Prisioneiros das Trevas (2001)

Prisioneiros das Trevas (2001) (7)

Prisioneiros das Trevas
Original:A Crack in the Floor
Ano:2001•País:EUA
Direção:Sean Stanek, Corbin Timbrook
Roteiro:Sean Stanek, Corbin Timbrook
Produção:S. Norris Johnson
Elenco:Mario Lopez, Gary Busey, Bo Hopkins, Rance Howard, Tracy Scoggins, Justine Priestley, Daisy McCrackin, Jason Oliver, David Naughton, Stephen Saux

Vou ter que começar a confiar mais no julgamento do Marcelo Milici

Ele disse que Nunca Brinque com os Mortos era uma bomba. Mesmo assim, eu resolvi conferir. Era uma bomba mesmo.

Ele disse que House of the Dead era péssimo. Eu achei que talvez não fosse “tão” ruim e resolvi conferir mais uma vez. Era tão péssimo como ele disse, talvez mais.

Por fim, o Marcelo também disse uma coisas bem feias sobre Prisioneiros das Trevas (A Crack in the Floor), uma produção independente do ano 2000, lançada em terras brasilis somente em 2003, como é usual. Não fui muito atrás do Marcelo e resolvi conferir, interessado que sou em filmes independentes.

Bem, amigos, desta vez eu não concordei com o Marcelo. Tudo aquilo que ele escreveu sobre o filme está errado. Acreditem ou não, Prisioneiros das Trevas é DEZ VEZES PIOR!!!!!!!

Prisioneiros das Trevas (2001) (5)

Prisioneiros das Trevas (argh! quem inventou este título???) conta a história de Jeremiah, um rapaz que, quando jovem, viu a mãe ser estuprada e morta por dois vagabundos. Como viviam reclusos em uma cabana no meio da selva, Jeremiah passou o resto da vida sozinho na cabana, desde a morte da mamãe. Até imaginei que ele fosse um bastardo necrófilo como o Norman Bates, com o cadáver mumificado da mãe dormindo na mesma cama. Que nada! O cara é uma bicha que fica escondida no porão da sua cabana, usando roupas que pegou não sei onde, lendo a Bíblia com um velho lampião a querosene (cujo combustível ele consegue não sei onde), e matando violentamente quem quer que se aproxime do seu “lar“.

Jeremiah enxerga o mundo através de uma rachadura no chão da cabana (daí o título original do filme), e isso é mera desculpa para os diretores mostrarem 500 vezes um close da rachadura no chão com os olhos do assassino por baixo.

O jovem demente passou os últimos 33 anos da sua vida matando e esquartejando quem quer se aproxime da sua cabana. Nunca fica bem claro o que ele faz com os cadáveres (pois não guarda na cabana), nem como ele consegue dar um fim nos veículos usados pelos intrusos, já que estes vão parar no fundo de um rio bem distante da cabana (será que ele sabe dirigir?).

Logo, um grupo de seis amigos, três casais de adolescentes chatos, maconheiros e viciados em sexo, escolhe bem aquela floresta sem graça para acampar. E, obviamente, acabam parando na tal cabana, onde viram presa fácil do malucão Jeremiah.

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Se houvesse um mínimo de criatividade no desenvolvimento da história, nas mortes ou na forma como a ação se desenrola, o filme até seria minimamente suportável. Mas não temos nada disso. Na verdade, Prisioneiros das Trevas é uma verdadeira regressão de tudo que se fez em matéria de cinema de horror nos últimos 40 anos.

É como se os diretores (meu Deus, DOIS DIRETORES pra fazer uma bosta dessas?????), Sean Stanek e Corbin Timbrook, ambos estreantes, nunca tivessem assistido a um filme de horror desde os anos 60… Eles trabalham com clichês em cima de clichês, e parece não terem qualquer domínio de narrativa ou roteiro. Para o leitor ter uma ideia, eles até mostram, pela milésima vez, o susto falso de uma moça tomando banho e a câmera se aproximando da cortina do banheiro como se fosse o olhar de um assassino (quando é o seu namorado, como todos nós estamos carecas de saber). Eles escondem o filme inteiro o rosto de Jeremiah, sem qualquer necessidade para isso (ainda se ele fosse deformado, mas que nada!). Eles insistem em não mostrar as cenas de violência, e quando mostram os efeitos especiais são paupérrimos e muitooo mal executados, incluindo um facão que passa no pescoço de um mané e não corta, apenas marca com sangue falso (até as mortes do meu filme amador, Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado, são mais reais, modéstia à parte). E os dois jacus não sabem nem enquadrar! Em uma cena, logo no comecinho, um casal entra na cabana para fazer sexo e o enquadramento deixa de fora a cabeça dos dois, mostrando somente o corpo (talvez eles tenham ficado fora da marcação)! Enfim, um fiasco completo.

Como se não bastasse, Stanek e Timbrook ainda fazem o filme passar verdadeiramente em câmera lenta. Tem apenas 1h30min, mas parece ter 4 horas de filme. Dos 10 minutos iniciais até os primeiros 60 minutos de filme, pouco ou nada acontece. A matança fica concentrada nos últimos 20 minutos. Era assim no primeiro Halloween também, mas pelo menos John Carpenter assustava o espectador com um clima mórbido e as aparições fantasmagóricas de Michael Myers. Mas é covardia comparar Stanek (que foi ator em Starman, de John Carpenter) e Timbrook ao mestre Carpenter, apesar da capinha do DVD nacional dizer que Prisioneiros das Trevas é o “melhor filme de horror desde Halloween” (sinceramente, acho que a distribuidora nacional que inventou isso para faturar uns trocados a mais).

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E olha que Prisioneiros das Trevas até tinha certo potencial para sair algo de interessante, já que a história (campistas que enfrentam o morador demente de uma velha cabana no meio do bosque) podia gerar algo parecido a Pânico na Floresta, se houvesse mais empenho e criatividade por parte dos envolvidos. Mas não existe nem empenho e nem criatividade, mesmo com os dois diretores tendo à sua disposição, sabe-se lá como, um elenco curioso, cheio de nomes conhecidos do cinema de horror classe B, e que desperdiçam sumariamente.

Temos, por exemplo, David Naughton, o lobo de Um Lobisomem Americano em Londres. Temos Gary Busey, um dos maiores vilões do cinema hollywoodiano (Máquina Mortífera, O Predador 2 e um punhado de outros), mais famoso por ter escapado de uma overdose violenta após ter cheirado quantidade cavalar de cocaína. Tem até Bo Hopkins, na sua milésima atuação como xerife durão (igual a Um Drink no Inferno 2 e Mensageiro da Morte), e a outrora bela Tracy Scoogins, que apareceu numa pá de filmes podreira da Full Moon, como Brinquedos Diabólicos.

Prisioneiros das Trevas (2001) (3)

A má notícia? Nem essa galera toda faz diferença no filme. Os diretores (“o horror, o horror…“) desperdiçam essa gente toda em papéis pequenos ou então em personagens secundários que nada têm a ver com a história principal. Naughton não aparece nem um minuto interpretando um enfermeiro psicopata, na encenação de uma história de horror contada por um dos rapazes (só para encher linguiça). Busey é outro desperdiçado, pois interpreta um freak que ataca dois dos jovens em um posto de gasolina, mas não tem qualquer relação com a trama principal e está aí apenas para tomar tempo. E Scoogins, além de aparecer meio minuto somente, nem tira a roupa – isso que a personagem dela é estuprada, mas não só fica vestida como os agressores a estupram USANDO AS CALÇAS!!! Sexo seguro é assim mesmo!

O péssimo roteiro ainda perde o maior tempo mostrando coisas que não acontecem em determinado momento, mas acontecem depois (bah!). Por exemplo: numa cena, o xerife interpretado por Hopkins vai averiguar a velha cabana, encontra alguns pertences das últimas vítimas de Jeremiah e é observado pelo assassino, que segura um garfo de feno. Ele vai ser morto, certo? Que nada! Hopkins sai da cabana, entra no seu carro, fuma seu cigarro e sai dirigindo. Quinze minutos depois, o mané resolve voltar à cabana. Entra, olha tudo de novo, é observado novamente por Jeremiah com o garfo de feno, e então é finalmente morto! Por que não “mataram” ele antes, ao invés de enrolar desnecessariamente??? Outra: um rapaz leva uma picaretada de Jeremiah e cai aparentemente morto. Mas reaparece milagrosamente cinco minutos depois… só para ser morto novamente, desta vez de forma definitiva!!! Fico pensando se os diretores não fizeram o filme ruim assim de propósito.

E o intervalo de quase 50 minutos entre o prólogo e o início da matança é preenchido da forma mais constrangedora possível, com os seis jovens andando de carro, fumando maconha e falando bobagem. Quer dizer, o roteirista parece não ter qualquer noção de que tipo de assunto os jovens de hoje conversam. Eu gosto de acreditar que os adolescentes falam sobre filmes, música, programas de TV, sobre uma futura profissão, sobre a faculdade, contam piadas, enfim, falam de tudo um pouco. Infelizmente, os adolescentes de Prisioneiros das Trevas só sabem falar de maconha (o tempo todo) e sexo (o tempo todo, mas ninguém faz nada).

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Por sinal, anote os nomes dos péssimos atores “teen” que protagonizam essa bomba. Seus cérebros deveriam ser doados à ciência, para que pesquisadores pudessem explicar a total ausência de emoção e sentimentos (pelo menos é dessa forma que eles “interpretam“). Eles são Daisy McCrackin (gatinha que apareceu também no péssimo Halloween Ressurreição, e deveria trocar de agente com urgência), Mario López (que deve ser amante dos diretores, pois não tem qualquer função na trama, mas é o único a ganhar closes e mais tempo em cena), Justine Priestley, Francesca Orsi, Bentley Mitchum (neto do grande Roberto Mitchum, ó, vergonha da família!) e Jason Oliver.

Nem como slasher movie o filme funciona, já que as mortes não têm um pingo de criatividade, as cenas não provocam qualquer emoção e tudo acontece fácil demais (Jeremiah nem se esforça muito para matar suas vítimas, pois elas são tão burras que não oferecem reação).

Stanek e Timbrook… Anote estes nomes ao lado do nome do Uwe Boll (o “diretor” de House of the Dead, outra bomba) e nunca, jamais, assista a algum outro filme deles.

Prisioneiros das Trevas (2001) (1)

E, como diz o Marcelo, fico com medo de imaginar qual será o pior filme realizado desde Halloween, se este aqui seria um dos melhores. Brrr… Isso sim é assustador!

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

Um comentário em “Prisioneiros das Trevas (2001)

  • 17/05/2015 em 16:10
    Permalink

    Mario Lopez fazia aquela série teen famosa “Galera do Barulho” (Saved By The Bell no original) que foi exibido no SBT durante a década de 90. Hoje ele é tipo o Luciano Huck dos EUA – Talvez por isso tenha mais cenas uhauhauha mas é um ator péssimo, realmente.

    Resposta

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