Possuída: O Início (2004)

OUTROS LOBISOMENS QUE SÃO O BICHO

As locadoras têm diversos filmes de lobisomens, mas poucos deles são bons. Ironicamente, é mais fácil encontrar os títulos ruins, como as intragáveis sequências de The Howling (a série Grito de Horror) e bobagens do tipo Lua Sangrenta e Arizona Werewolf. Para saber separar o joio do trigo, confira uma seleção dos melhores filmes com homens-lobo disponíveis no Brasil:

Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, 1981, EUA). Direção: John Landis.

Um Lobisomem Americano em Londres (1981) (1)
De um diretor famoso por comédias (como as excelentes Os Irmãos Cara-de-Pau e Clube dos Cafajestes) saiu um dos melhores filmes de horror dos anos 80, além de um dos grandes filmes de lobisomem de todos os tempos. No meu caso, ainda tem valor sentimental – foi o primeiro filme de horror que vi, quando passou “pela primeira vez na televisão” no SBT. A história todo mundo está careca de saber: dois jovens americanos (David Naughton e Griffin Dunne), passeando pela área rural da Inglaterra, são atacados por um lobisomem. Um morre e o outro é ferido, sendo tratado num hospital de Londres, onde se apaixona pela sua enfermeira. Mas o amigo morto aparece como um fantasma em decomposição para alertá-lo de que, na próxima lua cheia, ele também se transformará em lobisomem. A geração atual, fã de Pânico e MTV, vai torcer o nariz para o fato de demorar uma hora até o lobisomem entrar em cena e matar alguém. Mas quem se importa com o que eles pensam? O filme tem simplesmente a melhor transformação de homem em lobo da história do cinema (a cargo do mestre Rick Baker), muito antes da computação gráfica tomar conta dos filmes. Vale (e muito) a pena conhecer. Teve uma continuação fraca e desnecessária: Um Lobisomem Americano em Paris.

Grito de Horror (The Howling, 1981, EUA). Direção: Joe Dante.

Grito de Horror (1981) (1)
Outra obra-prima do gênero, filmada praticamente ao mesmo tempo de Um Lobisomem Americano em Londres (os diretores Dante e Landis são velhos amigos). Neste, que é uma homenagem aos filmes B de antigamente, uma jornalista (Dee Wallace-Stone) é atacada por um psicopata, que depois é morto pela polícia. Para se recuperar do trauma, ela convence o namorado a irem para uma clínica de repouso, que fica isolada no meio da floresta e é dirigida por um esquisito psiquiatra (o veterano Patrick Macnee). Claro que há misteriosos lobos que andam em duas patas rodeando pela região… Grito de Horror tem boas surpresas e outra impressionante cena de transformação, digna de comparação com Um Lobisomem Americano em Londres. Além de tudo, o vilão Eddie Quist, interpretado por Robert Picardo, virou figura antológica do gênero. O filme prima mais pela ação, inclusive com o ataque de diversos lobisomens e um final excelente e irônico. Destaque para o elenco, que tem os veteranos Slim Pickens, John Carradine, Patrick Macnee e Kevin McCarthy. O sucesso do filme deu origem a uma série de continuações lamentáveis e completamente desnecessárias, sem relação com a história original.

A Hora do Lobisomem (Silver Bullet, 1985, EUA). Direção: Daniel Attias.

A Hora do Lobisomem (1985) (1)
Exibido na TV com seu título original, Bala de Prata (o nome A Hora do Lobisomem surgiu na época em que todos os filmes de terror tinham “A Hora…” no título), é uma produção eficiente, baseada em livro curto de Stephen King. O roteiro do próprio King garantiu fidelidade à fonte, mantendo seus toques “Kinguianos“, como o fato da história ser contada do ponto de vista de crianças, e como estas se unem para enfrentar um mal poderoso. No caso, um menino paralítico (o falecido Corey Haim) desconfia que um lobisomem é o responsável pela onda de violentos assassinatos que assola a pequena cidade onde vive. Se já é difícil convencer os “adultos” de que há um monstro lendário à solta, imagine como explicar que ele, na verdade, é o estimado e popular padre da cidadezinha (interpretado por um assustador Everett McGill). O filme é de produção barata e tem efeitos fracos, ainda mais se comparados aos dois títulos citados anteriormente. Para contornar esse problema, o diretor usa muitos closes e cenas escuras para “esconder” a criatura. Em compensação, não poupa na violência, com cabeças decepadas e pessoas mutiladas. No Brasil, o filmeco Lone Wolf, de 1988, foi lançado com o título enganoso A Hora do Lobisomem 2, mas não tem nada a ver.

Dog Soldiers – Cães de Caça (Dog Soldiers, 2002, Inglaterra). Direção: Neil Marshall.

Dog Soldiers (2002) (1)
Impressionante produção de baixo orçamento que deu uma revitalizada no gênero “lobisomens“, praticamente na mesma época do primeiro Possuída. Citando vários outros clássicos do gênero, de A Noite dos Mortos-Vivos a Evil Dead, é a história de um grupo de soldados que se embrenha na selva para uma missão de treinamento, utilizando balas de festim. Porém, ali, são atacados por uma horda de lobisomens. Aos poucos, os soldados que são apenas mordidos, mas não devorados, acabam também se transformando em lobisomens (o que lembra os filmes de zumbis). Os sobreviventes se refugiam em uma velha casa de fazenda, onde tentam sobreviver à noite de horror. Sem poupar ação e violência, Dog Soldiers contorna o orçamento modesto com muita inventividade. Uma boa coisa foi ter deixado de lado a computação gráfica, apelando apenas para a boa e velha maquiagem – mesmo que alguns dos lobisomens pareçam muito falsos, com a boca sempre aberta, imóvel. O filme também aposta no exagero, incluindo uma vítima que tem as tripas arrancadas e não morre, sendo depois “remendada” com Super Bonder! Uma boa o final irônico…

A Passagem (Waxwork, 1988, EUA). Direção: Anthony Hickox.

A Passagem (1988)
Nesta excelente produção do amalucado Hickox, repleta de homenagens a clássicos do cinema de horror, o lobisomem é apenas um personagem secundário. Mesmo assim, vale a pena. A história é sobre jovens que vão parar em um museu de cera maldito, que reproduz personagens populares do cinema e literatura de terror. Aos poucos, cada uma das vítimas é “tragada” para um dos cenários e passa a fazer parte da cena ali representada. Neste ponto, o filme se divide em segmentos curtos e muito divertidos. Aquele envolvendo o lobisomem é estrelado por John Rhys-Davies (de Os Caçadores da Arca Perdida e O Senhor dos Anéis) e Dana Ashbrook (da série Twin Peaks). Tem uma boa cena de transformação, feita com criatividade, apesar do orçamento modesto. Outro filme um tanto desconhecido no Brasil e que vale a pena conhecer, pois ainda tem referências a vampiros, múmias e até mortos-vivos. Teve até uma continuação com o mesmo tom amalucado e paródico, lançada por aqui como Waxwork 2 – Perdidos no Tempo.

O Garoto do Futuro (Teen Wolf, 1985, EUA). Direção: Rod Daniel.

O Garoto do Futuro (1985)
Não é exatamente um filme de horror, puxando mais para a comédia, mas é bem divertido e fez sucesso, gerando até mesmo uma série em desenho animado. O título nacional imbecil só existe porque, na mesma época, o astro juvenil Michael J. Fox tinha estrelado De Volta para o Futuro. Fox aqui interpreta um típico adolescente americano panaca que descobre, certo dia, pertencer a uma longa linhagem de lobisomens. E a transformação é inevitável. A única diferença é que o jovem nerd começa a conviver muito bem com o fato de ser lobisomem, tornando-se a grande atração do colégio e inclusive um astro do basquete. Comédia boba que chegou a ganhar uma fraca continuação (sem Michael J. Fox), mas divertida para quem era criança/adolescente na época do seu lançamento e quer relembrar os velhos tempos.

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

8 comentários em “Possuída: O Início (2004)

  • 17/11/2016 em 11:00
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    Bem que podiam lançar um box com os três (e preço acessível).

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  • 16/11/2016 em 16:02
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    engrassado no filme possuida o inicio . as irma faz o pacto . e ela e possuida pelo pacto. pq no primeiro filme ela morre. nao etendi nada

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  • 24/03/2015 em 15:03
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    o filme deve ser “bão”mesmo! mas pra mim beleza por beleza, eu ainda prefiro a blogueira gatinha Silvana Perez!!

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  • 28/10/2014 em 21:10
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    Eu gostei dos 3 filmes, tem boas histórias e sem falar na bela atriz Katharine Isabelle, ela é linda.

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  • 12/09/2014 em 01:41
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    Eu assisti faz tempo, mas lembro que achei um pouco chato comparado aos outros dois, mas nada que me impediria de ver novamente.

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