Críticas, Televisão

Arquivo X (2016): 10×06: My Struggle II

Termina com um cliffhanger que deixa mais perguntas do que respostas, em um episódio atropelado por conta da curta duração da temporada!

Arquivo X (2016): 10×06: My Struggle II

Arquivo X (2016) (1)

Arquivo X
Original:The X-Files
Ano:2016•País:EUA
Direção:Chris Carter
Roteiro:Chris Carter
Produção:Chris Carter, Glen Morgan
Elenco:David Duchovny, Gillian Anderson, Mitch Pillegi, William B. Davis, Annabeth Gish, Mitch Pileggi, Joel McHale, Robbie Amell, Gardiner Millar, Rhys Darby, Kumail Nanjiani

Passou tão rápido que quase nem deu para perceber. O revival de Arquivo X, ou já considerado oficialmente como a décima temporada, contou apenas com seis episódios, encerrando sua curta exibição com a segunda parte de My Struggle, fechando o arco iniciado em seu primeiro episódio no final de janeiro.

Com sua exibição tão calculadamente efêmera, Chris Carter e todos os envolvidos conseguiram exatamente aquilo que queriam: prestaram uma deliciosa homenagem para o fandom da série, mantiveram basicamente a mesma estrutura narrativa das nove temporadas anteriores, mesclando episódios de uma trama conspiratória que serve como fio condutor, outros de procedural, outros com o Monstro da Semana, e alguns episódios carregados no senso de humor e auto-paródia.

E terminou da forma que Arquivo X sempre encerrou: com uma conspiração mirabolante, até difícil de engolir, em escala global que pode acabar com a vida na Terra, e só os agentes Mulder e Scully – dessa vez auxiliados pelos novatos Einstein e Miller, introduzidos no episódio anterior – têm a capacidade de frustrar os diabólicos planos do vilão megalomaníaco, que voltou a ser o Canceroso, óbvio. E, ah, com um cliffhanger de morder o punho, de deixar o espectador boquiaberto e puto, mas até aí, normal para quem acompanhou a série e já passou por coisas BEM parecidas.

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Outra grande verdade que não está tão lá fora, quem acompanha as desventuras de Mulder e Scully durante todos esses anos, é que, assim como as demais temporadas, os episódios escritos pelo próprio Chris Carter (tirando raras exceções), são sempre os mais meia-boca, enquanto Glen Morgan, James Wong, Darin Morgan e companhia limitada eram os responsáveis pelas melhores tramas.

A S10 não foi diferente, e apesar do “piloto” ter sido fantástico, atualizando as paranoias de Fox Mulder para o mundo moderno, o season finale deixou a peteca cair, por tentar entupir o episódio de um monte de informações e reviravoltas, e um sentimento de urgência de FIM DE MUNDO nem um pouco crível, afobado e atropelado, tudo isso em apenas 42 minutos! Muito da responsabilidade vem do fato do plot não ter sido explorado devidamente durante toda uma temporada regular, o que sempre foi uma das especialidades de Arquivo X: estender sua mitologia da conspiração durante 24 episódios, jogando informações aqui e ali e ligando os pontos entre os acontecimentos em uma escala gradativa.

De repente todo aquele plano de dominação global alienígena versão 2.0, arquitetado secretamente desde a queda de um OVNI em Roswell, Novo México, em 1947, começa a acontecer MUITO rápido. Uma pandemia global começa a atacar quase todas as pessoas do planeta Terra, por conta de um vírus espartano dormente em nossos organismos que passa a destruir nosso sistema imunológico. Essa infecção se deu por conta de outro elemento bem conhecido dos fãs da série: a inoculação pela vacinação contra a varíola.

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Após alguém ter apertado o “botão do juízo final”, alertado por Tad O’Malley em seu programa de Internet, os primeiros a apresentarem os sintomas são pessoas que trabalham em serviços públicos essenciais, como policiais, bombeiros, médicos e militares. Scully é a única não afetada pela epidemia, uma vez que ela possui DNA alienígena em seu genoma, por conta da experiência de abdução que teve anos atrás. Mas na real, tudo isso já fazia parte de outro plano friamente calculado pelo Canceroso.

Aliás, como ele está vivo? A ex-agente Monica Reyes (Annabeth Gish) é quem dá a letra para Scully, depois de ter largado o FBI e trabalhado para o crápula. Ele sobrevivera a explosão no, até então, último episódio da série e foi encontrado com severos ferimentos de queimadura, tendo seu rosto reconstituído – ao melhor estilo vilão de James Bond – muito parecido com o que acontecera com seu filho, o agente Jeffrey Spender, aka irmão de Mulder. Reyes também alerta Scully de que há uma cura e que está dentro dela.

Quanto ao Mulder, ele é levado de encontro ao Canceroso, que oferece mais uma vez uma barganha com o diabo, prometendo sua sobrevivência ao vírus, para que ele e Scully fiquem juntos e façam parte dessa nova ordem mundial que será construída a partir daquele momento. Mulder, incorruptível como sempre, defenestra o convite do facínora, é resgatado pelo agente Miller, onde se encontra com Scully em uma ponte, claríssima referência a outro episódio clássico, A Paciente X. Scully passa a entender a também urgente necessidade de encontrar seu filho, William, pois provavelmente, por possuir o mesmo DNA da mãe, também pode ser imune ao vírus espartano.

Só que tudo isso vai acontecendo de forma corrida, sem que o senso de urgência e de periculosidade da situação se faça presente de verdade, o Canceroso se mostra mais uma vez como o vilão mor da série, agora até com ares estéticos do Dr. Phibes, enquanto o destino da humanidade pende sob a balança, quando uma nave alienígena aparece sobre eles, iluminando o local, e daí o episódio acaba. Valeu hein, Chris Carter.

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A pergunta que fica é: e agora, José? Por enquanto, a série não foi renovada para uma 11ª temporada, mas parece um tanto óbvio que isso vá acontecer. Em entrevistas recentes, Carter afirmou que a FOX já demonstrou interesse, afinal os números de audiência dessa volta foram dos mais expressivos, mas contando que seja algo nessa linha, sem tanta pressão. Duchovny já teria dito ao criador que estaria dentro, e provavelmente Anderson também aceitaria. Ou o destino de Arquivo X pode ser um terceiro filme.

Esse retorno triunfal trouxe uma série de sentimentos para os velhos fãs, ébrios pela nostalgia do televisivo, por momentos de pura e simples homenagem, atualização de alguns medos e paranoias, e outros pontos que não agradaram pela falta de encaixe de alguns elementos ou simples forçada de barra. Mas manteve a fidelidade à sua proposta, e inclusive ao seu exagero sci-fi, e nos brindou com Duchovny e Anderson com uma química maior do que já haviam alcançado. A curta duração da temporada jogou contra, e My Struggle II foi a prova cabal disso.

Mas uma coisa é fato: se houver uma nova temporada, ou então um novo longa metragem, eu, e muita gente por aí, continuamos querendo acreditar.

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4 Comentários

  1. Rafael Medeiros

    Do jeito que ficou, e as escolhas foras as piores possíveis…..nem deveriam ter voltado com esta série.

  2. Álvaro Almir Godoy Alvarenga

    Como é bom não ser entendido no assunto. Eu gostei do episódio !!

  3. Esse Babylon foi o pior episódio até agora… Achei o retorno da série bem frustrante! Essa apresentação dos novos agentes foi constrangedora. Improvável que a série volte pra mais temporadas… E supostamente, pelo que eu entendi, esse seria o último episódio. Correto?

  4. Episódio perfeito!!! (o terceiro)

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