém, isso não significa que todas as dúvidas e questões foram respondidas.

O que aconteceu com a incrível Eleven (Millie Bobby Brown) depois que ela destruiu o monstro do Mundo Invertido? O delegado Hopper (David Harbour) sabe se ela está viva ou apenas está deixando os waffles no meio da floresta em uma tentativa de atraí-la? Será que Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) ainda continuam se divertindo jogando Dungeons & Dragons depois de terem encarado um monstro de verdade?

Na tentativa de responder pelo menos algumas dessas questões, a Variety entrevistou os irmãos Duffer, que falaram sobre o final da primeira temporada, como eles visualizaram o Mundo Invertido e seu monstro faminto e o que eles têm na manga para a segunda temporada, que não foi confirmada pela Netflix… ainda!

Confira a entrevista logo abaixo:

Quando você tem oito episódios para contar a sua história, como fazer para mostrar a extensão dos poderes da Eleven?

Matt: A ideia era mostrar aos poucos os poderes dela ao longo da temporada, provocando quem estava assistindo. No roteiro original que nós vendemos para a Netflix, ela era caçada pelos agentes e explodia uma porta [no primeiro episódio]. Era bem extremo logo de cara, mas assim que nós começamos a mapear a série e vimos que tínhamos oito horas nós começamos a diminuir o ritmo.

Muito da série não é apenas sobre resgatar Will, mas também sobre conhecer a Eleven e sua história. Nós criamos todo um enredo para ela e o truque era escolher onde deixar as peças do quebra-cabeça. No final do sexto episódio, você já conhece bastante sobre ela, e essa foi a mesma abordagem que fizemos com o monstro, não mostrar muito de uma vez para que você tenha um lugar para ir.

O quanto nós sabemos sobre as verdadeiras origens de Eleven até agora? E quanto vocês ainda querem manter como mistério?

Ross: Nós já demos a dica de que a mãe dela se envolveu com experiências científicas que resultaram nela [Eleven] nascer com esses superpoderes, mas o que nós queríamos fazer na série era mostrar o mistério através das pessoas normais. Nós não queríamos fazer uma cena onde um cientista senta e explica tudo, mas sim descascar lentamente as camadas desse mistério. Não está tudo resolvido no final da temporada, nós queríamos resolver apenas o mistério do desaparecimento do Will, essa é a história da temporada.

Você vê o governo ou a conspiração científica como uma história de longo prazo na série?

Ross: Tem muita coisa que nós não entendemos. Até mesmo o Mundo Invertido… nós temos um documento de 30 páginas que é bastante complexo nos termos de significância desse mundo, e de onde realmente veio o monstro, e porque não há mais deles. Nós temos todas essas coisas que nós não tivemos tempo, ou não achamos apropriado nos aprofundarmos tanto já na primeira temporada, por causa da tensão principal envolvendo o Will. Nós temos toda essa dimensão que nós não exploramos por completo nessa temporada, mas isso foi proposital.

Matt: Nós queríamos um mistério simples com pops bizarros de horror sobrenatural e, em seguida, adicionar uma mitologia maior por trás, que nós só sabemos e nos referimos como o Mundo Invertido porque é assim que os meninos decidem chamá-lo. Tudo o que eles aprenderam sobre isso é hipotético, pois eles teorizam sobre isso baseando-se nos conhecimentos de RPG e também com Mr. Clarke, o professor de ciências. Isso é tudo que nós entendemos dessa outra dimensão. Eu acredito que parte do horror da série é por causa disso, é mais assustador quando nós não entendemos completamente o que está acontecendo, se nós encontrássemos alguma coisa de outro mundo ou dimensão, seria além da nossa compreensão, quanto mais estranho, mais inexplicável e mais assustador.

Rumo as próximas temporadas, vocês já pensaram em quanto desse documento de 30 páginas vocês vão revelar e explorar?

Ross: Nós deixamos isso em aberto no final da temporada, mas discutimos o assunto de até onde iríamos se as pessoas respondessem positivamente e nós pudéssemos continuar a história. Se tiver uma segunda temporada nós vamos revelar mais desse documento, mas ainda mantendo o ponto de vista dos nossos personagens principais.

Stranger Things (2016)

Mesmo contando uma história completa na primeira temporada, vocês ainda deixaram algumas coisas em suspenso, como o desaparecimento da Eleven. Vocês queriam dar uma dica de onde ela está com a cena do delegado Hopper deixando waffles na floresta?

Matt: Claramente alguma coisa aconteceu com ela quando ela destruiu o monstro e nós não sabemos para onde ela foi. Hopper sente-se culpado porque ele trocou ela pelos meninos, e nós queríamos deixar no escuro o que ele sabe exatamente. Alguém viu alguma coisa na floresta? Ele ainda tem esperança que ela esteja em algum lugar ou já fez contato com ela? Nós não respondemos nada disso, mas gostamos da ideia de colocá-los juntos.

Aparentemente o Mundo Invertido mudou Will, ou ele trouxe alguma coisa de lá com ele. O que vocês podem dizer sobre o flashback do banheiro?

Ross: Nós amamos a ideia de que o Mundo Invertido não é um dos melhores ambientes para um ser humano viver. Will ficou lá por uma semana inteira e isso o afetou, tanto emocionalmente quanto, talvez, fisicamente. A ideia é que ele escapou daquele lugar horrível, mas será que ele escapou mesmo? Isso é um assunto que nós queremos explorar na segunda temporada: quais os efeitos de ficar naquele lugar durante uma semana? Como isso o afetou? Não é bom, obviamente.

Como vocês criaram o visual do monstro?

Matt: É nosso sonho antigo construir um monstro e colocá-lo na tela. Era importante desde o início que nós o criássemos. E que tivéssemos uma pessoa em um traje com elementos animatrônicos que pudesse ser filmada em tempo real com nossos atores.

Nós já tínhamos trabalhado com um artista conceitual, Aaron Sims, e ele é incrível. Nós falamos muito com Aaron sobre como queríamos que o monstro se parecesse. Nós falamos sobre H.R. Giger, Guillermo del Toro, Clive Barker – tentamos encontrar o que nos monstros deles era tão efetivo para nós; eles tinham tendência a serem humanoides, mas havia lago muito bizarro neles. Se você encontrasse algo de outra dimensão, seria muito estranho. Nós começamos a brincar com isso, e acabamos com o cara que você vê na série.

Houve momentos em que não podíamos fazer o que tínhamos que fazer com o cara no traje, e então usamos computação gráfica.

E o visual do Mundo Invertido?

Ross: Nós queríamos que ele fosse uma sombra do nosso mundo. Nós sabíamos que seria algo em que poderíamos usar efeitos práticos, poderíamos construir nossos sets e locações. É uma mistura de efeitos práticos e visuais.

Matt: Nós falamos sobre Silent Hill, os vídeo games foram uma inspiração, e Alien foi uma inspiração, em termos de visual. Quando nós apresentamos a ideia da série, dissemos “nós nunca vamos à dimensão alternativa”. Nós não achávamos que conseguiríamos. Eu acho que estávamos imaginando gravar nossos personagens em frente a uma tela verde e ficaria horrível. Nós criamos um conceito que sabíamos que conseguiríamos fazer. Era importante para nós nunca tentarmos algo que não conseguiríamos fazer, ou que ficasse cafona.

Houve alguma inspiração para o visual e concepção de Eleven?

Matt: Isso foi decidido bem rápido. Por algum motivo nós decidimos que ela ia sair da floresta em uma roupa de hospital suja e seu cabelo seria raspado. Nós conversamos muito com Millie sobre isso. Felizmente, foi quando o marketing de Mad Max: Estrada da Fúria estava no auge. Nós mostramos à Millie uma foto de Charlize [Theron] como Furiosa e dissemos, “Ela não parece durona?”. Ela respondeu que sim e nós dissemos “Você vai parecer durona, exatamente como Charlize”. E ela disse, “Ok, vamos fazer”. Nós raspamos a cabeça dela em dez minutos. O pai dela fugiu correndo, mas em uma semana a família dela adorou.

Eleven mata muitas pessoas na série. Houve alguma hesitação sobre isso?

Matt: Isso era importante para nós. Eu acho que, quando a série começou, nossa visão era mais sombria do que acabou sendo. “Amblin realmente sombria” era nossa ideia original.

Ross: Nós queríamos manter aquele perigo com as crianças. Não é só uma garota divertida com superpoderes. Ela é alguém que, se quisesse, ou mesmo acidentalmente, poderia realmente machucar um deles. Ela é meio que um curinga. Ela não tem controle total.

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Laura Dourado

Laura Dourado

Jornalista, bailarina, estudante de história e amante irrecuperável de filmes de terror. Assiste todos os tipos possíveis, dispensando só os terríveis found footages.

3 comentários em “Irmãos Duffer falam sobre final de Stranger Things e algumas abordagens de uma possível segunda temporada

  • 03/08/2016 em 16:08
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    Muito legal a série,estou doida para ver a próxima temporada,adorei esse documentário mas eu tenho uma pergunta quando vai sair a outra temporada

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    • Silvana Perez
      03/08/2016 em 16:14
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      Parece que só em 2018, Livia :/

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  • 02/08/2016 em 23:37
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    a serie tem 14 episodios. nao acabou por aí. tamo na espera

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