Críticas, Televisão

13 Reasons Why (2017)

Não é uma série de terror, mas trata de um assunto tenso, numa narrativa que é construída a partir de violências cotidianas e que podem culminar em morte

13 Reasons Why
Original:13 Reasons Why
Ano:2017•País:EUA
Direção:Kyle Patrick Alvarez, Gregg Araki, Carl Franklin, Tom McCarthy, Helen Shaver, Jessica Yu
Roteiro:Jay Asher, Brian Yorkey
Produção:Elizabeth Benjamin, Kim M. Cybulski, Steve Golin, Selena Gomez, Thomas Higgins, Joe Incaprera
Elenco:Katherine Langford, Dylan Minnette, Alisha Boe, Brandon Flynn, Christian Navarro, Miles Heizer, Devin Druid,Ross Butler, Derek Luke,Michele Selene Ang, Ajiona Alexus,Justin Prentice, Kate Walsh

A nova série teen dark do Netflix está gerando muitas polêmicas e alavancando debates sobre bullying, preconceito, machismo e, o tema principal, o que leva uma adolescente a cometer suicídio. Vamos começar já esclarecendo que 13 Reasons Why não é uma série de terror, nem suspense, mas trata de um assunto tenso, numa narrativa que é construída a partir de violências cotidianas e que podem culminar em morte.

A trama segue o adolescente Clay Jensen (Dylan Minnette), que num dia ao voltar da escola recebe uma caixa com sete fitas cassete e um mapa. Quando escuta a primeira fita, descobre que são gravações da colega de high school Hannah Baker (Katherine Langford) narrando os motivos pelos quais ela se suicidou há algumas semanas. A garota gravou 13 lados de fitas, onde cada um representa uma pessoa e o que ela fez para estar nesta lista de culpados. O mapa aponta locais onde as situações ocorreram, e ela pede que se faça uma espécie de corrente: ao receber a caixa deve-se ouvir todas as fitas e passar para o próximo da lista, caso isso não aconteça, uma cópia de segurança virá a público.

A partir do momento em que começa a ouvir, Clay acaba se envolvendo muito nessa trama, buscando uma espécie de vingança, ou apontar dedos para o que as pessoas fizeram com a garota, ao mesmo tempo em que é cercado por uma culpa ao saber que seu nome também aparecerá em algum momento, sendo também responsável pelo que aconteceu.

A produção é uma adaptação do livro Os 13 Porquês, do autor americano Jay Asher, que também está participando da adaptação do roteiro para a Netflix.

A série tem divido opiniões, alguns acham que ela é maravilhosa e traz à tona um debate importante; existe o time que acredita que ela é estereotipada e cheia de preconceitos e outros que a classificam como ‘ok’. Esse é o meu caso.

13 Reasons Why apresenta alguns problemas realmente. O primeiro deles é o fato das personagens femininas serem fracas; não é possível se simpatizar com nenhuma delas, a não ser a própria Hannah. Enquanto isso, alguns dos rapazes (dois, especificamente) tem sua redenção no longo dos episódios, com uma espécie de arrependimento pelo ocorrido. A solução aqui seria simples, apenas trocar um desses personagens masculinos por um feminino e equilibrar essas questões na produção, afinal o Clay já é muito garoto do ano, dava para trabalhar com uma garota aí também, bobearam.

E podem dizer o que quiserem, mas a série é longa, perde o folego no meio do caminho e volta com um final chocante para segurar o público. Mas, sinceramente, vamos torcer para ficar apenas com essa temporada, pois não existe gás para uma nova, já que mal o teve para a primeira. Acho que talvez a adaptação tivesse um resultado melhor se viesse como filme.

Última reclamação, prometo. Galera, 2017 né, maquiagem e jogos de imagens rolando solta nas melhores qualidades – sério que o cabelo curto da Hannah virou aquela peruca torta e flutuante? Parece um cabelo de lego, não dá! E, toda vez que as imagens vão ter a Hannah, ou seja o passado, elas ficam amareladas, num tom mais feliz em contraponto com o tom acinzentado do presente. Isso já era suficiente produção! Não precisa fazer o Clay ter uma gangrena na testa, e quando a bagaça está cicatrizando fazer outro personagem jogar uma pedra ali para não melhorar nunca. A gente já consegue diferenciar o passado do presente só com as cores das imagens, não nos subestime. E não venham com a de que “a ferida estava ali por que ele estava machucado com a morte da amiga, é um símbolo de que ainda não cicatrizou…” não galera, não! As atitudes dele já poderiam dizer isso, não precisa de um curativo podre na testa.

Agora vamos as defesas. Algumas personagens vem recebendo críticas negativas por seus posicionamentos no decorrer da trama, ou pelo modo de agir, demarcando atitudes muitas vezes preconceituosas e as mantendo até mesmo depois do suicídio da protagonista. Entretanto, essas atitudes são compreensíveis para a veracidade da narrativa, pois você não pode esperar que magicamente com a morte de Hannah as pessoas que fizeram bullying ou a agrediram mudem radicalmente e comecem a agir de formas fofas e maravilhosas. Elas são as razões ainda, você não deve se simpatizar com elas em nenhum momento, esse é o caminho que a trama adota e acredito fazer sentido.

Além disso, esse elenco meio desconhecido, tem um grande peso. Boas atuações e naturalidade das personagens são um ponto alto da série. E também, a própria direção merece seus parabéns, com jogos de cores nas imagens e um clima de suspense trabalhado a partir das descobertas do Clay, que culminam no ato final de suicídio. A construção dessa narrativa é tão bem estruturada ao seguir o olhar desse personagem, apresentando as descobertas com ele, que você fica com uma esperança de que aconteça um plot twist e a garota esteja viva no final.

A forma como Hannah se suicida é alterada. No livro ela tem uma overdose por medicamentos e na série corta os pulsos na banheira (isso já é revelado logo de início, então não é nenhum spoiler). Essa foi uma decisão acertada da produção, deixou o ato um pouco mais violento/agressivo e difícil de ser digerido, não permitindo a naturalização do suicídio em decorrência dos acontecimentos tidos até ali.

Resumindo então, 13 Reasons Why é uma série polêmica por seu assunto, não é fácil tratar dessa temática para adolescentes, mas até que fizeram um bom trabalho. Tem seus deslizes com algumas personagens e uma certa enrolação na narrativa, mas prende o espectador e te faz questionar sobre muitas coisas, deixando uma sensação amarga no final.  Mas, não tem folego para pretensas futuras temporadas – fica a dica Netflix.

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4 Comentários

  1. Boa noite mano eu sempre quis saber tudo sobre o Grande Arquiteto do universo porque eu tenho um desejo de conhecer pecoalmente, Quando lembro de lucifersatanasgbl meu coração se alegra e como se fosse meu maior amigo meu coração meu sangue mel espírito filho de lucifersatanasgbl eu quero agradecer ao meu senhor pela proteção que me deste até hoje eu meu sonho é melhorar de vida e poder ser um elo importante para lucifersatamgadu G:.A:.D:.U:.Assim seja

  2. marcella

    Adorei o texto. Apesar de a bastante tempo ter deixado de ser adolescente,ainda assim a serie me prendeu, faz uma reflexao sobre suicido e bullyng. Ps: o cabelo curto da hanna e peruca?espero que sim.

  3. Orli Santos

    Para quem achou a série “Ok” escreveu um baita textão Luana!
    A série é piegas e quer pegar pelo emocional. Exemplos: o final é diferente do livro; personagens estereotipados; músicas depressivas( qual jovem hoje escuta Joy Division, Jesus And Mary Chain ou Echo & The Bunnymen?); enredo clichê. O tema é importante mas a forma chama mais atenção que o conteúdo. O sucesso é fácil de explicar. Como disse Stephen King em Sombras da Noite: Todos gostam de parar e dar uma olhada no acidente.

  4. Murilo

    Parabens por comentar essa serie aqui apesar de não estar envolvido no mundo fantástico e de terror, tem uma abordagem importante de ser refletida e bom saber que o boca tem mente aberta para coisas assim cada dia mais voces estão melhores
    Abraços

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