Um Drink no Inferno (1996)

Curiosidades do Inferninho

Quentin Tarantino foi indicado para uma Framboesa de Ouro (o Oscar dos filmes ruins) de Pior Ator Coadjuvante quando o filme foi lançado. Não ganhou.

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– O produtor do filme, Lawrence Bender, e o maquiador Gregory Nicotero fazem participações especiais. Bender é o homem sentado no restaurante onde a família Fuller toma seu café, no início do filme, e Nicotero é um dos motoqueiros no Titty Twister, sentado ao lado de Sex Machine.

Fred Williamson interpreta um motoqueiro e veterano da Guerra do Vietnã chamado Frost, no roteiro e nos créditos. Mas o nome do personagem nunca é citado no filme.

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– Pelo roteiro de Tarantino, Sex Machine seria um negro enorme e Frost um motoqueiro magrela. Os papéis foram invertidos no filme, com Frost sendo interpretado pelo parrudo Williamson e Sex Machine pelo magrinho Tom Savini. Algumas ações de Sex Machine no roteiro (é ele que arranca o coração do peito de Big Emilio com um soco) acabaram sendo realizadas por Frost no filme, e vice-versa (pelo roteiro, era Frost, e não Sex Machine, quem matava Razor Charlie).

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– Quando Seth vai comprar comida para Richard e a refém, ele aparece com hambúrgers Big Kahuna, marca fictícia que também foi usada em Pulp Fiction.

– Os irmãos Gecko fumam cigarros Red Apple, outra marca fictícia, usada em Amor à Queima-Roupa (True Romance), roteiro de Tarantino filmado por Tony Scott, e em Kill Bill, dirigido por Tarantino.

– A fala de Seth para Jacob, “OK ramblers, let´s get rambling“, também foi usada por Tarantino em Cães de Aluguel.

– Na cena em que Seth e Richard abrem o porta-malas do carro para tirar a refém, a câmera filma do ponto de vista da prisioneira, ou seja, de dentro do porta-malas. Esse ângulo de câmera é uma marca registrada de Tarantino, que o utilizou em Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Jackie Brown e Kill Bill.

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– Outra amostra do “estilo Tarantino” de dirigir é o close nos pés descalços de Juliette Lewis, na cena em que Seth Gecko fica examinando sua futura vítima. Tarantino adora colocar pés femininos descalços em seus filmes. Em Kill Bill, tem até uma banda de mulheres tocando sem sapatos.

– Scott, o filho de Jacob, usa uma camisa com os dizeres “Precint 13” (13ª Delegacia de Polícia). É uma citação ao clássico Assalto à 13ª DP, de John Carpenter;

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– Outra citação ao filme de Carpenter vem no final, quando Seth dá um revólver para Kate e diz: “Use isso no primeiro destes parasitas que tentar te morder“, assim como aconteceu no final de Assalto à 13ª DP.

– A curiosa arma em forma de pênis que Sex Machine usa na virilha pode ser vista dentro da caixa de violão de Antonio Banderas no filme A Balada do Pistoleiro, de Robert Rodriguez. Naquele filme, Salma Hayek pega a arma na mão e diz: “Eu nem vou perguntar para que serve isso“.

Robert Rodriguez também utilizou o ator tatuado (e feioso) Danny Trejo em A Balada do Pistoleiro, Era Uma Vez no México, na franquia Pequenos Espiões e Machete. Trejo apareceu ainda em Um Drink no Inferno partes 2 e 3.

– Seth diz à refém Gloria: “Eu tenho seis pequenos amigos, e todos podem correr mais rápido que você“, referindo-se às balas do seu revólver. É uma citação à frase idêntica usada por Neville Brand no filme That Darn Cat!, de 1965 (inédito no Brasil).

– Kate pergunta a Richard: “O que tem no México?“. E ele responde: “Mexicanos“. O diálogo já tinha sido usado, primeiro em Meu Ódio Será sua Herança, do mestre Sam Peckinpah, em 1969, e também no slasher movie Paranóia Fatal, de 1987.

– A cerveja “Chango Beer“, servida no Titty Twister, é a mesma marca de mentirinha vendida no bar de A Balada do Pistoleiro, de Robert Rodriguez – a tal que tem gosto de mijo.

– Ao introduzir o show de Satánico Pandemonium, Razor Charlie anuncia: “E agora, para o deleite de seus olhos, a Dama do Macabro, a Encarnação do Mal… A mais sinistra dançarina da face da Terra!“. Esta fala foi tirada da introdução de um show de horror televisivo chamado Seymour, exibido nos anos 70.

– A fala de Sex Machine, “Se juntarmos dois pedaços de pau teremos uma cruz, como Peter Cushing fazia“, é uma homenagem ao imortal ator que interpretou Van Helsing em vários filmes da série Drácula produzidos pelo estúdio inglês Hammer.

– O sobrenome da família Fuller é uma homenagem de Tarantino a um de seus diretor preferidos, o falecido Samuel Fuller.

– No script original, os dois irmãos Gecko e toda a família Fuller sobreviviam ao massacre no Titty Twister. Mas Tarantino achou que o resultado estava suave demais e armou o banho de sangue que vemos no filme.

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– Quando Seth Gecko mata Satánico Pandemonium, que tinha prometido transformá-lo em escravo, ele diz: “Não, obrigado, eu já tive esposa!“. A fala foi improvisada por George Clooney.

– Para homenagear seus parceiros de Cães de Aluguel, Tim Roth e Steve Buscemi, Tarantino queria que um dos dois interpretasse Pete Bottoms, o balconista da loja de conveniência, morto pelos irmãos Gecko no início do filme. Mas eles não encontraram um espaço em suas agendas.

– Ao mesmo tempo, era para William Sandler interpretar o agente do FBI entrevistado no início do filme e para Erik Estrada (aquele do seriado Chips) fazer Carlos, o traficante mexicano que ajuda os irmãos Gecko. Os atores não quiseram participar, deixando os papéis vagos para, respectivamente, John Saxon e Cheech Marin.

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– O nome Satánico Pandemonium é o título de um bizarro sexploitation mexicano dos anos 70, também conhecido como La Sexorcista, que tentou faturar uns trocos em cima do sucesso O Exorcista.

Robert Rodriguez filmou uma segunda sequência inicial onde o texas ranger Earl McGraw, interpretado por Michael Parks, saía vivo da loja de conveniência, ao invés de ser morto por Richard Gecko. Na época, o diretor já tinha a ideia de fazer continuações e queria explorar melhor o personagem. Como Tarantino optou pela morte do homem da lei, é o irmão do personagem que aparece em Um Drink no Inferno 2.

– Por sinal, o ranger Earl McGraw aparece em participação especial no filme Kill Bill, de Tarantino, numa cena (o massacre no casamento de Uma Thurman) que se passa antes da sua morte no início de Um Drink no Inferno. O personagem novamente é interpretado por Michael Parks.

– No filme Eles Matam e Nós Limpamos (“Curdled”, dirigido por Reb Braddock em 1996), a protagonista assiste a um programa de TV sobre grandes criminosos americanos e aparecem fotos de George Clooney e Quentin Tarantino, enquanto a narração diz: “Os perigosos irmãos Seth e Richard Gecko deixaram uma trilha de mortes e roubos pelo Texas, até desaparecerem misteriosamente na fronteira com o México“. O programa de TV foi dirigido pelo próprio Quentin Tarantino.

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– Algumas passagens do filme eram diferentes no roteiro de Tarantino. Antes de começar a matança no bar, por exemplo, Richard Gecko convidava Satánico Pandemonium para sentar-se ao seu lado e tentava seduzi-la, enquanto seu irmão Seth contava uma piada para a família Fuller. A morte de Satánico também era diferente: ao invés de atirar num lustre que caía sobre a cabeça da dançarina, Seth jogava uísque sobre a vampira e atirava nela, fazendo com que se incendiasse. A morte de Chet era para ser mais longa: quando Kate colocava o crucifixo na sua boca, ele não derretia imediatamente, mas sim se contorcia de dor, obrigando o vampiro agonizante a pegar uma estaca de madeira e cravar no próprio coração, “suicidando-se” para encerrar seu sofrimento!

– Várias cenas da matança no Titty Twister foram cortadas ou não tiveram seus efeitos especiais concluídos. Em uma delas, uma vampira aperta uma gosmenta espinha sobre uma vítima; em outra, a barriga de um vampiro se abre para abocanhar a cabeça de um infeliz. Diz a lenda que Tarantino não conseguia assistir essa cena, de tão forte, e que por isso ela foi cortada. Outra cena cortada mostra uma reação mais violenta de Sex Machine ao ser mordido por um vampiro: ele espanca o sanguessuga com sua estaca dezenas de vezes, chegando a esmagar o rosto do monstro brutalmente.

– A trilogia Um Drink no Inferno foi lançada nos EUA em um caprichado box com quatro DVDs, sendo que o primeiro filme vem em DVD duplo (em um dos discos, um documentário de uma hora chamado Full Till Boogie, produzido pelo próprio Tarantino).

Full Till Boogie tenta mostrar os desvairados realizadores de Um Drink no Inferno como pessoas normais. Tem até gravações da noitada de George Clooney, Tarantino e outros atores em um bar, onde a atriz Juliette Lewis, embriagada, vai pagar mico num videokê.

– Aproveitando o sucesso do filme Entrevista com o Vampiro, lançado um ano antes, o cartaz de Um Drink no Inferno continha a seguinte frase: “Muitos vampiros. Nenhuma entrevista“.

– No mesmo ano de 1996, foi lançada nos cinemas americanos outra produção misturando horror e comédia, com uma história ironicamente parecida à de Um Drink no Inferno. Trata-se de Bordel de Sangue (“Bordello of Blood”), longa-metragem dos produtores da série Contos da Cripta, onde um detetive engraçadinho (Dennis Miller) investiga o desaparecimento de clientes em um bordel onde as prostitutas são todas vampiras. O filme conta com um elenco bem esquisito, onde aparecem Chris Sarandon (o vampirão de A Hora do Espanto), William Sandler, Erika Eleniak e Corey Feldman, mas não fez o mesmo sucesso de Um Drink no Inferno

– Ao mesmo tempo, Tarantino confessou ter se inspirado em um filme classe B realizado em 1986, chamado Vamp, onde três adolescentes vão parar em um cabaré onde, novamente, todas as prostitutas são vampiras. Desse jeito, ninguém mais vai apelar para o sexo pago, com medo de perder o pescoço!

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

11 comentários em “Um Drink no Inferno (1996)

  • 27/08/2017 em 12:07
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    “…o ápice daquilo que pode ser considerado um “filme cool“, ou um filme muito legal, que na história do cinema provavelmente não vai fazer qualquer diferença, mas que diverte tanto que acaba se tornando um “clássico” pessoal de muitos espectadores – inclusive eu.”

    Assino embaixo, Felipe!

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  • 15/11/2016 em 15:08
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    eu assisti este filme na band a mtos anos atras e mto bom adorei apesa de ser terror tem algumas comedia negro. mto bom mesmo

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  • 21/09/2015 em 15:02
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    Filme espetacular, não me canso de assistí-lo!!

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  • 16/05/2015 em 13:48
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    FILME NOTA 10,0!!!!!!!!!!!

    NOJENTO
    SANGRENTO
    ABSURDO
    DIVERTIDO
    ENGRAÇADO

    Tudo que um verdadeiro Filme Trash é!!!!!!!
    Não existe filme de vampiro trash melhor que esse!!!!!

    NOTA 10,0

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  • 14/05/2015 em 20:41
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    Um Drink no Inferno e simplesmente meu filme de horror favorito em todos os tempos. Fico feliz de ver que mais pessoas amam este filme assim como eu.

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  • 01/10/2014 em 15:55
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    Concordo com as cinco caveiras, esse é de longe um dos melhores e mais divertidos filmes do diretor Robert Rodrigues.

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  • 29/09/2014 em 13:32
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    Simplesmente um clássico. Filmaço dos anos 90 sobre vampiros. Te envolve, diverte e na época até aterrorizava. Salma Hayek estava simplesmente maravilhosa. Não me lembro se foi a estreia do Clooney na telona, mas gostei muito dele no filme. Ainda hoje é diversão garantida para toda a família.

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  • 15/08/2014 em 15:09
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    Esse filme, independente de cenas de ação e vampirismo, é um clássico cult!! Quando assisti em casa com meu irmão inventei de apelidar o personagem de Tom Savini de El pinto atirador. A produção é espetacular e não entendo a baixa recepção nos cinemas americanos. Não inventaram coisas do tipo cura do vampirismo (triologia Blade), vampiro bonzinho, “vegetariano” ou que controla a sede de sangue entre outros absurdos(saga crepúsculo, entrevista com o vampiro, …). Depois de transformados todos perdiam a humanidade e viviam para matar ou transformar outros, simples assim como muitos outros. Depois desse filme George Clooney merecia mais do que aquele Batman e Robin que parecia desfile das escolas de samba do grupo nada especial!!

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  • 13/08/2014 em 22:11
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    Concordo com você Felipe , também o considero um ” Clássico ” e também já o assisti mais de 20 vezes e não me canso ou enjoo de vê-lo .
    Lembro que quando eu o assisti pela primeira vez eu era criança e foi na Band , não me lembro o horário certo mais acho que foi 8 ou 9 horas da noite e foi no meio da semana , pro meu azar estavam eu e meus irmãos mais novos e minha mãe todos juntos pra assistir , até que eles entram no Titty Twister repleto de gostosas com os peitos de fora rebolando , nisso minha mãe ficou brava e mandou meus irmãos dormirem e eu também , mais como eu sou o mais velho e eu implorei pra assistir ela deixou e viu o filme comigo e pra minha surpresa até ela gostou !
    Se ela gostou imagine eu então , fiquei vários dias com o filme na cabeça e conversando com meus colegas sobre ele e prometi a mim mesmo que na primeira oportunidade eu compraria seu VHS original depois de tanto ter alugado !
    ” Um Drink no Inferno ” é foda demais e o melhor da trilogia , é verdade que é muito lento e demora demais pra aguardada carnificina começar , mais mesmo todo esse tempo antes eu gosto muito também pois vemos a trajetória dos irmãos e a família de refén indo pro México em várias situações interessantes e até engraçadas , mais o que vale mesmo é a carnificina surpreendente no final , só de eu falar já estou com vontade de vê-lo denovo !
    Tenho ” Um Drink no Inferno ” em VHS original e em DVD na versão americana na minha coleção !

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  • 12/08/2014 em 12:31
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    Excelente filme de vampiro que avacalha legal com o gênero. Lembro quando assisti com meu pai em VHS. Interessante, divertido e diferente, Foi o segundo filme do Quentin Tarantino como ator que eu tinha visto (sem contar Pulp Fiction) e também o segundo do Robert Rodrguez mas o primeiro com esse roteiro exagerado e maluco com roteiro personagens e diálogos impagáveis. Ja tinha visto filmes de vampriso serios (Entrevsita Com O Vampiro) mas esse é bem sacana. Recomendado.

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