Diário de um Exorcista – Zero (2016)

Diário de um Exorcista (2015)

[Filme poster=”http://bocadoinferno.com.br/wp-content/uploads/2016/05/Diário-de-um-Exorcista-2016-1-2.jpg” nacional=”Diário de um Exorcista – Zero” ano=”2016″ original=”Diário de um Exorcista – Zero” pais=”Brasil” diretor=”Renato Siqueira” roteiro=”Luciano Milici, Renato Siqueira” produtora=”Renato Siqueira, Beto Perocini, Wagner Dalboni” elenco=”Renato Siqueira, Fabio Tomasini, Diego Andrade, Adriano Arbol, Priscilla Avelar, Celso Batista, Fábio Cadôr”]

[Avaliação nota=”3″]

Mesmo sendo um país extremamente religioso, o Brasil – com seus milhões de fiéis católicos espalhados do Oiapoque ao Chuí – até então não tinha seu legítimo longa sobre exorcismo em sua filmoteca, daqueles que segue o padrão popularizado por O Exorcista, de William Friedkin.

Agora, depois de longos quatro anos desde que a ideia surgiu na cabeça do diretor paulistano Renato Siqueira, e três da publicação do livro homônimo escrito por Luciano Milici, com o lançamento do aguardado Diário de Um Exorcista – Zero, espécie de prequela para uma trilogia que vem por aí, finalmente habemus nosso exemplar do subgênero, descontado aí Exorcismo Negro de José Mojica Marins.

Toda e qualquer produção nacional merece ser vista por um prisma diferente, por, na maioria das vezes, ser completamente independente, com parco investimento, falta de interesse em financiamento e aprovação das leis de incentivo, e a enorme dificuldade e bravura dos cineastas em ir na contramão do dramas novelescos, favela movies e das comédias de gosto duvidoso produzidas em nosso país e que levam multidões aos multiplex.

Diário de um Exorcista (2016) (1)

Ainda assim, marginal como só ele, o horror nacional vive seu melhor momento, passando por uma espécie de “cinema de retomada”, e Diário de Um Exorcista – Zero é mais um para engrossar esse caldo de boas surpresas, dentro de suas próprias limitações.

A princípio, ele padece do mesmo problema que absolutamente TODOS os filmes sobre o tema, incluindo os longas hollywoodianos, de se apegar aos chavões, clichês e fórmulas prosaicas, e com isso eu quero dizer tanto os efeitos da possessão em suas vítimas, passando pelos olhos negros sem pupilas, voz gutural, insinuações sexuais, blasfêmias e alta flexibilidade de corpos com suas espinhas retorcidas, até a panfletagem extremamente carola e maniqueísmo de praxe.

Mas é com louvor que vemos a ousadia em um longa nacional abordar o tema, com seu certo ar de crendice e religiosidade interiorana – terreno bastante fértil para o tema – e investir boa parte de seu orçamento em efeitos especiais que são verdadeiramente convincentes e até assustadores para os mais incautos. Logo em sua primeira cena, por exemplo, toda atmosférica e envolvente, vemos uma garota possuída andando toda torta, ao melhor estilo Regan McNeil na escadaria, que não deixa nada a dever para as produções gringas.

Diário de um Exorcista (2016) (7)

A história, baseada em fatos reais e escrita a quatro mãos por Siqueira e Milici, acompanha a vida do Pe. Lucas Vidal, um dos mais conhecidos e eficazes exorcistas da América Latina, que passa a contar seus causos em entrevista para uma dupla de cineastas interessada em fazer um filme sobre o tema. Desde sua infância, em Santa Bárbara das Graças, que foi tomada por uma tragédia familiar, envolvendo as forças das trevas, e serviu como uma espécie de despertar da fé para o jovem Lucas, que resolve entrar no seminário e tornar-se um padre.

Já adulto, interpretado pelo próprio Siqueira, que também dirige e produz o filme, ele torna-se pupilo da controversa dupla de padres exorcistas, Thomas e Pedro Biaggio, e descobre que na verdade está fadado a combater, munido de crucifixo e estola, os demônios que o rodeia, em uma batalha contra essas abominações profanas que crescem em número e poder a cada dia, que usarão de todas as artimanhas possíveis, incluindo laços familiares, para tentar desestabilizar o jovem sacerdote.

Algumas cenas em específico impressionam bastante, como a sequência em que o Pe. Lucas precisa exorcizar sua própria irmã, Paula, interpretada por Cibelle Martin, num típico ritual romano, onde os efeitos especiais, sonoros e maquiagem são bastante críveis e de alto nível. O ponto fraco, além da história batida por excelência e o caminhão de clichês que a cartilha do subgênero manda, é a estética amadora, típica de algumas produções nacionais independentes de baixo orçamento, apesar de toda louvável tentativa de esmero da parte dos idealizadores, e o grosso da atuação e dramaturgia do elenco, onde ambos dão aquele gosto ruim de produção feita para a TV aberta.

Mas Diário de Um Exorcista – Zero, que já está disponível em DVD e VOD, com distribuição da Europa Filmes, vale pela experiência de ver o cinema de horror nacional adentrar no tema, que apesar de ser muito explorado lá fora, é uma novidade em terra brasilis, e como um aperitivo que aguça a curiosidade com relação a trilogia que está por vir, composta por Diário de Um Exorcista – A Gênese do Mal (em produção), Diário de Um Exorcista – Possuídos e Diário de Um Exorcista – Apocalipse, com maior orçamento, recursos e a promessa de efeitos especiais de última geração.

Marcos Brolia

Fanático por filmes de terror desde que se conhece por gente, dos classudos aos bagaceiras! Adoraria ter um papo de boteco com o H.P. Lovecraft.

7 comentários em “Diário de um Exorcista – Zero (2016)

  • 03/10/2017 em 23:29
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    Acho louvável a iniciativa deles em investirem em um gênero assim no Brasil mas infelizmente deixa muito a desejar com as atuações, roteiro, diálogos e enquadramento.
    Baixo orçamento não é desculpa para isso pois vemos o contrário acontecer e ser um verdadeiro fracasso.
    Exorcistas não são escolhidos como os irmãos “Winchester”, há um curso no Vaticano só para padres indicados por bispos e que fazem uma seleção bem rigorosa, justamente para evitar que uma doença psíquica seja diagnosticada como exorcismo. Não é “você agora é exorcista, pega essa cruz, reza e grita com o demônio aí”. É preciso mais cuidado na pesquisa para o roteiro, já que se propuseram a afirmar que foi baseado em uma história real” devem ser fiéis aos procedimentos também para que ninguém, mais suscetível, se ache apto a sair por aí com uma cruz e gritando com demônios para expulsá-los. O exorcismo é um tema muito sério e o filme só traz mais do mesmo. Desejo que as próximas produções sejam cada vez melhores, porém, pra mim, esse deixou muito a desejar.

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  • 10/08/2017 em 23:21
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    Péssimo…Não consegui assistir até o fim. Constrangedor!

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  • 08/11/2016 em 23:58
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    Sabendo o quanto é difícil fazer cinema no Brasil e ainda mais do gênero do horror, pra mim esse filme foi uma grata surpresa. Tem suas limitações é lógico, mas me surpreendeu positivamente.

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  • 16/08/2016 em 15:53
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    ” onde os efeitos especiais, sonoros e maquiagem são bastante críveis e de alto nível.”

    Desculpa, mas… não mesmo.

    Fora os diálogos pavorosos.
    Uma caveirinha pra esse filme e olhe lá.
    Mas enfim, toda iniciativa no gênero já é algo.

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    • 15/08/2017 em 08:17
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      Sim, não funciona mesmo!
      Desisti logo no início quando a possuída assume umas das posições da Reagan no exorcista.

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  • 31/05/2016 em 02:16
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    Quando será o lançamento em DVD?
    Vai sair em Blu-ray também?
    Terá alguma edição especial de colecionador?

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