Críticas, Televisão

Doctor Who: The Return of Doctor Mysterio (2016)

O menos natalino dos especiais de Natal da série tem super-heróis e Peter Capaldi em grande forma

Original:Doctor Who: The Return of Doctor Mysterio
Ano:2016•País:UK
Direção:Edward Bazalgette
Roteiro:Steven Moffat
Produção:Peter Bennett
Elenco:Peter Capaldi, Matt Lucas, Justin Chatwin, Charity Wakefield, Tomiwa Edun, Aleksandar Jovanovic

Depois de uma temporada devastadora terminada em dezembro de 2015, Doctor Who tirou um período sabático em 2016. Culpa em parte do showrunner Steven Moffat, que resolveu priorizar o retorno a ação de outro sucesso da BBC, Sherlock – que por sinal estava em hiato por quase 2 anos, então como culpá-lo? Whovians do mundo estavam explorando outras galáxias sem o senhor do tempo, e ainda ficarão mais alguns meses já que a série volta só em abril de 2017 para sua temporada regular, mas para não passar o ano todo em branco, Moffat e a BBC colocaram no ar o tradicional especial de Natal de Doctor Who, o despretensioso The Return of Doctor Mysterio, o menos natalino de todos os especiais até hoje.

Curiosamente Doctor Who nos anos 60 no México era (e até hoje ainda é) exibido com o título “El Doctor Mysterio!“, que foi o condutor de inspiração para que Moffat escrevesse um roteiro que mistura invasão alienígena e super-heróis. Como muitos episódios da era moderna de Doctor Who, o episódio começa com uma interação entre o Doutor (Peter Capaldi) e uma criança próximo do Natal em Nova York. Grande fã de quadrinhos, o menino chamado Grant lhe coloca a alcunha de “Doutor Mistério” e o ajuda a terminar a montagem de um dispositivo anti-alienígena no topo do prédio onde ele mora.

Contudo a peça final do aparato, uma gema brilhante que concentra grande energia e tem o poder de conceder os desejos de seus detentores é confundida com um remédio pelo menino que a engole. Imediatamente poderes de super-heróis lhe são concedidos e com o tempo a pedra é fundida em seu DNA. Mesmo prometendo não utilizar seus poderes pelo perigo que eles podem provocar, a criança cresce e agora como adulto (Justin Chatwin) assume seu destino, tornando-se o vigilante mascarado “O Fantasma“, podendo voar, com super-força e visão de raio X.

Tentando conciliar uma vida dupla como babá da filha da jornalista e seu interesse amoroso Lucy Lombard (Charity Wakefield), que investiga a estranha história de um conglomerado de tecnologia chamado Harmony Shoal, que secretamente armazena cérebros em jarros dentro de um grande cofre, mas que na verdade se trata de um intrincado plano de invasão alienígena, onde estes órgãos – uma raça inteligente de outro planeta, – pretendem ser trocados pelos cérebros reais dos líderes do mundo, controlando-os e por eles o restante da raça humana. Surge novamente O Doutor acompanhado do atrapalhado Nardole (Matt Lucas) para impedir este plano e, de quebra, ajudar como cupido de Grant e Lucy.

Como faz muito tempo em que não tinhamos episódios inéditos de Doctor Who em exibição, faz sentido que depois de uma finale tão carregada de emoções e acontecimentos em “The Husbands of River Song” (que fecha laços abertos desde o início da era Moffat) a abordagem seja mais descontraída e deslocada da continuidade normal da série. Poucas referências são feitas ao estado psicológico do Doutor e nenhum evento deste especial deverá tão relevante que voltará a ser citado a partir de abril, ou seja, deve ser visto como um episódio “garrafa” (do tipo que começa e termina sem que precise entender eventos anteriores e posteriores). Com isto e com o teaser no final do episódio aparentemente os produtores dão a entender que haverá um soft-reboot da série no início do décimo ano, uma nova companion e uma nova reintrodução do Doutor para o público que não viu as 9 temporadas anteriores e começará a acompanhar a partir deste hiato.

O episódio em si tem uma estrutura um pouco confusa, já que o roteiro se divide em dois grandes blocos (a trama da invasão e a trama de Grant) que correm em paralelo e só interseccionam no começo e pelo final. Com as coisas pouco interligadas na maior parte do tempo parece que estamos vendo dois episódios de séries diferentes. Outra escolha inadequada é o retorno de Nardole como companion do Doutor neste episódio, não que seja exatamente ruim e Matt Lucas faz um bom trabalho, porém com um leque de tantos personagens marcantes que poderiam estar neste especial, Nardole não é exatamente o que os fãs esperariam depois de um ano.

É interessante notar que Peter Capaldi está cada vez mais à vontade no papel do Doutor e já tem minha simpatia como o melhor Doutor da era moderna, sua capacidade de ser ameaçador e fazer rir em doses iguais não é superada por qualquer de seus antecessores. Os efeitos especiais também são excelentes (considerado o baixo orçamento que um show para a televisão tem) e, por algum motivo, uma piada besta sobre Pokemons no meio do episódio fundiu dois dos meus neurônios e comecei a rir sem controle.

Como podem perceber, não há muito de Natal no especial de Natal, mas isto pouco importa. Se não é o melhor episódio de todos os tempos, e nem todos eles precisam ser, The Return of Doctor Mysterio traz o lado leve e divertido de Doctor Who em grande estilo: uma história simples que entretém (as homenagens explícitas a Superman e seus criadores são um bônus), bons diálogos, o ritmo cadenciado e a Tardis ressonando mais uma vez pelo espaço. É um bom aperitivo para a volta definitiva do Doutor Mysterio em abril.

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1 Comentário

  1. Erica

    Eu já estava morrendo de sdds! Achei o episódio fraco, mas é melhor que nenhum. Capaldi tbm me ganhou, mas ainda estou entre ele e o Tennant.

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