Junk (2000)

OUTROS FILMES DE ZUMBIS INÉDITOS NO BRASIL

Sabe, ser proprietário de uma distribuidora de filmes no Brasil deve ser um trabalho muito estafante. Afinal, você tem tantos filmes bons e baratos, como Python 2, Octopus 2, Nunca Brinque com os Mortos ou Pânico no Mato 5 para mandar pras locadoras, e uns manés sempre vêm te pedir para lançar filmes do arco-da-velha… Hehehehe. Claro que eu estou ironizando.

Na verdade, eu espero sinceramente que algum funcionário de distribuidora nacional esteja lendo este artigo (a esperança é a última que morre). Pois justamente para estes seres humanos medíocres, que só lançam porcarias nas nossas locadoras, eu preparei esta lista de mão beijada, com 9 filmes de mortos-vivos INÉDITOS no Brasil (isso que alguns têm lá seus 25 anos de idade, já). São títulos que, se lançados no país, onde uma multidão de fãs espera fervorosamente por eles, com certeza se tornarão sucessos de vendas e locações.

Então, se você trabalha ou é proprietário de uma distribuidora, pare de ser um idiota completo e lance algum filme (ou todos) da lista abaixo imediatamente, e prepare-se para encher o ** de grana (depois, me contento com 5% dos lucros):

ZOMBIE (idem, 1979, Itália). Direção: Lucio Fulci
Já falei até demais sobre o crime que é este clássico do gênero permanecer inédito no país, então vamos deixar para lá. Mas que é vergonhoso, isso é. Bem que alguma distribuidora podia aproveitar e comprar os direitos sobre a EXCELENTE (assim mesmo, em letras maíusculas) edição de aniversário de 25 anos do filme, lançada há pouco tempo nos Estados Unidos, que vem em disco duplo, um deles só com entrevistas e documentários mostrando os envolvidos na produção. Aliás, esta edição é tão boa que vou repetir o elogio: EXCELENTE!!!!!!!!!! Ela ainda traz o filme completamente restaurado, incluindo alguns frames que tinham desaparecido misteriosamente em todas as outras edições lançadas em VHS e DVD.

Zombie (79)

PREMUTOS: THE FALLEN ANGEL (Premutos – Der Gefallene Engel, 1997, Alemanha). Direção: Olaf Ittenbach
O diretor amador alemão Ittenbach, que faz seus filmes em vídeo e é o queridinho dos fãs de cinema independente, é o responsável por este filme de zumbis, que está entre os mais sangrentos de todos os tempos. Dois filmes mais fracos do diretor foram lançados por aqui (Legião dos Mortos e Lua Sangrenta), mas este, que realmente vale a pena, ficou de fora do pacote (vai entender…)! O roteiro enfoca Premutos, o primeiro anjo caído, superior até ao próprio diabo na hierarquia infernal. Nos tempos atuais, um jovem babaca (o próprio diretor) começa a ter alucinações onde se vê como o filho de Premutos. Ao encontrar um velho livro pertencente à sua família, ele desperta uma velha maldição e se transforma em um monstro, que lidera um ataque de mortos-vivos à cidade. Premutos tem todo tipo de bizarria, humor negro e cena grostesca de violência, num festival de sangue e morte raras vezes igualado nos últimos anos.

Premutos (1997)

WILD ZERO (idem, 2000, Japão). Direção: Tetsuro Takeuchi
O diretor Takeuchi é um diretor de videoclips e candidato nipônico a ser o “novo George A. Romero“. Este filme, regado a sangue e rock-and-roll, parece uma espécie de versão hardcore do velho A Volta dos Mortos-Vivos. Ainda não vi, mas tenho boas referências. Conta a história de Ace, um roqueiro que salva a vida do seu músico preferido, o famoso Guitar Wolf. O rockstar, em retribuição, presenteia Ace com o poder mágico de chamá-lo sempre que precisar. E é claro que ele vai precisar, porque uma espaçonave alienígena acabou de cair em uma cidade próxima, transformando todos os seus habitantes em zumbis. Assim, Ace, Guitar Wolf e seus amigos saem despachando zumbis para salvar a própria pele.

Wild Zero (2000)

NIGHTMARE CITY (Incubo sulla Città Contaminata, 1980, Itália). Direção: Umberto Lenzi
Um excelente filme de ação/terror que foi bastante copiado pelo recente Extermínio, de Danny Boyle (não sei se Boyle viu o filme de Lenzi, mas que ambos têm muito em comum, inclusive um padre zumbi, isso tem!). Neste filme, os zumbis são humanos contaminados por radiação, que se transformam num tipo de mortos-vivos super rápidos e ágeis, que não só mordem como usam facas, machados e metralhadoras para dizimar o elenco humano. Provavelmente, foi um dos primeiros filmes onde os mortos correm. Devido à contaminação, eles precisam beber sangue fresco de seres humanos, e os infectados voltam à vida como mais zumbis. Praticamente não há roteiro, apenas um festival de encontros de humanos com zumbis, sempre com efeitos bem sangrentos (cabeças partidas a machadadas, seios arrancados a facadas, olhos furados com espetos, tudo em superclose). Mesmo com a produção pobre, um filme altamente recomendado.

Nightmare City (1980)

ZOMBIE 3 (Zombi 3, 1988, Itália). Direção: Bruno Mattei e Lucio Fulci
Tudo bem, este está aqui mais como piada, considerando que a direção de 80% do filme é do péssimo Bruno Mattei, com roteiro do igualmente péssimo Claudio Fragasso. Mesmo assim, vale como comédia de humor negro. É sobre um soro criado pelo Exército para ressuscitar os mortos, que acaba sendo roubado por terroristas, espalhando a contaminação pela cidade. Entra em cena o “exército do extermínio”, ou seja, um grupo de soldados com roupa branca anti-contaminação, que varre o local matando zumbis e humanos também. No meio deste inferno, os sobreviventes tentam escapar de zumbis e soldados. Uma bobagem, onde os zumbis ora correm, ora andam devagar; ora mordem, ora lutam karatê (e ainda ficam escondidos para pegar as vítimas de surpresa!). Este é o filme que tem a infame cena da cabeça decepada zumbi voando da geladeira para abocanhar um mané!

Zombie 3 (1988) (1)

ZOMBIE HOLOCAUST (idem, 1980, Itália). Direção: Mario Girolami
Um dos filmes mais violentos do período, misturando referências ao Zombie, de Fulci, e aos filmes de canibais, tipo Cannibal Holocaust, de Ruggero Deodato. Mostra um cientista louco que vive em uma ilha habitada por canibais, onde faz experiências com os nativos em busca de uma fórmula para ressuscitar os mortos. Acaba criando um exército de zumbis, que trata de dizimar o elenco humano (pelo menos aqueles que escapam de serem mortos pelos canibais!). O filme tem vários efeitos do mais puro gore, inclusive uma cabeça moída em close pela hélice de um barco a motor! E até o herói é chupado de Zombie, sendo interpretado pelo mesmo Ian McCulloch do filme de Fulci.

Zombie Holocaust (1980)

VERSUS (idem, 2000, Japão). Direção: Ryuhei Kitamura
Um dos mais respeitados filmes de mortos-vivos da safra recente, feito, claro, no Japão. O roteiro é uma viagem: aparentemente, existem no mundo 666 (sentiu o drama?) portais que ligam nosso mundo terreno ao mundo sobrenatural. Um deles, o de número 444, está localizado no Japão, e é a “Floresta da Ressurreição“. Nesta floresta, um grupo de fugitivos da cadeia se encontra com uma quadrilha de gângsters. Após uma breve discussão, um deles é morto a tiros e volta como zumbi. Então os pobres coitados descobrem os poderes da floresta… e vão se arrepender de ter enterrado lá vários dos seus rivais mortos, que voltam transformados num batalhão de mortos-vivos. Absurdamente violento e bem-humorado, este é outro filme na linha Junk: impossível de levar a sério, mas verdadeiramente divertido para os fãs do gênero.

Versus (2000)

ZOMBIE LAKE (Lac des Morts Vivants, 1981, França). Direção: Jean Rollin
Este filme deveria ter sido dirigido pelo lendário Jess Franco, mas ele simplesmente pulou fora e os produtores foram obrigados a implorar para Rollin assumir a direção. Trata-se de um horror à antiga, de certa forma plagiando o Zombie de Fulci, e que se passa num pequeno povoado francês, onde um monte de soldados alemães foram mortos traiçoeiramente pela Resistência, dentro de um lago, durante a Segunda Guerra Mundial. Nos tempos “atuais“, zumbis nazistas ressuscitam e saem do fundo do lago, matando quem vêem pela frente. A maquiagem dos zumbis é fraca (pessoas com a cara pintada de azul ou verde, como nos filmes de Romero). Mas há um bom clima de horror e suspense, além da tradicional violência e nudez gratuitas.

O Lago dos Zumbis (1981)
Os Zumbis verdes de Jean Rollin e Jesus Franco

BIOZOMBIE (idem, 1998, Japão). Direção: Wilson Yip
Outro filme japa que na Internet é bastante elogiado. Trata-se de uma espécie de paródia ao clássico Dawn of the Dead, onde uma bebida repleta de componentes químicos transforma pessoas em sanguinários zumbis. Um homem infectado pela fórmula é atropelado por dois jovens, que resolvem levá-lo até o shopping-center onde trabalham. Lá, óbvio, o cara se transforma em zumbi e espalha a contaminação, forçando um grupo de funcionários do local a tentar sobreviver à epidemia dos mortos-vivos. Sangreira desatada e humor negro a rodo fizeram deste filme uma espécie de clássico para a nova geração de fãs de zumbis (que, infelizmente, precisam se contentar com porcarias como House of the Dead).

Biozombie (1998)

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

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