Lenda Urbana 3: A Vingança de Mary (2005)

Lenda Urbana 3 (2005) (2)

Lenda Urbana 3 - A Vingança de Mary
Original:Urban Legends: Bloody Mary
Ano:2005•País:EUA
Direção:Mary Lambert
Roteiro:Michael Dougherty, Dan Harris
Produção:Aaron Merrell, Scott Messer, Louis Phillips
Elenco:Kate Mara, Robert Vito, Tina Lifford, Ed Marinaro, Michael Coe, Lillith Fields, Nancy Everhard, Audra Lea Keener, Don Shanks, Haley McCormick, Olesya Rulin

Se Lenda Urbana 3 – A Vingança de Mary é uma amostra de como os americanos pretendem responder à invasão dos filmes de horror orientais, então é melhor eles desistirem enquanto é tempo e continuarem refilmando as produções originais vindas do Oriente, pois pelo menos aí eles podem trabalhar com um material original e decente – e, se o estragarem, é por pura e única incompetência. Apesar da frase cômica na capinha do filme (“…no mesmo estilo de O Grito e O Chamado“), Lenda Urbana 3 nada mais é do que o último prego na tampa do caixão de uma das séries mais fajutas e ridículas do moderno cinema de horror americanol, a franquia Lenda Urbana, verdadeira piada para os fãs de terror de todas as idades (e o DVD da Parte 3 ainda traz o trailer dois filmes anteriores, para podermos voltar a dar umas boas risadas).

A coisa está tão saturada que este terceiro filme foi feito diretamente para o mercado de vídeo, e não para lançamento no cinema, como os anteriores. Só o nível de ruindade continua igual, assim como o esquema básico da série: vários adolescentes com pinta de modelo têm mortes horríveis, uma atrás da outra. O máximo de criatividade que os roteiristas (sim, são dois!) Michael Dougherty e Dan Harris conseguiram foi trocar os assassinos humanos, como nos dois primeiros filmes, por uma vingança sobrenatural. Ou seja: agora, o algoz da garotada vem do além, na forma do fantasma de uma moça morta durante seu baile de formatura. Se Dougherty e Harris tivessem assistido menos vezes a O Chamado (sim, o remake americano, pois eles nem devem saber que existe um original japonês), e parado de copiar o filme de Gore Verbinski (no visual da fantasma, inclusive), talvez sobrasse tempo para que eles pesquisassem e descobrissem que a história que bolaram nem ao menos é nova. Há quase 20 anos, o canadense Bruce Pittman já tinha feito Baile de Formatura 2 – Vestida para a Vingança, sobre um jovem morta no seu baile de formatura que voltava nos “dias atuais“, na forma de um fantasma, para se vingar. Originalíssimo, não? Até o nome das fantasmas é semelhante nos dois filmes: Mary aqui e Mary Lou no de 1987!

Lenda Urbana 3 começa em pleno baile de formatura nos anos 60 (embora nada, mas nada mesmo, dê uma ideia de que a época é esta, pois os produtores nem se preocuparam em fazer maquiagens e penteados pelo menos parecidos aos da década de 60!!!). Mary Banner (Lillith Fields) é uma menina pura e inocente escolhida para ser abusada por uns valentões do time de futebol. Enquanto suas duas amigas são drogadas para não resistirem aos abusos, ela consegue escapar até o depósito da escola, onde é agredida por um dos atletas e morre ao bater a cabeça na quina de uma mesa. Espertalhão que só ele, o “assassino” trancafia o cadáver da moça dentro de um velho baú e deixa a coisa por assim. Como ele é burro, não é? Claro que mais cedo ou mais tarde alguém irá descobrir o corpo ali e iniciar uma investigação, correto? QUE NADA!!! O corpo de Mary apodrece livremente dentro do baú durante 30 anos até os dias atuais, sem que ninguém em três décadas tenha sentido um cheiro esquisito vindo dali ou mesmo tenha aberto o baú para ver o que havia em seu interior – você já viu algo ficar 30 anos parado, ainda mais em uma escola???

Lenda Urbana 3 (2005) (3)

Só por aí, você já percebe a “inteligência” latente no roteiro deste filme. Mas calma que ainda tem mais pela frente. Apesar do espírito de Mary ter, por si só, motivos de sobra para vingar-se, o roteiro de alguma forma teria que ter relação com o título do filme, Lenda Urbana 3, para justificar sua utilização. Por isso, os roteiristas conseguiram a façanha de transformar a garota morta (que, na trama, todo mundo pensa estar desaparecida) em um espírito conhecido como “Bloody Mary” (Mary Sangrenta, nas legendas em português), que pode ser evocado falando-se seu nome três vezes em frente ao espelho. “É como o Candyman!“, diz uma garota quando alguém lhe conta a lenda urbana, talvez no único momento de vida inteligente do roteiro… E logo Bloody Mary será trazida ao mundo dos vivos por uma mocinha ingênua, Samantha Owens (Kate Mara), que, obviamente, não acredita na tal lenda urbana.

Na mesma noite em que Samantha chama Bloody Mary três vezes, ela e duas amigas gostosinhas são sequestradas pela nova geração de atletas do time de futebol (esses caras terão algum problema com garotas?), drogadas e depois deixadas presas num velho moinho (!!!), em represália ao fato das meninas terem escrito um artigo anti-atletas no jornalzinho da escola. O trio consegue escapar e tudo parece voltar ao normal… Até os agressores passarem a morrer mortes terríveis nas mãos de quem? Exato, da Bloody Mary! Novamente para justificar o tenebroso título do filme, a fantasminha nada camarada despacha seus desafetos inspirada nas lendas urbanas de praxe, como aquela que diz que aranhas podem colocar ovos sob a pele das pessoas (o que rende a cena mais exagerada, sangrenta e nojenta do filme), ou aquela de que pessoas podem cozinhar até a morte em câmaras de bronzeamento artificial.

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Aparentemente, Mary está se vingando dos filhos daqueles atletas dos anos 60 que foram os responsáveis por sua morte. O roteiro só não se preocupa em explicar porque ela comete sua vingança usando as lendas urbanas, além do motivo óbvio de justificar o título do filme – mesmo que fique claro que os produtores simplesmente pegaram um roteiro independente e lhe deram o nome de Lenda Urbana 3 para faturar em cima dos fãs (pfffff…) da série! E enquanto seus amigos/inimigos vão tendo mortes horríveis (mas nem tanto), Samantha e seu irmãozinho David (Robert Vito) descobrem o elo dos crimes com a lenda da Bloody Mary, e localizam uma das amigas da desaparecida Mary quando ela ainda era viva, e não uma fantasma assassina. Trata-se da hippie malucona Grace Taylor (Tina Lifford), que conta aos dois jovens que, sim, é Mary quem está por trás de tudo. Logo, os irmãozinhos terão que correr contra o relógio para descobrir uma forma de dar paz à alma atormentada da fantasma vingadora, ou então poderão ser as próximas vítimas de sua fúria! Brrrrr… Que medo!

Não bastassem as tentativas frustradas e gratuitas de citar os dois outros filmes (incluindo uma manchete de jornal falando sobre um professor da Universidade de Alpine que matou seus alunos, como visto em Lenda Urbana 2, e um desenho da assassina do casacão de capuz, do Lenda Urbana original), os produtores ainda abusam com a patética tentativa de tentar dar uma cara de horror oriental a esta produção paupérrima e pobre. O visual da Bloody Mary, cópia frustrada das assombrações de filmes como Ringu e Ju-On, é um plágio tão descarado que chega a dar pena dos realizadores. Repare, por exemplo, na cena em que a Bloody Mary sai de debaixo da cama primeiro com as mãos, depois com os longos cabelos negros… Se os produtores do filme tivessem assistido mais vezes as produções japonesas que plagiaram, talvez conseguissem copiar não só o visual da fantasma, mas também um pouco do clima de tensão e de medo dos terrores orientais. Não foi o que aconteceu.

E mesmo tendo a figura da fantasma, o roteiro segue a cartilha padrão do gênero, acabando idêntico aos dois filmes anteriores – que tinham psicopatas de carne e osso. O roteiro nada mais é do que uma sucessão de mortes violentas inspiradas em lendas urbanas, sem tirar nem pôr. Os crimes não convencem (repare nas aranhas digitais que não enganam nem bebê e morra de saudades da época em que o brasileiro José Mojica Marins jogava aranhas e cobras reais em suas atrizes…) e as situações menos ainda. A dupla de heróis, por exemplo, não faz porra nenhuma. Ao descobrir qual dos atletas será o próximo a morrer, eles se limitam a ir conversar com a vítima em potencial durante dois minutos e depois deixam-na ir embora para encontrar seu destino violento, sem nem ao menos darem um aviso de alerta ou tentarem ajudar. Pior: na mesma noite, enquanto o jovem é morto, os heróis conversam um com o outro: “Estou preocupado com o Fulano“. Sem comentários… Repare, ainda, como os realizadores mostram uma mesma personagem nos anos 60 e nos dias atuais com o MESMÍSSIMO cabelo (no caso, peruca), talvez porque o público-alvo do filme seja tão imbecil que não iria conseguir reconhecer a personagem de outra forma!!!

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Terminando o festival de equívocos, a melhor coisa do filme todo, três gatinhas que são um verdadeiro colírio para os olhos, aparecem pouquíssimo – e sempre vestidas!!! Se ver esta tralha for inevitável, pelo menos dê uma boa olhada em Olesya Rulin (que interpreta Mindy, a amiga peituda de Samantha), Audra Lea Keener (a vilãzinha Heather, a única que pelo menos aparece de calcinha e sutiã) e na gostosa que interpreta a patricinha do salão de bronzeamento artificial (infelizmente, o nome da “atriz” me escapou).

Uma coisa, porém, eu assumo: Lenda Urbana 3 é um filme realmente assustador. Não sei se me deu mais medo a decadência do moderno cinema de horror americano (e da diretora Mary Lambert, que fez os ótimos Cemitério Maldito e Siesta no passado), ou a possibilidade de morrer de tédio se não passasse mais de 40 minutos adiante com o auxílio do fast foward. Conhece aquela lenda urbana do cara que alugou um slasher movie teen xaropíssimo e morreu com a boca escancarada de tanto bocejar? Pois é, quase que essa deixa de ser uma lenda urbana para virar realidade… Será que estamos livres de um Lenda Urbana 4 ou já temos que começar a temer pelo pior?

E por falar em “temer pelo pior“: sabia que os mesmos roteiristas de Lenda Urbana 3, Michael Dougherty e Dan Harris, são os responsáveis pelo roteiro da aventura cinematográfica do Homem de Aço, Superman Returns? Pobre Superman… Nem Kryptonita faria tanto estrago!

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

8 comentários em “Lenda Urbana 3: A Vingança de Mary (2005)

  • 30/01/2015 em 20:49
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    Não curti mto também. Há muitas falhas de edição, inclusive. Sou mais o 1 e 2 que você ao menos pode assistir pra passar o tempo.

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    • 05/12/2016 em 19:36
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      Cara é muito bom, vc nao consegue compreender a arte q é.,.. VC tem que buscar conhecimento sobre esta historia

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  • 25/01/2014 em 08:49
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    Apenas o primeiro vale a pena…, pq o resto… PRRRR….

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  • 23/01/2014 em 19:14
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    lenda urbana só prestou o 1,pois o 2 é mediano e esse 3 dá assistir mas é risível.

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  • 23/01/2014 em 11:48
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    Eu até gostei da cena das aranhas, mas o resto é descartável. Clichê ao extremo!

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  • 23/01/2014 em 00:15
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    não gostei dessa parte 3 não, bloody mary , sou mais assistir baile de formatura 2 da Maryloo…

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  • 23/01/2014 em 00:11
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    Até a lenda da Bloody Mary é copiada. E MAL copiada. Ao que parece, é uma lenda típica americana, dessas que abundam nos filmes.
    Sobrenatural (a série) fez um episódio que dá de mil a zero nesse lixo. ¬¬. Tempo perdido ver essa “coisa”.

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