O Massacre da Serra Elétrica (2003)

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O Massacre da Serra Elétrica (2003)
O Leatherface do século 21 convence, mas dá saudades do original
O Massacre da Serra Elétrica
Original:The Texas Chainsaw Massacre
Ano:2003•País:EUA
Direção:Marcus Nispel
Roteiro:Scott Kosar
Produção:Michael Bay, Mike Fleiss
Elenco:Jessica Biel, Jonathan Tucker, Andrew Bryniarski, Erica Leerhsen, Mike Vogel, Eric Balfour, R. Lee Ermey, David Dorfman, Lauren German, Terrence Evans, Kathy Lamkin, Brad Leland, Mamie Meek

Fã irredutível do filme original, fui um dos maiores críticos quando a refilmagem de O Massacre da Serra Elétrica foi anunciada, no começo de 2003. Ainda mais quando surgiram os boatos dizendo que Michael Bay (diretor de Armageddon e Pearl Harbor) estava envolvido na produção e um iniciante diretor de videoclipes, Marcus Nispel (um alemão de 38 anos sem qualquer experiência cinematográfica) tinha assinado para “cometer o crime” de dirigir o remake. E as notícias continuaram me deixando com um pé atrás, como o elenco de caras bonitinhas contratado para os papéis principais, o fato de Leatherface acabar na pele de um halterofilista (e não de um gordo escroto como o Gunnar Hansen, no original) e as críticas negativas que o filme recebeu na imprensa internacional – apesar de ser um sucesso de bilheteria.

Para piorar, o filme foi lançado em DVD e VHS nos Estados Unidos em janeiro de 2004, quando nem tinha estreado no Brasil ainda. Odeio ver filmes no computador, mas no caso do remake de O Massacre da Serra Elétrica estava tão curioso que não aguentei e mandei vir o filme em VCD, ou seja, uma cópia pirata feita pelo computador para ver no DVD. A imagem estava péssima, super escura e granulada, inclusive comprometendo nas cenas noturnas, pois não permitia distinguir direito algumas coisas. Pelo menos, tinha legendas em português.

O Massacre da Serra Elétrica original sempre foi uma espécie de acontecimento em minha vida. Tanto que quando eu era um guri e não tinha condições de piratear o filme (muito menos comprar a fita ou o DVD), mantinha um ritual de alugar e assistir o filme de Tobe Hooper pelo menos duas vezes por ano com meus amigos. Mantive o ritual por uns cinco anos. Para homenagear esse meu lado infanto-juvenil, resolvi tratar o remake também como um acontecimento, e convidei meu irmãos Rodrigo e meu amigo Eliseu Demari para conferir o filme numa noite de sexta-feira.

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A sessão caseira teve tudo que um filme visto entre amigos deve ter: muitos comentários durante a “projeção” (o que não é possível fazer no cinema, nem se deve fazer), comparações entre remake e original e, claro, sacanagens. Ao ver meu irmão Rodrigo, que estava deitado num colchão, totalmente compenetrado em uma cena de maior suspense, agarrei sua cabeça violentamente e repentinamente ao mesmo tempo em que fazia um sonoro “VRRRRRRRRR” como uma motosserra. O infeliz pulou do colchão e quase teve um ataque, pensando que Leatherface havia saído da telinha da TV.

Bobagens à parte, o remake de O Massacre da Serra Elétrica finalmente estreou no Brasil na sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005. Eu já vi duas vezes minha cópia podre em VCD, mas com certeza estarei na primeira sessão de O Massacre da Serra Elétrica 2003 aqui no Sul. E sabem por quê?

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A verdade é que o remake está bem longe de ser a bomba que eu esperava. Na verdade, dá até para dizer que O Massacre da Serra Elétrica versão 2003 é um bom filme. A violência do original não foi atenuada, pelo contrário, foi explicitada, com muito sangue jorrando e até closes no estrago provocado pela “serra elétrica” – na verdade, como todos estão carecas de saber, uma motosserra, movida a motor, e não à eletricidade. O elenco jovem e bobalhão come o pão que o diabo amassou. E as cenas mais fortes do original (vítima espetada no gancho de carne, Leatherface surgindo com a motosserra, marretada na cabeça) continuam todas ali.

Infelizmente, o grande problema do filme é justamente a produção (muito caprichada, se compararmos com o estilo “documentário” do original, rodado com uma verdadeira mixaria), limpinha, bonitinha, certinha. E o roteiro, péssimo, que começa bem, mas acaba se perdendo em idas e vindas totalmente desnecessárias…Sem contar que é politicamente correto ao extremo. Ou seja, o Leatherface anabolizado do século 21 até convence, mas só em partes – da metade para o fim, ele está tão perdido quanto o Jason enfrentando a realidade virtual em Jason X.

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Para fazermos uma rápida comparação, pode-se dizer que O Massacre da Serra Elétrica original, aquele de 1974, é uma verdadeira viagem ao inferno, onde quase acreditamos que os atores-vítimas estão sofrendo mesmo e que os atores-algozes são verdadeiros psicopatas. Já O Massacre da Serra Elétrica remake deixa transparecer o tempo todo que é um filme. Os atores/personagens fazem coisas que ninguém em sã consciência faria, a não ser que estivesse em um filme (o que não acontecia no original). E algumas situações forçadas também remetem ao universo cinematográfico, e não à vida real. Logo, se o original é uma viagem sem escalas direto para o inferno, o remake não passa de uma volta no trem-fantasma de um parque de diversões: dá seus sustos e diverte, mas no geral é bobo e nada memorável (alguém lembra detalhes de algum trem-fantasma em que já andou?).

O diretor Marcus Nispel teve alguns acertos, como convidar Daniel Pearl, o diretor de fotografia do original, para repetir o serviço na refilmagem. E também chamou de volta o ator John Larroquette para narrar o tétrico texto de abertura, a exemplo do que ele havia feito no clássico de 1974. Ao contrário de todos os outros filmes da série (não perca a conta: são quatro!), onde o texto explicando a história é mostrado em letras que sobem sobre um fundo preto, aqui só há a narração, enquanto imagens feitas em preto-e-branco, com câmera amadora, supostamente nos anos 70, mostram policiais recolhendo cadáveres e evidências da “cena do crime” – tudo para enfatizar tratar-se de uma história real, o que, como todo mundo sabe, não é verdade. Assim é o novo texto deste remake:

“O filme que vocês verão é baseado na tragédia que se abateu sobre um grupo de cinco adolescentes. Foi ainda mais trágico pelo fato de eles serem jovens. Mas se eles tivessem vivido, jamais esperariam ter visto toda a loucura e o macabro que viram naquele dia. Para eles, um simples final de tarde foi o início de um pesadelo. Por 30 anos, os arquivos acumularam pó na divisão de casos não-resolvidos do Departamento de Polícia do condado de Travis, no Texas. Mais de 1.300 evidências foram recolhidas na cena dos crimes, a residência da família Hewitt. Mas nenhuma das evidências é mais marcante do que um secreto rolo de filme feito na cena do crime. Os eventos daquele dia guiaram o desfecho de um dos crimes mais bizarros dos anais da história americana: O Massacre da Serra Elétrica DO TEXAS!”

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Ao invés de hippies inofensivos que estão andando em uma van para visitar o cemitério e a velha casa da família (como no original), aqui temos cinco jovens que foram ao México de van para comprar maconha e estão indo rumo a um show da banda Lynyrd Skynyrd (que na vida real morreu toda em um acidente aéreo, alguns anos depois). Os jovens e “carne de churrasco em potencial” são Kemper (que é a cara do apresentador Marcos Mion e aparece no seriado Six Feet Under), o motorista e proprietário do veículo; sua namorada Erin (a gostosíssima Jessica Biel, de Regras da Atração, que não chega aos pés de Marilyn Burns como “scream queen” e jamais convence), o casal Andy (Mike Vogel) e Pepper (Erica Leershen, de A Bruxa de Blair 2), e Morgan (Jonathan Tucker, de 100 Garotas e As Virgens Suicidas). Ah sim: nenhum deles é paralítico, como o velho Franklin do filme original. Nem tampouco há algum parentesco entre eles. Assim como os jovens do filme original, são todos burros, patéticos e desinteressantes, só fazem cagadas e nem por um momento imaginam o horror que vem pela frente.

Cruzando o Texas, entre papos imbecis sobre maconha e sexo e uma intimação de Erin para Kemper sobre casamento, o grupo passa por uma moça que anda cambaleando pela estrada de chão, como se estivesse perdida. Param e lhe oferecem carona, mas a mulher não fala coisa com coisa, como se tivesse passado por um trauma terrível. Mesmo assim, os cinco jovens resolvem lhe dar carona – lembre-se, estamos nos anos 70, as coisas eram um pouquinho mais “seguras“!!! Dentro da van, a “Caroneira” (no filme original também tinha o “Caroneiro“, lembram?) começa a falar coisas sem sentido, dizendo que toda a sua família foi morta. Quando a van passa por um velho matadouro, a garota fica histérica e grita que “não quer voltar para lá“. Quando Kemper se recusa a voltar, ela tira um revólver que trazia enfiado no meio das pernas (ui!) e se mata com um tiro na cabeça. E a câmera de Nispel faz questão de passar por dentro do buraco, em um divertido movimento de câmera – mas algo um tanto gratuito…

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Desesperados com a situação, os cinco jovens resolvem procurar o xerife para explicar todo o caso. Afinal, levam um cadáver com a cabeça explodida no banco de trás de sua van! Parando em uma loja que vende carne para churrasco (outra citação ao original), eles descobrem que o homem da lei está em um velho moinho. Como vai demorar para voltar, resolvem ir até lá, ainda com o cadáver no banco de trás. No moinho, entretanto, eles encontram de tudo, menos o xerife. Ali há vários carros abandonados e até dentes humanos espalhados pelo chão – mas nenhum dos jovens chega a desconfiar disso por um momento. Há também um garotinho de rosto deformado, que parece um mutante.

Erin e Kemper resolvem ir até uma casa próxima em busca de um telefone para ligar para o xerife, deixando os amigos para trás. Na tal casa vive a família Hewitt. O casal é atendido por um velho aleijado e furioso, em uma cadeira-de-rodas, que permite apenas que Erin entre na casa para fazer o telefonema, deixando seu namorado do lado de fora. Mas o bisbilhoteiro Kemper resolve entrar na casa mesmo assim. E, ao passar por um corredor escuro, descobre, da pior forma possível, que está no lar de Leatherface, ao ser atingido brutalmente na cabeça com uma marretada. A cena recria a primeira morte do filme original, onde Kirk (William Vail) era abatido dessa forma, mas não consegue atingir o mesmo nível de brutalidade e choque do filme de 1974.

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Enquanto o cadáver de Kemp é arrastado para o porão escuro por Leatherface (o marombeiro Andrew Bryniarski, filho de Christopher Walken em Batman Returns e intérprete do russo Zangief na bomba Street Fighter 2), Erin sai achando que o namorado voltou para a van. E naquele momento, o trio que ficou para trás recebe a visita do esquisito xerife (interpretado pelo veterano R. Lee Ermey, que praticamente repete seu papel de psicopata do clássico Nascido para Matar, de Stanley Kubrick). Falando dezenas de palavrões por segundo e de um jeito durão e neurótico, o xerife obriga Andy e Morgan a embalarem o cadáver da caroneira suicida com plástico, embarcando-o depois em sua viatura e deixando o grupo para trás. É quando aparece Erin e o grupo se espanta ao saber que Kemper está sumido. Eles voltam à casa, e então finalmente se deparam com Leatherface e sua motosserra.

E assim o filme avança praticamente recriando o filme original, com parte do elenco sendo picotada pela motosserra de Leatherface e a outra parte descobrindo que não dá para confiar nos moradores do Texas, pois a maioria das pessoas que encontram são parte integrante da família Hewitt. No programa, ainda, muita tortura psicológica, incluindo uma cena de forte suspense onde o xerife psicopata tenta obrigar uma de suas vítimas a explodir a própria cabeça com um revólver.

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Quem conhece o original sabe que lá a maior parte da violência era implícita, ainda que o filme seja violentíssimo. Já o remake apela para a sangreira e para a brutalidade gratuitas. Há doses cavalares de sangue e cenas fortes, como o jovem que tem a perna serrada no meio por Leatherface ao tentar escapar; depois, ele é arrastado ainda vivo para o porão, tenta se agarrar nas paredes e tem as unhas arrancadas no atrito! O nível de sadismo também é maior, com o mesmo jovem sendo pendurado no gancho de carne (como Pam, no filme original, mas agora de forma mais gráfica e realista), e ainda tendo que aguentar Leatherface passando sal grosso no toco da perna decepada! Sem limites para a brutalidade, o diretor Nispel chega a filmar closes do gancho de carne entrando e saindo das costas do rapaz! Também foi quintuplicada a violência na cena do esquartejamento de um dos rapazes para virar “churrasco“. Se no filme original víamos Leatherface serrando sua vítima “off-screen“, aqui presenciamos toda a preparação do esquartejamento, como se o rapaz fosse um animal tipo um porco ou um boi, sendo inclusive barbeado antes de acabar pendurado nos ganchos de carne.

Se há mais violência, por outro lado desapareceram todas as referências a canibalismo (ninguém comenta o assunto abertamente e nem há a famosa cena do jantar que caracteriza os outros quatro filmes). Logo, quem não conhece um pouco do roteiro dos filmes anteriores nem vai sacar porquê, afinal os Hewitt aprisionam e esquartejam as jovens vítimas.

É uma pena que o roteiro logo que começa promissor logo se revele um grande fiasco, repleto de idas e vindas sem cabimento, partindo do nada para o lugar nenhum e acabando de forma totalmente inverossímil. Não me entendam mal: os primeiros 50 minutos deste remake de O Massacre da Serra Elétrica são muito bem realizados, repletos de tensão, suspense e brutalidade, lembrando uma versão hardcore do original. É na segunda metade que o filme desanda. Sejamos francos: qualquer pessoa com um mínimo de experiência em filmes de horror sabe que a maior parte dos jovens vai morrer. Tobe Hooper não fez mistério e matou quatro dos cinco personagens do filme original já nos primeiros 45 minutos, concentrando o restante da história na fuga desesperada da única sobrevivente, Sally.

Já o roteiro do remake trata o espectador como um imbecil. É um tal de morre-não morre, foge-e-morre-mais-tarde que chega a ser irritante. Tipo, um personagem que julgávamos morto reaparece vivo apenas para morrer cinco minutos depois! Um outro que todo mundo pensava estar morto está vivo e consegue escapar… só para ser morto outros cinco minutos depois (que saco!). E chama a atenção o fato de que o roteirista Scott Kosar (este é seu primeiro trabalho no cinema, o que é visível) não sabe o que fazer com seus personagens. Por exemplo: na primeira vez que o xerife encontra os jovens, ele podia prender todos e levá-los logo para a casa da família Hewitt, poupando trabalho e perseguição a Leatherface. Mas não, ele os deixa em liberdade, apenas para reaparecer mais tarde e prender um deles – os outros ele deixa para Leatherface fazer o serviço. Tem cabimento isso, matar as vítimas aos poucos, inclusive dando chances para que alguns escapem e tragam a “verdadeira” polícia?

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Pior: lá pelas tantas, recriando outro momento clássico do original, Erin escapa de Leatherface, que a persegue pelo meio de uma escura floresta, armado com sua motosserra, claro. A perseguição chega até um estacionamento de trailers. Pois não é que a moça, desesperada, que viu os amigos morrerem, sendo perseguida por um maníaco com uma máscara de pele humana e uma serra elétrica, simplesmente senta no degrau de um dos trailers e começa a chorar, ao invés de continuar correndo??? E nem vamos falar da forma como ela resolve enfrentar o psicopata frente a frente mais tarde, quando qualquer pessoa normal só pensaria em fugir o mais rápido possível – a não ser que você ache coerente que uma menina indefesa e desarmada enfrente um truculento psicopata com uma enorme serra elétrica!

São os 40 minutos finais que afundam o filme, transformando-o em um verdadeiro passeio no trem-fantasma, com todos os sustos falsos e sequências exageradas/inverossímeis que NÃO deveriam ser usadas em um filme de terror, inclusive atos nobres (como o membro da “família” que se arrepende e ajuda os heróis a escapar). Mas o mais apelativo é que o filme termina com uma péssima conclusão que parece chupada diretamente de A Bruxa de Blair – podiam ter nos poupado dessa -, deixando as portas escancaradas para uma possível continuação.

Por sinal, mais uma vez os produtores trataram de inventar uma nova família para Leatherface, com outros integrantes bem diferentes da turma dos dois primeiros filmes (nada do Cozinheiro, do Caroneiro ou de Chop Top aqui…). Nem o clássico Vovô dá as caras neste remake. Mudaram também o sobrenome da família de Sawyer para Hewitt, e cometeram o deslize, pelo menos na minha concepção, de mostrar o rosto de Leatherface por baixo da tradicional máscara de pele humana. Em uma cena completamente dispensável (prevista no roteiro da parte 3, mas só agora aproveitada), o psicopata tira a máscara e revela um rosto horrendo, sem nariz, corroído por uma doença de infância. Isso tira boa parte do impacto, ainda mais ao lembrarmos que Leatherface foi inspirado num serial killer que realmente existiu, o famoso Ed Gein. Ora, o velho Gein também usava máscaras de pele humana, mas não era deformado nem monstruoso, e sim uma pessoa assustadoramente real. Ao mostrar Leatherface como um “monstro” deformado, o diretor e o roteirista tiram aquela ideia assustadora de que por trás da máscara poderia haver uma pessoa comum, como eu e você – o que é infinitamente mais apavorante, se considerarmos que seu vizinho do outro lado da rua pode ser um Leatherface!

Entre mortos e feridos, o remake de O Massacre da Serra Elétrica ainda se salva com uma boa cotação (3 estrelinhas, vá lá. Ou nota 7, para quem gosta de cotação de 1 a 10) porque se não é um filme tão memorável ou clássico quanto o original, pelo menos vai na contramão das produções recentes. Eu jurava que os produtores iriam amenizar boa parte da truculência do argumento original, mas fiquei surpreso ao ver que ao invés de tornar a violência mais branda, eles exageraram tudo ao máximo – pena terem esquecido dos detalhes sobre canibalismo. O resultado é que a juventude de hoje, que for ver o remake antes do original, certamente vai se decepcionar se um dia assistirem o clássico de Tobe Hooper, julgando que ele tem “pouca violência“. Sabe como são os jovens de hoje…

Pelo menos, este remake serviu para reacender o interesse pela série original, enterrada desde o pavoroso O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno, de 1994. Quem sabe agora os produtores não lançam continuações mais trabalhadas, dando prosseguimento à linha de tempo abordada neste remake? Por sinal, o filme foi o mais caro de toda a série, custando um total de US$ 9.200.000 (o que chega a ser uma pequena fortuna, comparando com os 140 mil dólares investidos no original). E o retorno foi mais do que satisfatório: só na estreia nos cinemas americanos, a refilmagem rendeu 28 milhões de dólares (mais que o triplo do que custou!). É a força de Leatherface, que com certeza poderá ser ainda melhor explorada.

Como eu disse antes, a nova versão de O Massacre da Serra Elétrica chega bem atrasada aos cinemas brasileiros, considerando que estreou nos EUA em 2003 e até já foi para o mercado doméstico lá nos States. Por outro lado, o lançamento no Brasil tem um caráter nostálgico, pois foi no ano de 2004 que o filme original completou nada mais nada menos que 30 anos! Foi uma bela oportunidade para conferir o remake e revisitar o clássico que deu origem a ele. E ver que mesmo com a evolução dos efeitos especiais, da violência no cinema e dos recursos (o remake custou muito, muito mais que o primeiro filme), O Massacre da Serra Elétrica de 1974 continua uma verdadeira aula de como fazer cinema barato, independente… e realmente ASSUSTADOR!

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Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

24 thoughts on “O Massacre da Serra Elétrica (2003)

  • 12/11/2020 em 00:56
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    Eu sou mil vezes o primeiro pela história roteiro e elenco, as outras continuações foram fracas, e esse de 2003 eu assisti e achei um lixo, com todo respeito para quem gostou, como vc disse sabiamente, muito sangue e pouco discernimento do foco, dá uns sustos mas não convence, sem contar na mudança de nomes e personagens que matam o filme de vez, quem não assistiu não assista não vale a pena, assista o primeiro que é choque e horror garantidos, valeu!

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