Nunca Brinque com os Mortos (2001)

Nunca Brinque com os Mortos (2001) (4)

Nunca Brinque com os Mortos
Original:Never Play with the Dead
Ano:2001•País:UK
Direção:Ray Kilby
Roteiro:David Fedash
Produção:Natalie Hervieu
Elenco:Terence Corrigan, Sarah Kayte Foster, Mohammed George, Richard Hanson, Mark Homer, Sophie Linfield, Kara Tointon

Como grande fã de cinema, tenho que confessar que às vezes aprecio ver filmes ruins. Aqueles que, de tão mal feitos, mal realizados, mal escritos e mal interpretados, acabam ficando engraçados.

Mas não estou falando de filmes como os da Troma (The Toxic Avenger), ou O Ataque dos Tomates Assassinos, que são filmes avacalhados de propósito, e sim de filmes em que o diretor levou seu trabalho a sério e acreditou que aquilo realmente poderia render uma bela obra.
Sou fã em particular do filme Fuga do Bronx, de Enzo G. Castellari (uma porcaria, cópia de Fuga de Nova York), de Piranha 2 – Assassinas Voadoras, de James Cameron, e muitas outras ruindades…

Falavam tão mal deste Nunca Brinque com os Mortos que isso atiçou minha curiosidade. Afinal, se era mesmo tão ruim, talvez eu até achasse divertido. Que nada…
Tem alguns filmes que não seguem a linha “de tão ruins são bons“. Existem filmes que são MUITO RUINS MESMO! Tipo Psicopata Americano 2, por exemplo. E Nunca Brinque com os Mortos.

Nunca Brinque com os Mortos (2001) (5)

Nunca mais vou desconsiderar um aviso do amigo Marcelo Milici, que alertou para que ninguém alugasse esta fita. Nunca Brinque com o Mestre do Boca do Inferno! Este filme é ruim demais!
Sabe o que é você ver um filme de 1h30min onde NADA acontece??? Não sabe? Então veja Nunca Brinque com os Mortos.

O filme não explica nada, não mostra nada e não justifica nada.

Também não acontece nada, não morre ninguém, não tem sustos, não tem arrepios… logo, desperdício total!

Os créditos de abertura tentam dar uma explicação forçada da história, alternando cenas de um ritual de sacrifícios com a construção de um casarão (entenderam, manés???? didaticamente, eles quiseram mostrar que uma casa foi construída em cima de um antigo local de sacrifício humanos! dãããããã!!!). Nesta casa, lá pelos anos 50 (pelo menos é o que aparenta pelos figurinos), quatro garotos (um deles paralítico) tentam entrar no tal casarão abandonado. Três entram e não dão mais sinal de vida. O quarto fica do lado de fora gritando por ajuda, no escuro… Pessoal, só vendo para vocês acreditarem na ruindade das interpretações da garotada… Em um momento, um dos garotos reluta em entrar na casa e o outro levanta o punho fechado para ameaçá-lo. No outro, o paralítico do lado de fora fica gritando: “Help, help“, sem a mínima emoção ou cara de medo… Que horror!

Um salto no tempo e estamos na época atual, onde um grupo de jovens tenta deixar o casarão em ordem para fazer uma festa rave. Nenhuma explicação sobre o desaparecimento das três crianças no início do filme. Achei que lá pelas tantas ia entrar aquele clichê característico, tipo assim:

– Personagem 1 olha para personagem 2:
PERSONAGEM 1:Cara, você sabe o que aconteceu nesta casa?
PERSONAGEM 2 (com cara de medo):O quê?
PERSONAGEM 1 (com cara sinistra):Três crianças desapareceram aqui dentro e nunca foram encontradas“.

Nunca Brinque com os Mortos (2001) (1)

Ou então diferente:

– Personagem 1 olha para personagem 2 com cara de medo:
PERSONAGEM 1:Esta casa me dá arrepios…
PERSONAGEM 2:Em mim também. Dizem que ela é mal-assombrada… Uns garotos sumiram aqui dentro.

Enfim, qualquer menção à suposta maldição da casa, mas nada acontece. Os garotos foram encontrados mortos???? Os garotos simplesmente sumiram do mapa????? Os garotos voltaram para casa e morreram em sete dias, quando Sadako foi buscá-los???????

Lá pelas tantas, chega um cara de caminhão para entregar um gerador para a festa. O motorista olha desconfiado para o casarão e inicia um diálogo com o jovem. Aqui pensei que o cara ia dar umas dicas para o jovem, tipo, “cuidado aí, garotos, esta casa tem fama de mal-assombrada“, ou algo do gênero, mas, novamente, NADA!!!!

Passa meia hora e o filme vai se arrastando. Nenhuma manifestação sobrenatural, apenas sustos tolos quando amigos assustam amigas e vice-versa. Tramas paralelas começam a surgir. O DJ briga com o eletricista. O organizador da festa é cobiçado por duas meninas (esta trama paralela se arrasta do início ao fim sem emoção ou conclusão). Uma outra menina ganha fama de louca ao imaginar que há algo de estranho na casa (clichê máximo desse tipo de história!).

 

Enfim, aparece o fantasma de um menino. Por fantasma entenda-se uma criança caminhando no corredor, sem maquiagem, sem expressão sinistra, sem aparece/desaparece ou coisa que o valha. NADA! E mesmo assim a garota que vê tem certeza de que se trata de um fantasma!!!!!! Ainda se estivesse coberto com um lençol branco…

Nunca Brinque com os Mortos (2001) (2)

O tempo segue passando. Nada dos fantasmas voltarem… O gerador insiste em explodir infantilmente, deixando a casa no escuro por alguns segundos (situação que se repete tantas vezes que você até pára de contar). O triângulo amoroso esquenta, a menina com fama de louca continua vendo coisas estranhas (mas os outros não), e a coisa vai, vai, vai… Quando você vê, já passou uma hora de filme e NADA ACONTECEU!

E na meia hora seguinte não melhora! O máximo de perigo pelo que os personagens passam é dois cabos de energia elétrica que se soltam do teto! Nunca ficamos sabendo se os fantasmas das crianças são amigáveis ou malvados, porque eles aparece por um segundo e desaparecem sem fazer nada… Em uma cena, por exemplo, um garoto aparece para um cara e nem mesmo a música se altera!!!!!!!! ARGH!!!!!

O diretor até desperdiça a melhor situação do filme (e a única digna de menção), ou seja, a casa que se modifica. Em um momento, por exemplo, uma sala está maior que antes, ou portas aparecem misteriosamente em alguns cômodos, ou corredores ficam trancados e não levam a lugar nenhum… Mas o espectador nunca se sente realmente emocionado com estas mudanças, por causa da incompetência do diretor. O ideal seria mostrar os personagens entrando em um cômodo, depois voltando para aquele em que estavam para descobrir que ele mudou totalmente (e o espectador também perceberia a mudança). Mas o diretor não pensou no “detalhe“.

E nem vamos falar da cena em que o grupo todo de amigos presencia fenômenos paranormais (tipo cadeiras girando no ar sozinhas, discos sendo lançados nas paredes, garrafas se quebrando), mas um minuto depois já estão calminhos e pensando em continuar a promover sua festa, como se nada tivesse acontecido!!!!!!!!!!!!!!

Lá pelas tantas você até sente vontade de dar um EJECT, mas resolve se remexer no sofá e ficar lá com cara de tacho, só para ver se alguma coisa vai acontecer, ou pelo menos para saber “como essa porcaria vai acabar“. Pois bem: preparem-se para o final mais ridículo da temporada!!!!!! Algo tipo “O Sexto Sentido + Ghost + Os Outros“, ou “Como é legal morrer e virar fantasma!!!” Argh!!!!!!!!! Eu mesmo quase me matei (e virei fantasma) quando vi que o fim era aquele mesmo…

Enfim, pessoal, se vocês não atenderem aos apelos do Marcelo, pelo menos atendam aos meus. Fiquem longe deste filme, não brinquem com os mortos e nem com os filmes ruins como este, prefira levar um outro para casa, pelo menos um “menos pior“. Porque a ruindade deste filme pode até dar pesadelos.

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

Um comentário em “Nunca Brinque com os Mortos (2001)

  • 19/02/2017 em 09:47
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    Comecei a ver, mas desisti ao ver a crítica.

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