Pânico 4 – A novela apenas começou…

Durante este mês de julho, alguns dos principais portais de notícias do Brasil, como o Terra, o Yahoo e o nosso Boca do Inferno, publicaram informações de que, através de um comunicado oficial, a Dimension Films e a Weinstein Company pretendem sim produzir um novo filme da série Pânico (Scream. 1996). Tal película está sendo provisoriamente chamada de Pânico 4.

Pânico 4 (1)

A notícia referente a um quarto episódio da famosa série criada por Wes Craven em 1996 não é nova. Na verdade, logo após o lançamento de Pânico 3 (Scream 3, 2000), que se fala de um novo capítulo para a franquia. Claro, desta vez temos um “comunicado oficial” das produtoras, mas até que tal projeto seja concluído, muita coisa pode acontecer, inclusive o cancelamento do mesmo.

Visto hoje, é fácil entender porque Pânico, quando foi lançado, virou sucesso de público e crítica. A trama simples mostra um misterioso assassino que persegue a jovem Sidney Prescott (Neve Campbell). O suspense bem construído, no qual a maioria dos personagens poderia morrer ou ser o assassino, agradou a todos. A época na qual o filme foi lançado também ajudou para uma maior aceitação do público, já que o começo da década de 90, salvo raras exceções, apenas produzia sequências de obras dos anos 80.

Pânico (1996) (8)

Mas o que parecia, em 1996, uma receita mágica de sucesso não durou muito. Com o lançamento de Pânico 3, público e crítica pareciam não terem mais interesse em desvendar os mistérios e adivinhar quem era o assassino. A fórmula parecia desgastada e a maioria dos roteiros contava as mesmas tramas, mas com os nomes dos personagens diferentes. Como resposta, o cinema de terror e suspense logo desenvolveu outros formatos de ganhar dinheiro.

Por este motivo, após a “notícia oficial” da produção de um Pânico 4, talvez alguns fãs tenham se perguntado se tal filme deveria mesmo ser realizado. Afinal, 12 anos depois, o que poderíamos esperar de uma parte 4 do assassino mascarado? Qualquer possibilidade de roteiro publicada neste artigo é meramente opinativa e não condiz com o que venha a ser o filme, até porque o mesmo ainda nem está na fase de pré-produção.

TRAMA

De acordo com o “anúncio oficial”, as produtoras querem dar um novo rumo para a série. Qual seria este novo caminho? Vamos voltar no tempo e relembrar que Pânico 3 terminou tendo como sobreviventes principais o já tradicional trio formado por Sidney, o policial Dewey (David Arquete) e a repórter Gale Weathers (Courteney Cox), além do detetive Mark Kincaid (Patrick Dempsey), que só deu as caras neste até então último filme.

Pânico 3 (2000)
Pânico 3 (2000)

Por mais que possa parecer óbvio, o retorno de Sidney em uma nova trama não está garantido. A atriz Neve Campbell já declarou, em diversas entrevistas, que não tem interesse em retornar para um Pânico 4. Ela inclusive defende que a sua personagem, caso fosse uma pessoa real, já deveria estar internada em um hospício depois de tudo pelo qual passou. No entanto, recentemente a atriz passou a explicar que até concordaria em participar de um novo filme, mas desde que Sidney fosse a primeira a morrer.

Pode parecer algo ousado, mas nada que já não tenha sido mostrado antes. Basta lembrar de Sexta-feira 13 – Parte 2 (Friday The 13th Part 2, 1981), O Albergue 2 (The Hostel Part 2, 2007), além do brilhante prólogo com Jamie Lee Curtis em Halloween: Ressurreição (Halloween: Ressurrection, 2002). De uma forma ou de outra, pode ser que a trama principal de Pânico 4 não gire em torno de Sidney.

Mas isso não significa que poderemos ter apenas novos rostos na franquia já que o ator David Arquette já cansou de afirmar que voltaria a participar deste projeto. Com Dewey na trama, é bem possível que a repórter Gale também marque presença na película. Já o detetive Kincaid, este dificilmente deve ser lembrado.

Pânico 3 (2000) (3)

De qualquer forma, ainda existe a possibilidade dos produtores decidirem zerar a série, o que deixaria a trama de Sidney e amigos apenas como uma lenda urbana. Desta forma, seriamos apresentados a novos personagens e teríamos algo mais parecido com um remake do que com uma sequência. Alguém lembra de Eu Sempre Vou Saber O Que Vocês Fizeram no Verão Passado (I´ll Always Know What You Did Last Summer, 2006)?

ROTEIRO

Encontrar um roteiro decente talvez seja a maior dificuldade dos futuros produtores, afinal trazer Sidney de volta apenas para que os coadjuvantes sejam assassinados e ela termine a trama bem seria repetir a história que todos já conhecem. Os roteiristas poderiam radicalizar e transformar Sidney em assassina, o que seria sim uma guinada interessante para a série. E os motivos para que a mocinha vire vilã? Ela enlouqueceu após tantos assassinatos e acabou não conseguindo mais viver sem o clima dos homicídios. Exagero? Pode ser, mas basta o roteiro ter um psiquiatra que no final da trama fale algum diagnóstico para convencer o público.

Com relação à pessoa que irá criar toda essa história, esse resposta também é um mistério. Kevin Williamson, que escreveu o roteiro do original, assim como praticamente a grande parte dos filmes derivados de Pânico, raramente fala sobre um novo capítulo. Já Wes Craven, que além da Parte 1, também dirigiu as duas sequências, costuma declarar, em entrevistas, que tem interesse de seguir com os filmes da série.

No entanto, ter o nome de Craven na produção pode ser uma faca com duas pontas. O cidadão tem um nome respeitado entre os diretores do gênero, mas a filmografia dele é bem irregular. Basta lembrar de sucessos como Quadrilha de Sádicos (The Hills Have Eyes, 1977), o primeiro A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984) e O Novo Pesadelo (Wes Craven´s New Nightmare, 1994). Mas para quem não se recorda, as bombas Quadrilha de Sádicos 2 (The Hills Have Eyes 2, 1985), Shocker (1989) e Amaldiçoados (Cursed, 2005) também são dele.

ESTILO

Quando o primeiro filme foi lançado, o estilo “quem é o assassino” virou moda e passou a ser seguido nas produções dos anos seguintes. E não bastava apenas descobrir quem era o vilão, mas sim entender os motivos que o fizeram matar todo o elenco. Além deste mistério, Pânico trabalhou, de forma criativa, com os clichês do gênero e acabou, infelizmente, potencializando os mesmos.

Foi em Pânico que os truques de edição e de enquadramento foram utilizados de forma a provocar o chamado “susto fácil”. Trata-se de quando um efeito sonoro, ou de edição, é utilizado para criar momentos de suspense. Esse artifício é bem antigo e ainda hoje é usado, mas foi na fase da então trilogia Pânico, que tal técnica passou a ser feita de forma mais exagerada. Uma janela batia e parecia que a casa toda estava desabando.

Hoje, o cinema de suspense e terror passou a incorporar outros elementos que parecem agradar mais aos fãs destes gêneros. Por exemplo, quando os filmes de terror asiáticos ganharam o mundo, no final dos anos 90, o público e a crítica começaram a aprovar as tramas mais simples, com menos sangue e mais situações de medo. Uma Sadako saindo de dentro da televisão mexe mais com os nervos da plateia do que 20 assassinos de Pânico juntos.

Nestes novos filmes, os psicopatas barulhentos deram lugar para fantasmas silenciosos. O resultado? Hollywood comprou os direitos dos principais trabalhos orientais e passou a refilmar os mesmos. Mas não significa que os fãs do gênero esqueceram dos cruéis assassinos humanos. Basta observar a febre Jogos Mortais (Saw, 2004), que gerou uma série de filmes semelhantes. A diferença é que a trama de Jigsaw investe em violência e cenas de forte impacto visual, enquanto os assassinatos de Pânico são bem mais leves.

FUTURO

Agora só resta uma coisa para os fãs da série. Esperar… Enquanto isso, principalmente quando começar a fase de pré-produção do filme, uma série de notícias e fofocas envolvendo elenco, trama, filmagens, diretor, final e até um Pânico 5, serão divulgadas pela mídia até que Pânico 4 fique pronto. Desta forma, quem viver, verá.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista formado e Doutor em Comunicação. Fã de filmes de terror, pesquisa academicamente o gênero desde 2006. Autor dos livros Fronteiras do Medo e A Aceleração do Medo e co-autor do livro Medo de Palhaço.

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