Críticas, Televisão

Ash vs Evil Dead – 1ª Temporada (2015)

O retorno de Bruce Campbell ao seu mais consagrado papel é um tiro de boomstick de diversão e violência.

 

Ash Vs Evil Dead
Original:Ash Vs Evil Dead
Ano:2015•País:EUA
Direção:Sam Raimi, Michael J. Bassett, David Frazee, Michael Hurst, Tony Tilse, Rick Jacobson
Roteiro:Sam Raimi, Ivan Raimi, Tom Spezialy, Dominic Dierkes, Sean Clements, James E. Eagan, Zoe Green, Nate Crocker, Michael J. Bassett, Rob Wright, Craig DiGregorio
Produção:Aaron Lam, Sean Clements, Sam Raimi, Rob Tapert, Bruce Campbell
Elenco:Bruce Campbell, Ray Santiago, Dana DeLorenzo, Jill Marie Jones, Lucy Lawless, Samara Weaving, Indiana Evans, Ido Drent

Quando participava de convenções nos Estados Unidos em uma época bem próxima do lançamento do remake de The Evil Dead (2013), o astro Bruce Campbell (ainda atuando na série Burn Notice) dizia em tom de brincadeira que seria besteira ele voltar a fazer o papel de Ash Williams devido a sua idade avançada demais para sair correndo atirando em deadites. Mas o mundo dá voltas e após diversas especulações sobre a possibilidade de um Evil Dead 4, sequência direta dos originais oitentistas, ou uma continuação do remake com a participação de Ash, eis que foi revelado um “projeto secreto” encabeçado pela trupe do filme original: Uma série de televisão para o canal Starz.

O público não poderia estar mais interessado: não somente Bruce estaria no papel pelo qual ficou mundialmente famoso, mas também haveria o envolvimento de Robert Tapert como produtor executivo, Joseph LoDuca como compositor da trilha e os irmãos Ivan Raimi e Sam Raimi na produção, sendo que Sam ainda dirigiria o piloto do seriado. O formato também seria inovador com somente 10 episódios de 30 minutos cada, uma duração que era renegada somente às populares sitcoms.

Eis que na apropriada data do Halloween de 2015 estreava “El Jefe“, primeiro episódio, e neste momento todo hype foi justificado. Nas mãos do próprio Raimi, aquele episódio foi a destilação da nostalgia e das expectativas superadas em sua forma mais pura, uma obra prima para os fãs da franquia que poderia ser exibida no Louvre, se fosse um quadro.

No roteiro, trinta anos se passaram desde a batalha de Ash contra os Deadites, mas o tempo não mudou suas maneiras: ele ainda continua trabalhando em uma loja de departamentos, sendo mulherengo em bares imundos e usando drogas como diversão. Seu espírito irresponsável o faz ler mais uma vez as palavras malignas do Necronomicon enquanto está chapado de maconha junto com uma jovem emo prostituta. O evento liberta todo o mal contido no livro mais uma vez, possuindo os vivos e propagando a morte e a destruição.

Em outro lugar da cidade, a detetive Amanda Fisher (Jill Marie Jones) investiga um distúrbio em uma casa abandonada e encontra a prostituta possuída pelo demônio que acaba atacando seu parceiro policial. Depois de ter que matar a mulher e, posteriormente, seu parceiro que também fica possuído, ela encontra a misteriosa Ruby Knowby (Lucy Lawless, a Xena, lembra?), que parece estar ciente demais dos horrores que Amanda acabou de testemunhar.

No meio do furacão, Ash percebe o que fez e está prestes a dar no pé, mas ele é interrompido por seus colegas de trabalho Pablo (Ray Santiago) e Kelly (Dana DeLorenzo), que percebem o tamanho da culpa de Ash, forçando-o a assumir novamente o relutante papel de exterminador de deadites, de posse de sua motosserra de punho e seu boomstick.

Com intensidade e violência extrema, o sangue jorra neste piloto como nunca antes em um seriado americano. Parecem que todos estão se divertindo muito em voltar e esta impressão transborda pela tela, com referências aos três filmes exibidas a torto e a direito (embora Raimi não tenha conseguido os direitos sobre Army of Darkness, por algum motivo), sem, contudo, deixar de ser contemporâneo. O formato de meia-hora se mostrou adequado e eliminou a necessidade de contar histórias paralelas que não serviriam a qualquer propósito a não ser matar o tempo. O piloto é, em uma palavra, irretocável.

Nos episódios seguintes a história prossegue com o trio formado por Ash, Ruby e Kelly vagando pelo país procurando formas de prender novamente os deadites no Necronomicon enquanto Ruby, e sua agenda oculta, acompanham Amanda em perseguição ao grupo, uma vez que a detetive acha que Ash é um psicopata assassino que precisa ser detido. O problema não está exatamente no fato de que a sequência de episódios não apresentam a mesma energia do primeiro (seria insano pensar o contrário), mas parece que a produção não soube lidar muito bem com a falta de histórias paralelas e mesmo o sistema de episódios de meia-hora começou a mostrar repetição e poucos eventos relevantes em determinado momento.

Rodando sobre esta mesma premissa em uma espiral, as coisas se tornam muito morosas e isolando algumas cenas mais impactantes, o marasmo quase toma conta da série até que ela volta a ter força novamente com a introdução de outro personagem importantíssimo da franquia The Evil Dead: a própria cabana onde os eventos dos dois primeiros filmes acontecem. Sem entregar spoilers, é lá onde que a série se encontra novamente seu rumo e assim segue até o final, que se não é um primor, ao menos mantém a coerência dos personagens (especialmente Ash) com suas atitudes… No término desta grande jornada, Ash demonstra que não aprendeu nada, continua o mesmo egoísta de bom coração que só queria beber e curtir em Jacksonville, o que abre as portas para a segunda temporada lançada no ano seguinte.

No fim das contas, mesmo com problemas, a primeira temporada de Ash vs. The Evil Dead cumpre seu objetivo com louvor e tira de letra as preocupações antes do lançamento, atualizando tudo o que os filmes tem de bom para os dias atuais, porém mantendo sua alma intacta, coisa que não conseguiu ser emulada pelo remake de 2013. É possível ver o coração de Raimi no projeto; a química entre os protagonistas jovens e o elenco veterano é excelente e o cuidado com os detalhes… É a volta de Evil Dead do jeito que qualquer fã gostaria de ver.

 

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1 Comentário

  1. Antonio

    Que legal! Ler a (ótima) resenha me trouxe exatamente o que foi discorrido: uma sensação de nostalgia contagiante. Esperarei ansioso pela disponibilização aqui no Brasil.

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