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Lobisomens e vampiros em entrevista com as estrelas de Hemlock Grove

Famke Janssen, Maddie Brewer e Eli Roth vieram a São Paulo para divulgar a segunda temporada da série.

Hemlock Grove - SP (2014)

Produtor e atrizes tiveram uma conversa descontraída com a imprensa.

No último dia 20, Famke Janssen, Maddie Brewer e Eli Roth estiveram em São Paulo para divulgar a segunda temporada de Hemlock Grove, série original do Netflix. O Boca do Inferno foi convidado para participar das mesas-redondas com as atrizes e o produtor, e o resultado (com spoilers de Hemlock Grove e Orange is the New Black) você confere agora!

Famke Janssen

Hemlock Grove - Famke Janssen (2014)

Janssen interpreta Olivia Godfrey, a fria matriarca da família Godfrey e uma upir. A atriz falou sobre sua personagem, sua carreira, os filmes que dirigiu e pretende dirigir e a posição das mulheres em Hollywood.

A personalidade de Olivia mudou muito entre a primeira e a segunda temporadas de Hemlock Grove. Até mesmo as cores de suas roupas mostraram isso. O que você pode falar sobre a personagem?

Eu gosto da forma como Olivia se desenvolveu e como, talvez merecidamente, terminou em um saco para cadáveres no fim da primeira temporada. Na época ela parece fria e calculista, mas é possível que a Olivia da segunda temporada é a verdadeira e sua atitude anterior era apenas um mecanismo de defesa. É muito divertido interpretar um personagem racional, que nunca teve emoções antes, e agora, pela primeira vez que ela as experimenta, ela fica impressionada, sem saber como lidar com isso. Ainda assim, há momentos em que o lado má de Olivia reaparece. Talvez ela não consiga evitar.

O que você procura em um personagem? Você parece muito atraída por mulheres fortes e independentes.

Eu interpretei todo tipo de personagem nos cerca de 20 anos em que venho atuando. Mas acho que, olhando para mim, dificilmente alguém me contrataria para ser uma garota comum, uma dona de casa. Mas eu acabei de terminar um filme em que interpreto a mãe de uma criança autista. Ela ainda é forte, mas é um tipo de personagem bem diferente. É legal encontrar diferentes personagens e ver quais qualidades minhas posso acrescentar a eles, e há personagens como a Olivia, que não são nada como eu.

Parece que você sempre escolhe os projetos mais interessantes, nada que seja tedioso.

O primeiro papel grande que tive foi em Goldeneye, e era uma personagem tão ousada, e acho que isso deu o tom para tudo o que eu fiz depois, todo mundo pensou “ela pode ser meio louca, o que mais podemos oferecer”?

Mas isso é algo que você gosta de fazer?

Eu gosto. Faço vários filmes independentes, mas vocês provavelmente não os assistem por aqui.

Entre grandes projetos de Hollywood e filmes independentes, o que você procura em cada um?

Eu tento fazer ambos. Eu adoro fazer filmes independentes porque, normalmente, os personagens que interpreto são mais desafiadores, são diferentes dos que interpreto nos grandes estúdios. Eu gosto de apoiar cineastas independentes e gosto da natureza pequena desses filmes. Mas nos grandes filmes, como em X-Men, você tem todos esses eventos acontecendo ao seu redor, é espetacular. Então é legal equilibrar as duas coisas.

Depois de Goldeneye, você passou a selecionar os papéis que aceitaria para não ser encaixada em um rótulo específico. Por quanto tempo você teve que fazer isso?

Ainda faço, porque acho que Hollywood tende a rotular todo mundo. São decisões que você deve tomar de forma muito consciente. Nos grandes estúdios há um tipo específico de personagem que me chamam para interpretar. Em filmes independentes, eu faço algo bem diferente.

Que tipo de personagem você acha que os grandes estúdios veem para você?

Personagens fortes, sci-fi, alien, mulheres loucas, fênix (risos). Personagens maiores que a vida, talvez por eu ser tão alta.

O que você acha do formato Netflix, em que não há um piloto, toda a temporada é gravada de uma vez? Isso influencia seu trabalho?

Não é tão diferente de fazer um filme. Nós gravamos treze episódios na primeira temporada e dez na segunda, foram entre quatro e seis meses de filmagens, e fazer um filme leva mais ou menos o mesmo tempo. A única diferença é que em um filme você recebe o roteiro inteiro antecipadamente, você sabe exatamente o que está fazendo e grava uma hora e meia em seis meses, e nós gravamos treze horas nesse tempo. É muito mais rápido, e você não recebe o roteiro do episódio seguinte enquanto não terminar de filmar um episódio. Em termos de preparação não há diferença, é como se eu fizesse um filme de dez horas.

Outra diferença do Netflix é que não há tanta interferência de executivos. Isso afeta os atores durantes as filmagens?

Eu já estive em programas ou filmes em que havia mais interferência do estúdio, e eu sempre prefiro quando não é o caso. O artista deve ter liberdade para se expressar. É claro que não se pode fazer o que bem entender, há showrunners e produtores nos orientando, mas é um ambiente de trabalho mais calmo.

Como foi a experiência de dirigir seu primeiro filme? Isso é algo que você planeja fazer por muito tempo?

Sim. Há cerca de quinze anos eu fiz um curta que dirigi, produzi e, um grande erro, estrelei.

Por que?

Quando você está na sala de edição fica se vendo várias e várias vezes e tudo o que você quer fazer é te tirar das cenas. Não era bem o que eu queria fazer. Eu queria escrever, dirigir e produzir, mas estrelar meu próprio filme não foi tão interessante para mim. É mais difícil para mulheres, porque nós temos que passar muito tempo fazendo o cabelo e a maquiagem, longe do set. Então, quando eu dirigi meu longa metragem, não quis estrelar, quis estar todo o tempo no set e não perder tempo no trailer de maquiagem, me preocupando com o figurino e com o que quer que fosse que me mantivesse afastada do set. Essa foi uma das melhores e mais difíceis experiências que já tive, foi uma das experiências em que mais aprendi, foi difícil, desafiador, e eu aprendi porque também era produtora do filme. Aprendi que tempo é dinheiro, e isso nunca me deixou e levo a todo projeto de que participo. Em João e Maria: Caçadores de Bruxas, minha maquiagem levava quatro horas para ficar pronta, e eu me preocupava com o tempo e com a equipe estar me esperando para começar a gravar. A todo momento tínhamos que parar para consertar a maquiagem e eu ficava ansiosa o tempo todo, o que não é saudável. Então eu tive que começar a separar as coisas: quando estou atuando, levo o tempo que for necessário, diferente de quando estou produzindo ou dirigindo.

Você está otimista para uma terceira temporada de Hemlock Grove?

Tudo depende da história que eles criarem. Vocês puderam ver a grande diferença entre a primeira e a segunda temporadas, então qualquer coisa pode acontecer. Se os roteiros forem bons e nós tivermos uma boa equipe, então, sim, será ótimo.

Você disse que vai dirigir um segundo filme. O que você pode dizer sobre o projeto?

Eu estou adaptando um livro, é isso que quero fazer em seguida. Eu venho trabalhando nisso há algum tempo e o projeto está prestes a ser apresentado a produtores. É um processo longo, toma bastante tempo.

Que tipo de diretora é você?

Do tipo com que eu não gostaria de trabalhar (risos). Quando entro no set como atriz, gosto de fazer exatamente o que eu quero fazer. É meu personagem e são minhas ideias. Como diretora, eu já tenho tudo em mente porque sou uma controladora.

Você aprendeu algo novo sobre si com essa experiência?

Não, eu já sabia que era uma controladora… (risos)

Você disse que não usa redes sociais. Há alguma pressão para que você passe a usar essas mídias?

Até agora, não. Talvez, quando eu dirigir meu próximo filme eu fique desesperada o suficiente para abrir uma conta para promover o projeto, mas agora, não. Eu acho que há uma linha muito tênue entre se auto-promover e ser narcisista nas redes sociais, e eu não quero encorajar isso.

Na série, seu personagem não envelhece. Como você lida com a pressão de Hollywood sobre o envelhecimento?

Isso é algo que não afeta apenas Hollywood. Você estabelece um exemplo para as mulheres. Há muita pressão sobre as mulheres em nossa sociedade para que elas sejam bonitas, estejam em forma, saudáveis etc., e essa não é uma boa forma de viver. Para os homens é diferente, vocês não sentem essa pressão todo o tempo, não são tão julgados pela sociedade. Então não é algo saudável, e eu gostaria que houvesse uma forma de mudar isso. Como mulher, eu não sou guiada apenas pela forma como envelheço, bem ou mal, quantas cirurgias plásticas eu faço ou se alguém ainda me quer ou não em seus filmes por causa da minha aparência. É por isso que eu escrevo e dirijo. As mulheres têm muitas capacidades, não se deve focar apenas na nossa aparência.

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Silvana Perez

Silvana Perez

Escolheu alguns caminhos errados e acabou vindo parar na Boca do Inferno. Contato: [email protected]

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