Verão Letal – 1ª Temporada (2016)

[Filme poster=”http://bocadoinferno.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Verão-Letal-2016-7.jpg” nacional=”Verão Letal – 1ª Temporada” ano=”2016″ original=”Dead of Summer” pais=”EUA” diretor=”Mick Garris, Mairzee Almas, Norman Buckley, Adam Horowitz, Steve Miner, Alrick Riley, Michael Schultz, Ron Underwood, Tara Nicole Weyr” roteiro=”Ian B. Goldberg, Adam Horowitz, Edward Kitsis, Deirdre De Butler, Richard Hatem, Steven Canals, Erin Maher, Richard Naing, Kay Reindl” produtora=”Kathy Gilroy, Felix Hernandez, Brian Wankum” elenco=”Elizabeth Mitchell, Elizabeth Lail, Alberto Frezza, Mark Indelicato, Ronen Rubinstein, Paulina Singer, Zelda Williams, Eli Goree, Amber Coney, Andrew J. West, Donnie Cochrane, Charles Mesure, Tony Todd, Zachary Gordon”]

[Avaliação nota=”2-5″]

Pode até ser que eu esteja sendo um pouco repetitivo, mas não é segredo para ninguém que talvez com o saco cheio do que os tempos contemporâneos tem a oferecer, estamos vivendo uma explosão de nostalgia em todas as mídias, desde a volta do chocolate Surpresa até remakes e reboots de clássicos do passado no cinema, porém não é à toa que os anos 80 tenham sido privilegiados neste constante flashback… Além de possuir uma estética que não pode ser encontrada em outras épocas, está fresco o bastante para o público de seus 30 e tantos anos ainda se lembrem com carinho (mesmo que sejam objetivamente umas grandes porcarias) e é fácil de emular e capitalizar.

Quando esta vontade de personificar o espírito dos anos 80 é feita com cuidado e carinho às suas fontes temos Stranger Things. Do outro lado, quando você é um Millenial e quer ganhar um troco rápido pegando qualquer elemento que já foi sucesso e resolve fazer um mexidão fedorento, você tem Verão Letal (2016)…

A presepada começa no final do século 19 onde um misterioso pastor, chamado Holyoke (Tony Todd) é acusado e linchado pelos locais por afogar dezenas de seguidores de seu culto localizado às margens do lago Stillwater. A cena dos corpos boiando fica gravada no imaginário popular por décadas, porém hoje o acontecimento já não passa de uma lenda. Avançamos para 1989 e o lago agora abriga um acampamento que ficou fechado por anos, até ser comprado por Deb Carpenter (Elizabeth Mitchell) e prestes a ser reaberto mais uma vez.

Para ajudar nesta empreita, ela conta com um grupo de jovens monitores que acabaram de se formar no ensino médio e estão prestes a seguir com seus planos separados na vida adulta, mas não sem antes passar um último verão de romance, diversão e aventuras. Eles seguem a perfeita cartilha de personagens de estoque de filmes de terror: Carolina “Cricket” Diaz (Amber Coney), a latina que era zoada por ser gordinha e agora é gostosa; Blotter (Zachary Gordon), o cara que adora umas drogas recreativas; Drew (Zelda Williams), o grunge caladão que esconde que é transsexual; Alex (Ronen Rubinstein), o pegador gostosão ambicioso que tem um segredo; Blair (Mark Indelicato), o gay; Joel (Eli Goree), o que não descola da câmera de vídeo; Jessie (Paulina Singer), a ‘bitch‘ do grupo e, finalmente, Amy (Elizabeth Lail, Once Upon a Time), a novata com cara de anjo e potencial final girl.

Neste cenário, eventos sinistros e visões constantes envolvendo Holyoke e o lago começarão a perturbar os monitores, situações que podem estar relacionadas com o passado da região e misteriosas figuras usando máscaras de palha com forma de animal. Quando um cervo tem seu coração arrancado e, em seguida, pessoas começam a desaparecer, o grupo tenta desvendar o que está acontecendo antes que as consequências se tornem mortais.

Verão Letal é uma realização dos mesmos criadores da série Once Upon a Time, Adam Horowitz e Edward Kitsis, que juntos com seu colega Ian Goldberg desenvolveram a série em 10 episódios para o canal Freeform, um braço do canal americano ABC, o mesmo que passou Lost (2004-2010). E Lost é uma referência constante para este trabalho de Horowitz e Kitsis, pois eles também foram roteiristas desta série e, para quem assistiu a meia dúzia de episódios, não há como ignorar o quanto Verão Letal usa elementos da sua irmã mais famosa, até na escolha de Elizabeth Mitchell, que ainda é mais conhecida por ter interpretado a Dra. Juliet em Lost.

A começar a própria estrutura dos episódios, cada um deles conta com vários flashbacks de um dos protagonistas que estão no acampamento Stillwater enquanto a trama de mistério ganha contornos e reviravoltas. Apesar de alguns terem seu background interessante e digno para desenvolvimento dos personagens, na maior parte das vezes estas “revelações” pouco tem a acrescentar na continuidade ou no esclarecimento do que acontece no acampamento, apenas gerando algumas alucinações relacionadas com o passado que tem poucas (ou nenhuma) consequência prática para fazer a história avançar.

Entrecortar a história com flashbacks também traz outro efeito colateral, que funcionava em Lost, mas aqui tem o efeito reverso. Em Lost o mistério da ilha estava intrinsecamente relacionado com o passado dos personagens e cada elemento pessoal acrescentava um tom mais intrigante para o todo. Numa trama típica de sobrenatural como em Verão Letal, cortar frequentemente as cenas de medo para mostrar cenas desnecessárias, só fazem o suspense desaparecer e a tensão se aliviar a níveis de absoluto tédio.

Não ajuda quando a própria série não sabe qual vertente cobrir e ao tentar juntar tudo, acaba ficando ainda mais confusa para o espectador… Pois vejam, a impressão que dá é que os produtores pegaram uma dúzia de elementos de filmes de terror dos anos 80 e tentaram costurar tudo numa colcha de retalhos de personagens estereotipados, situações simplistas e mudanças de regras conforme a conveniência do roteiro. Ou como classificar uma série que vende um terror de acampamento com evidências de um culto satânico, fantasmas, visões, demônios, um slasher, a cidade que esconde um segredo, entre outros? Uma bagunça!

Verão Letal também falha ao se situar na época em que se passa. Colocar um monte de carros e roupas dos anos 80 não faz parecer que a série se passa nos anos 80! A falha em imprimir a aura de obras imortais dos filmes de acampamento, como Sleepaway Camp e Sexta-feira 13, mesmo com ícones como Tony Todd (Candyman) no elenco e a vasta experiência de Mick Garris (Montado na Bala) dirigindo dois episódios e Steve Miner (Sexta-feira 13 partes II e III) no episódio final, faze perder a fantasia do que seria um de seus principais atrativos. Vou evocar novamente o nome de Stranger Things, que, para efeitos comparativos, foi também um primor de ambientação.

Todas estas situações podem fazer parecer que Verão Letal é ruim, mas não é exatamente o caso. O grande problema, ao meu ver, é que o conjunto de elenco, roteiro e atmosfera são tão cheio de elementos jogados, desinteressantes e sem personalidade que causam sonolência. Toda reviravolta é um clichê e todos os personagens são caricaturas. Com uma destacada exceção: o episódio 5, “How to Stay Alive in the Woods“, que tem Cricket como personagem foco. Este episódio em particular possui um excelente ritmo, boas consequências e um final impactante. Uma pena que o restante da série, especialmente os forçadíssimos dois últimos episódios, coloque quase tudo a perder. A série foi cancelada após sua primeira temporada e, francamente, não vai deixar saudades.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados. Contato: gabrielpaixao@bocadoinferno.com.br

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