Santo y Blue Demon Contra El Doctor Frankenstein (1974)

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Santo y Blue Demon contra el doctor Frankenstein
Original:Santo y Blue Demon contra el doctor Frankenstein
Ano:1974•País:México
Direção:Miguel M. Delgado
Roteiro:Francisco Cavazos, Alfredo Salazar
Produção:Guillermo Calderón
Elenco:Santo, Blue Demon, Sasha Montenegro, Jorge Russek, Ivonne Govea, Carlos Suárez, Rubén Aguirre, Rubén Aguirre

Para a maioria da humanidade e para as pessoas “normais“, o nome Santo não significa nada – talvez aquele personagem mestre dos disfarces que foi interpretado por Val Kilmer num filme americano, e olhe lá. Agora, fã de trash que se preze não pode deixar de conhecer pelo menos um filme de El Santo, o maior herói do cinema mexicano de todos os tempos. Sim, porque antes do cinema americano monopolizar as estreias nas salas de todo o mundo, países como o México e a Turquia tinham uma grande e atuante indústria cinematográfica, que produzia centenas de filmes por ano, quase sempre copiando os clichês das aventuras vindas dos Estados Unidos.

E o gênero mais popular no México eram os filmes estrelados por heróis da luta livre. Este ciclo teve seu auge no México na década de 50, mas suas origens remontam aos anos 30, quando a luta livre (também conhecida como “telecatch“) foi introduzida em território mexicano pelo promotor Salvador Lutteroth. Em 1933, ele importou a ideia de lutadores mascarados que já fazia sucesso nos Estados Unidos. O fato de os lutadores usarem máscaras dava um ar de mistério quase mitológico aos combates: aquele que perdia era obrigado a retirar a máscara, revelando seu verdadeiro rosto – o que, normalmente, representava o fim da sua carreira, pois o público adorava ver seus heróis mascarados, e enxergar seus rostos tirava toda a magia da coisa.

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Em 1952, estrearam no México dois filmes estrelados por heróis da luta livre. O mais famoso deles era El Enmascarado de Prata (O Homem da Máscara Prateada), que lançava pela primeira vez o personagem El Santo: um lutador de telecatch chamado Rodolfo Guzmán Huerta, que usava uma máscara prateada no ringue e continuava com ela do lado de fora, quando combatia o crime. Este primeiro filme já lançou as bases do gênero: enquanto heróis como Batman e Homem-Aranha tem identidades secretas e precisam vestir seu uniforme para lutar contra o crime, El Santo é sempre El Santo, dentro e fora do ringue, sendo que usa sua máscara diariamente – e até dorme com ela!

O sucesso foi tão grande que filmes estrelados por El Santo começaram a ser feitos praticamente todo ano – sucesso semelhante ao do quarteto cômico Os Trapalhões no Brasil, que também lançava um filme religiosamente todo ano. Mas foi somente a partir de 1956, com a aventura/suspense El Ladrón de Cadaveres, que o herói mascarado passou a enfrentar ameaças sobrenaturais. A partir de então, ele começaria a lutar rotineiramente contra zumbis, lobisomens, vampiros, Frankenstein (o monstro, o criador e até parentes próximos do doutor, como sua filha e seu neto!!!), múmias, marcianos e todo tipo de inimigo fantástico. Com Santo Contra Los Zombies, de 1961, o herói foi transformado, definitivamente, em um “James Bond do terceiro mundo“, contando com um laboratório próprio, um assessor na polícia, armas modernas (para a época) e até um carrão incrementado e cheio de acessórios.

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Porém, ao contrário do que acontecia na série James Bond, os filmes de El Santo não tinham linearidade nem continuidade. O que acontecia numa aventura não se refletia, necessariamente, no filme posterior. Assim, se El Santo acabava com uma mocinha em Santo Contra los Zombies, no ano seguinte, em Santo Contra Las Mujeres Vampiro, não havia qualquer menção à mocinha anterior e já aparecia um novo interesse amoroso; se ele era inimigo do também mascarado Blue Demon em uma aventura, na outra eles podiam aparecer como amigos! Outra curiosidade é que todas as histórias de El Santo começam nos ringues (normalmente com uma “dramática” luta do herói contra algum outro adversário mascarado), depois se desenrolam em um ambiente fora do seu “habitat natural” e, finalmente, voltam aos ringues para a conclusão.

No espaço de uma década entre sua estreia cinematográfica e os filmes envolvendo monstros e seres espaciais, El Santo converteu-se num verdadeiro herói da América Latina. Apesar da total pobreza de recursos, do amadorismo geral das produções e da incoerência dos roteiros (misturando, muitas vezes, gângsters, múmias e robôs no MESMO filme!!!), suas aventuras tinham um charme todo especial e muitos, mas muitos fãs mesmo, e de todas as idades, das crianças aos adultos. Logo os filmes começaram a ser importados para cinemas dos Estados Unidos, Colômbia, Equador, Porto Rico, Espanha e até Brasil! Sim: entre os anos 70 e 80, aqueles cinemas mais fuleiros, que exibiam porcarias de Hong-Kong e filmes pornográficos, chegaram a passar também as películas de El Santo! Infelizmente, nenhuma delas chegou a sair em vídeo no país.

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A partir de 1964, outros produtores mexicanos começaram a investir no filão “filme de luta livre“, em busca de um novo herói aos pés de El Santo. Surgiu um outro herói mascarado, Blue Demon (Demônio Azul), interpretado por Alejandro Muñoz, e que vestia uma máscara idêntica a de Santo, só que azul (óbvio!). Ele estrelou diversos filmes, como Blue Demon Contra El Poder Satánico, mas sem o mesmo sucesso do ídolo El Santo. Até que os produtores resolveram juntar os dois mascarados. Primeiramente, Blue Demon foi um antagonista de El Santo na aventura Santo Contra Blue Demon en La Atlantida, de 1969. Porém, o público gostou do então vilão e os roteiristas resolveram transformá-lo em parceiro do Santo nas produções seguintes. Esta parceria foi vista em nove filmes. Santo y Blue Demon Contra El Doctor Frankenstein é o mais famoso deles.

No total, El Santo participou de 52 filmes mexicanos, com títulos malucos como Santo Versus La Invasion de Los Marcianos, Santo en el Tesoro de Dracula, Santo Contra la Hija de Frankenstein e Santo en el Misterio de la Perla Negra. Foram mais aventuras cinematográficas que qualquer outro herói do cinema, de James Bond aos super-heróis tipo Superman e Homem-Aranha. O personagem também originou todo tipo de produtos fora das telas de cinema: brinquedos, revistas em quadrinhos, fotonovelas e muitas outras quinquilharias. O curioso é que El Santo também era El Santo fora dos ringues e dos sets dos filmes: Huerta praticamente vivia com sua máscara prateada e não deixava-se fotografar sem ela, de forma que a maior parte dos seus fãs não faziam a menor ideia de quem ele era ou como era seu rosto.

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Finalmente, em 1984 (exatamente 50 anos depois de ter iniciado sua carreira nos ringues), Huerta participou de um popular programa de TV mexicano, chamado “Contrapunto“, e finalmente tirou a máscara em público – o programa bateu recordes de audiência. O ídolo das multidões sabia que seu reinado estava se acabando… Exatamente dez dias depois, morreu de ataque cardíaco, em 5 de fevereiro de 1984, com a idade de 66 anos. Mas a lenda não morreu ali. Três anos antes, em 1981, Huerta tinha sido apenas coadjuvante no filme Chanoc Y El Hijo de Santo Versus Los Vampiros Assassinos, quando aparecia passando a máscara prateada para seu filho, Daniel Garcia. Este assumiu o nome “El Hijo del Santo” (O Filho de Santo), estrelando três filmes – sem jamais fazer o mesmo sucesso que o pai, mas pelo menos deixando o personagem na ativa. A mais recente produção de El Hijo del Santo chama-se Infraterrestre e é de 2001 – agora com efeitos digitais e muita computação gráfica, numa produção que é totalmente o oposto dos velhos e bagaceiros filmes estrelados pelo seu pai.

Santo y Blue Demon Contra El Doctor Frankenstein foi feito em 1974 e é um dos melhores cartões-de-visita para quem pretende conhecer este bizarro subgênero cinematográfico. A direção é de Miguel M. Delgado, que em sua carreira fez mais de 130 filmes (!!!), três deles com El Santo. Já o roteiro é a adaptação de uma história em quadrinhos do herói escrita por Alfredo Salazar e adaptada para o cinema por Francisco Cavazos. Realmente, a impressão que se tem ao ver o filme é de estar lendo uma história em quadrinhos. Tudo na história é tão bizarro e surreal que não acreditamos, por um momento que seja, que se trata do mundo “real” que está sendo retratado. A frase no cartaz de cinema diz o seguinte: “El creador de monstruos y cadaveres vivientes de bellas mujeres se enfrenta a los defensores de la justicia!“. Sentiu o clima?

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Para começar, os dois heróis (Santo e Blue Demon) andam o filme inteiro mascarados, mesmo quando levam suas namoradas a restaurantes chiques para um jantar romântico – acredite, não tem como segurar a risada ao ver os dois fortões de terno, gravata e… máscaras!!! Pior: todo mundo aceita com a maior naturalidade o fato da dupla andar sempre mascarada, inclusive as namoradas, que beijam os dois com máscara e tudo! Embora sejam apresentados como lutadores de telecatch (seguindo a rotina dos filmes anteriores, este também começa e termina com lutas no ringue), Santo e Blue Demon também são mostrados como veteranos e experientes combatentes do crime. Tanto que a própria polícia pede ajuda à dupla quando não consegue resolver os misteriosos crimes que assustam a cidade!!!

O filme começa com uma loirinha (Lina Michel) andando por uma rua sinistra, com um suspeito nevoeiro de gelo seco, típico dos filmes B. Ela ouve passos às suas costas, porém sempre que vira não vê ninguém. Então, subitamente, aparece um negão enorme com uma peculiar cicatriz no topo da cabeça, que a agarra. No momento seguinte, ela já está amarrada a uma maca, com outra garota desacordada ao seu lado. Entra então em cena o Dr. Irving Frankenstein (Jorge Russek, que atuou em pelo menos um filme realmente famoso, 007 – Permissão para Matar, de 1989). Ele é neto do famoso Dr. Frankenstein da literatura e, surpreendentemente, tem 113 anos de idade num corpinho de 50. Acontece que ele aperfeiçoou uma fórmula da juventude que permite que viva eternamente! hahahaha.

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Então você pensa: “Porra, se o cara inventou a fórmula da juventude, o que mais ele pode querer da vida?“. Pois é, parece que o Dr. Irving Frankenstein é tipo o Dr. Evil, o vilão da série cômica Austin Powers: ele não perde a maldade nem quando poderia ser um homem bem-sucedido. No caso, ao invés de se transformar no cara mais importante e poderoso do planeta ao tornar pública a sua fórmula da juventude, o que lhe garantiria ganhar uma fortuna de trilhões de dólares, o cientista louco prefere conquistar o mundo de outra forma, criando zumbis controlados por rádio, como Golem, o tal negrão enorme que aprisionou a garota no início do filme. Pode?

E como loucura pouca é bobagem, o Dr. Frankenstein ainda se dedica, nas horas vagas, à experiência de troca de cérebros. Ele pretende aperfeiçoar a técnica para poder ressuscitar a esposa, que morreu de câncer cerebral e é mantida conservada num caixão de vidro – só esqueceram de avisar ao cientista que o corpo será o mesmo, mas a personalidade da mulher vai mudar totalmente na hora que um outro cérebro for inserido no crânio da pobre coitada! Infelizmente, o Dr. Frankenstein ainda não aprendeu a fazer corretamente o transplante de cérebros, e as duas moças que usa como cobaia morrem logo após a cirurgia, apesar dos esforços do ajudante do vilão, o Dr. Genaro Molina. Atenção, fãs de Chaves e Chapolim: o Dr. Molina é interpretado por ninguém menos que Rubén Aguirre, o inconfundível Professor Girafales, transformando cada uma das suas aparições em cena num festival de gargalhadas, ainda que ele esteja interpretando um vilão!

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Com as moças mortas, o Dr. Frankenstein resolve fazer o mais óbvio: ao invés de cremar ou dar um fim nos cadáveres, ele as transforma em zumbis (!!!), para que elas saiam às ruas matando seus familiares. hahahaha. Isso, claro, chama a atenção da polícia. Mas, como toda polícia em filmes do gênero, os homens da lei aqui também estão completamente perdidos, sem pistas. Então, certa noite, o Dr. Frankenstein assiste ao telecatch na TV e praticamente se apaixona por El Santo, que está combatendo dois lutadores sem máscara ao lado do parceiro Blue Demon. O vilão acredita que o cérebro de El Santo seria uma preciosa aquisição (hahahahaha), podendo dar mais força e agilidade aos seus zumbis controlados por rádio – sabe-se lá como ele chegou a esta conclusão!

Mas o vilão sabe que lutar contra El Santo é impossível. Afinal, “El Enmascarado de Prata” é o herói da película, com seu nome no título e tudo! Então, Frankenstein manda seus capangas sequestrarem a namoradinha do lutador, Alicia Robles (a bonita Sasha Montenegro), que trabalha num laboratório. Ela é levada pelos gângsters e o herói é chantageado: ou se entrega voluntariamente para a cirurgia de retirada do seu cérebro, ou a mocinha morre. Porém, quando o plano do vilão é melado por Blue Demon, Frankenstein tenta uma última e desesperada cartada: coloca uma máscara em Golem, transforma-o em um lutador de telecatch chamado “Mortis” (hahahaha) e marca uma luta contra El Santo, ordenando que o zumbi mate o herói no ringue!!!! Será que o vilão conseguirá concretizar seu macabro objetivo?

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Qualquer pessoa normal (volto a frisar) desviará seus olhos de Santo y Blue Demon Contra El Doctor Frankenstein após menos de cinco minutos de projeção. Mas elas não sabem o que estão perdendo, porque o filme é divertidíssimo e, em seus clichês e sua total ingenuidade, também é muito engraçado. Analisando pelo lado técnico, o filme é uma bomba. Rodado com uma mixaria, usa e abusa de cenários coloridos, quase psicodélicos. As cenas de luta no ringue são pessimamente filmadas, com a câmera imóvel num quadro abertíssimo, mostrando todo o ringue (sem nunca dar closes nos rostos dos lutadores ou nos golpes desferidos, talvez para não revelar que os golpes fajutos passam a “quilômetros” das vítimas). Para piorar, os planos são intermináveis, de dar sono nesta época de “edição videoclipe“. Alguns diálogos até lembram uma peça teatral, porque o diretor simplesmente coloca a câmera para rodar e os atores ficam conversando na sua frente por até cinco minutos – com a câmera estática, sem realizar um único movimento que seja!!!

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Por outro lado, as cenas de ação fora do ringue são bem filmadas e mostram que, se El Santo e Blue Demon são péssimos atores (e o que esperar de dois caras que ficam com o rosto coberto por máscaras o tempo todo, e ainda têm as vozes dubladas???), pelo menos são bons na coreografia. Quando saem na porrada com os capangas do Dr. Frankenstein, por exemplo, sai sopapo para todo lado e alguns golpes são bem realistas – outros puxam para o pastelão, lembrando as velhas comédias d’Os Trapalhões.

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E os cenários são um complemento à aura trash que permeia todo o filme. O laboratório do Dr. Frankenstein, por exemplo, tem enormes computadores que, na verdade, são umas caixas prateadas com luzinhas piscando. Em certo momento, o vilão pede ao Dr. Molina que acesse o computador para obter um “diagrama de corte cranial“. Molina/Girafales simplesmente caminha até a caixa prateada/computador e gira um trumbico que parece aqueles seletores dos velhos aparelhos de TV (lembram?), e logo sai uma folha de papel com o diagrama por uma fenda na parte de baixo da caixa!!!! hahahaha. Em outro momento, Frankenstein grita: “Estamos perdendo o fluido! Programe os transístores no cerebelo para o máximo“, ou alguma bobagem do gênero. Molina simplesmente se aproxima de outra caixa prateada/computador e aperta todo e qualquer botão colorido ao seu alcance, e então diz: “Transístores na potência máxima!“. hahahahaha. O cenário do laboratório onde Alicia trabalha também é o clichê do clichê: um lugar cheio de garrafas e tubos de ensaio com líquidos coloridos soltando fumaça!!!! hahahahaha

O roteiro, por sua vez, é um festival de frases bobocas. Quando duas belas policiais são escolhidas pelo comissário de polícia para investigar o caso, por exemplo, o Dr. Frankenstein fica preocupado e solta a pérola: “Policiais de calças não me metem medo, mas não suporto policiais de saias. Tenho medo da sua intuição feminina“. hahahahaha. Outra pérola é dita pelo vilão quando seu assistente, Molina, pergunta porque ele quer ressuscitar as duas moças mortas no início do filme, ao invés de simplesmente livrar-se dos cadáveres. Pois Frankenstein responde, sem nem pensar: “Porque eu quero aterrorizar a sociedade, e mostrar à polícia o tipo de gênio com que eles estão lidando!“. hahahaha. Modéstia nunca foi o forte da família, percebe-se…

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Um outro momento singular do filme é quando o enorme Golem enfrenta quatro policiais mexicanos (metidos num ridículo uniforme azul claro). Os homens da lei disparam insistentemente contra o zumbi, mas ele, logicamente, segue andando em frente, com o peito todo furado de balas (só não espere ver sangue na cena, porque aparentemente a produção não tinha dinheiro para fazer sangue falso) e mantendo a mesma expressão facial que exibe durante todo o filme – o que me leva a acreditar que os produtores tenham contratado um zumbi real!!! Finalmente, ao se aproximar dos policiais, Golem abraça cada um deles (abraça mesmo, como se fossem namoradinhos!!!), e escutamos um ridículo efeito sonoro tipo “crec-crec-crec“, que tenta nos fazer acreditar que a espinha dos pobres coitados está sendo quebrada!!! hahahaha. Então, na manhã seguinte, o comissário de polícia lê a manchete do jornal: “Monstro indestrutível faz quatro policiais em pedaços“. Antes que você tenha tempo de perguntar como o jornalista que fez a manchete sabia que havia um “monstro indestrutível” na cena, o comissário lê a linha de apoio da manchete: “Uma das vítimas viveu tempo suficiente para contar tudo o que havia acontecido!“. hahahahahahaha. Genial, genial…

Como você certamente já percebeu, Santo y Blue Demon Contra El Doctor Frankenstein é um filme para pessoas bem humoradas e, necessariamente, apreciadoras de podreiras, ruindades, enfim, trash total. Mas é inegável que El Santo tem certo charme, e ver esta colorida e divertida tralha made in Mexico me transformou automaticamente em “Santomaníaco“. Tanto que no momento seguinte já encomendei outros quatro filmes do astro mexicano. Se você não é tão louco quanto eu e prefere não pagar 40 reais por DVD das aventuras de El Santo, recomendo procurar pelos filmes na internet, onde várias das produções podem ser encontradas em arquivos com boa qualidade de imagem e até legendas em inglês – embora o espanhol falado pelos atores seja nítido e facilmente entendível.

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Achei muito divertido o fato de as histórias implausíveis de El Santo se passarem em um universo claramente ficcional e, embora eu não consiga aceitar o fato do herói passar o tempo todo mascarado (até para dormir e nadar, o que chega a dar raiva no espectador), confesso que achei muito engraçado o esquema-padrão das aventuras de El Santo, que começam e terminam no ringue e, no meio, mostram o lutador enfrentando todo tipo de ameaça sobrenatural, quase como um Fox Mulder ou Batman dos pobres, que conta apenas com a força dos seus punhos como arma. Acredite se quiser, mas não se fazem mais filmes assim, ingênuos e divertidos. Qualquer filme de fantasia que você assistir hoje em dia terá toneladas de efeitos de computação gráfica, explosões e mil-e-um malabarismos de dublês – mesmo as produções mais baratas e bagaceiras. Por isso, é quase impossível não deixar-se contaminar pelo clima antiquado e mambembe das aventuras de El Santo, em seus coloridos cenários de papelão com efeitos de fundo de quintal. Arrisque uma olhada, mas esteja preparado: você também poderá se transformar em um novo “Santomaníaco“!!!

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E, definitivamente, não é todo dia que você vai ver dois fortões de máscara colorida surrando zumbis, gângsters, um parente do Dr. Frankenstein e até o Professor Girafales!!! Isso sim que é trash!

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

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