Formigas Assassinas (1977)

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Formigas Assassinas
Original:Ants / It Happened at Lakewood Manor
Ano:1977•País:EUA
Direção:Robert Scheerer
Roteiro:Guerdon Trueblood
Produção:Peter Nelson
Elenco:Robert Foxworth, Lynda Day George, Gerald Gordon, Bernie Casey, Barry Van Dyke, Myrna Loy, Anita Gillette, Steve Franken, Brian Dennehy, Suzanne Somers, Bruce French, Barbara Brownell

Fala sério: que tipo de ameaça as formigas representam? Quer dizer, a não ser que o cara esteja enterrado no meio do deserto perto de um ninho de formigas vermelhas, só com a cabeça para fora (como acontece às vezes nos gibis de faroeste do Tex), qual a probabilidade de alguém ser morto por formigas? (descontando, claro, aqueles monstros enormes de O Império das Formigas, feito em 1977 e exibido pelo SBT como O Ataque das Formigas Gigantes).

Pois numa época em que o cinema apelava para o terror animal, nos anos 70, já tinham feito filmes com todo tipo de praga (cobras, aranhas, aranhas gigantes, abelhas africanas e até sapos, caramba!). Só faltava alguém com coragem para fazer uma história sobre formigas assassinas sem medo de pagar mico. E não é que apareceu um maluco chamado Guerdon Trueblood com um roteiro chamado It Happened at Lakewood Manor? Um outro maluco, chamado Robert Scheerer (conhecido diretor de seriados de TV), resolveu bancar. E fez Formigas Assassinas em forma de filme para a TV, em 1977. Ou seja, zero violência, zero nudez, zero tudo! Mas levando-se dramaticamente a sério.

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O resultado é tão ruim que nem consegue ser trash. Quer dizer, imagine manés sendo mortos por formigas! Abelhas africanas, ainda vai… Elas voam e dão ferroadas na cabeça do cara, aí fica complicado de escapar… Mas formigas? Pô, elas são minúsculas, se locomovem devagar, você pode fugir pisando em cima delas, pulando por cima delas, ou então jogar um balde d´água nas diabas e limpar o caminho para a fuga – mas nenhum dos personagens do filme pensa nisso, pelo contrário, eles ficam olhando apavorados para as formigas como se fossem verdadeiros demônios do inferno!

Formigas Assassinas começa mostrando escavações para a construção de um novo hotel, em uma cidadezinha turística. Um dos operários envolvidos no trabalho começa a gritar e seu amigo vai ajudá-lo. O gritalhão está coberto de formigas, debatendo-se na tentativa de livrar-se delas. O amigo vai tentar ajudá-lo e também é atacado. Mais rápido que um raio, uma retroescavadeira ignora os gritos dos dois desesperados e larga uma carga de terra no buraco, sepultando ambos ainda vivos. Entra o título Ants e começa a palhaçada.

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A primeira meia hora de filme parece uma novela mexicana. Somos apresentados aos personagens mais caricatos do século, com aquela distinção tradicional dos bons e dos malvados. À primeira categoria pertencem, por exemplo, o engenheiro Mike Carr (Robert Foxworth, que fez filmes como A Profecia 2 e furadas como A Semente do Diabo, de John Frankenheimer), a proprietária de um pequeno hotel, Ethel Adams (a veterana Myrna Loy), a doce filha de Ethel, Valerie (Linda Day George, loirinha que fez várias séries de TV na época, como Missão Impossível), e outros tipos sem interesse. Do lado negro da força vem o executivo Tony Fleming (Gerald Gordon), inescrupuloso empresário do ramo hoteleiro, que quer comprar a propriedade de Ethel, e sua secretária Gloria Henderson (a estrelinha da TV americana Suzanne Somers), que tenta resistir ao assédio sexual do patrão.

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Vai mais de meia hora para as formigas matarem alguém, um cozinheiro que prepara o rango do hotel usando sandálias, e ignora o fato de centenas de formigas estarem saindo pelo ralo da pia (talvez seja coisa normal para ele). Depois, um garoto que está brincando no lixo fica coberto de formigas e se atira na piscina para salvar-se, mas é tarde: morre devido às picadas. Então os heróis descobrem que as formigas do local estão contaminadas com um tipo de pesticida que estava no solo, e por isso são capazes de matar os humanos com sua picada!

Mike tenta avisar o pessoal para deixar o hotel, mas ninguém acredita na sua história. Então ele tem um faniquito, pega sua retroescavadeira e aumenta o buraco, libertando todas as formigas, enquanto grita: “Estão vendo? Estão vendo? Aqui estão as formigas!!!“. Só então o bocó percebe o que fez! As bichinhas começam a atacar, sitiando um grupo de pessoas dentro do hotel, subindo por paredes e entrando por baixo de portas (novamente eu pergunto: qual a dificuldade de sair pisoteando as formigas, ou jogar água nelas?).

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A coisa fica tão ridícula ao ponto daquilo tudo parecer uma grande catástrofe. A polícia e os bombeiros cercam a área, e um helicóptero aproxima para salvar as pessoas “cercadas” no hotel, no cúmulo do exagero. Os maus morrem, os bonzinhos escapam e nada de muito interessante acontece – na verdade, o tempo inteiro você fica se perguntando: “Por que não pegam a mangueira do caminhão de bombeiros e limpam todas as formigas que estão cercando o hotel“???

O mais interessante é que uma porcaria desse calibre tem a presença de atores famosos, como Foxworth, Linda, Suzanne e até Brian Dennehy. como o chefe dos bombeiros. Totalmente sem graça e sem emoção (quem é que vai ter medo de formigas, pô?), Formigas Assassinas é um daqueles filmes tão chatos que deveriam ser usados em pesquisas para a cura da insônia.

Interessante é saber que o roteirista Trueblood foi especialista no “terror animal” da época, assinando também os roteiros de Tarantulas: The Deadly Cargo, outra tranqueira feita para a TV (no mesmo ano), The Savage Bees (sobre abelhas assassinas, feito em 1976) e da continuação deste, The Revenge of the Savage Bees, de 1978 (abelhas se vingando?). Foi responsável, ainda, pela história de Tubarão 3-D, de 1983.

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Se você morre de medo de formigas e não pode ver um formigueiro que já sai gritando, então Formigas Assassinas é o filme para você. Mas… quantas pessoas existem que realmente têm medo de formigas? Ah, deixa pra lá. Poucas vezes uma péssima ideia envolveu tanta gente talentosa, gerando um péssimo filme. E o mais assustador de tudo é que aquelas pessoas realmente estão levando a coisa a sério, como se as formigas fossem uma ameaça horripilante, assustadora, catastrófica! Ainda bem que o gênero morreu. Caso contrário, hoje estaríamos vendo filmes de gafanhotos assassinos… ou pulgas!

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

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