
![]() Hell House LLC: A Herança
Original:Hell House LLC: Lineage
Ano:2025•País:EUA Direção:Stephen Cognetti Roteiro:Stephen Cognetti Produção:Joe Bandelli Elenco:Elizabeth Vermilyea, Searra Sawka, Mike Sutton, Joe Bandelli, Cayla Berejikian, Victoria Andrunik, Gideon Berger, Bridget Rose Perrotta, Destiny Leilani Brown, Nicholas Stoesser, Emily Fan, Michael Caprioli |

Stephen Cognetti está subindo degraus mais rápidos que suas próprias pernas seriam capazes — é isso pode ser um problema. Depois de dirigir três curtas, em 2015, ele realizou o found footage Hell House LLC, apresentando uma equipe de documentaristas em busca de respostas sobre uma tragédia ocorrida no dia do lançamento de uma “casa de horrores“. No tal Hotel Abaddon, eles descobrem da pior forma que existe algo sinistro por lá envolvendo ritual, vultos, possessões e bonecos de palhaços. Mesmo com atuações não tão convincentes e o uso de clichês da câmera em primeira pessoa, o longa foi até bem e condicionou a realização de uma parte 2, lançada em 2018: Hell House LLC II: The Abaddon Hotel.
Sob o mesmo formato, outra equipe vai ao local em busca de uma pessoa desaparecida, levando a tiracolo um médium. Quase uma refilmagem do anterior, o longa caminha bem até o aprofundamento da mitologia, quando se descobre que um tal Andrew Tully realizava rituais no porão para abertura de um portal. O jantar “Massacre da Serra Elétrica” expõe sua qualidade inferior e quase prejudica o resultado final, sendo ainda considerado aceitável. Empolgado com sua franquia, Cognetti lançou Hell House LLC III: Lake of Fire no ano seguinte, apresentando uma personagem que terá uma importância significativa na mais recente produção da série.

Como o hotel está em vias de ser demolido, o rico empresário Russell Wynn (Gabriel Chytry) planejava encenar uma representação de Fausto no local. Para acompanhar os bastidores, a jornalista Vanessa Shepherd (Elizabeth Vermilyea), do programa Morning Mystery, testemunha o ritual do “lago de fogo” e a abertura do portal, com mais sequências parecidas envolvendo bonecos de palhaços e possessão. Já seria um final não tão bom, mas adequado, se terminasse por aí. No entanto, Cognetti fez a prequel Hell House – A Origem, em 2023, em uma nova ambientação e uma proposta que parecia não se conectar com a trilogia.
A morte da família Carmichael conduz investigações na mansão para tentar entender o que aconteceu. Em 89, o jovem Patrick (Gideon Berger) sofreu um acidente de automóvel que ocasionou a morte de sua irmã Margaret (Victoria Andrunik) e os futuros assassinatos de sua mãe Eleonor (Marlene Williams) e da filha Catherine (Cayla Berejikian). Ele e o pai, Arthur (Robert Savakinus), desapareceram e foram apontados como responsáveis pelos crimes. Nos dias atuais, duas moças de um site de investigação paranormal, Margot Bentley (Bridget Rose Perrotta) e Rebecca Vicker (Destiny Leilani Brown), vão à casa para investigar, e entre os depoimentos sobre a casa e que dão origem à narrativa estão os dos fundadores do site NetSleuths, Bradley Moynahan (Darin F. Earl II) e Alicia Cavalini (Searra Sawka). Sobre a mitologia da franquia, é mostrado que Andrew Tully, o líder do culto que construiu o Hotel Abaddon, conheceu Thomas Rollins e Freddy Perkins, dois homens que administravam uma barraca de jogos “Down-a-Clown” na feira em Clarksburg, West Virginia. Unindo-se aos rapazes, eles iniciaram um culto, envolvendo palhaços, e um dos envolvidos é exatamente Patrick Carmichael.

A mudança de ares fez bem à franquia, tanto que coloco Hell House – A Origem como segundo melhor filme da série, descartando as partes 2 e 3. Há sequências de sustos, aparições de pessoas mortas e vultos que realmente trazem bons arrepios. Após o lançamento, Cognetti fez um teste de filmagem tradicional com o interessante Estrada Florestal 825, uma trama dividida em capítulos nos mesmos moldes de A Hora do Mal (Weapons, 2025), mas sem os mesmos recursos e atuações. E, por fim, viria Hell House LLC: A Herança (Hell House LLC: Lineage, 2025), realizado em formato tradicional com a perspectiva de encerrar a franquia com o pé direito. Mas, infelizmente, o calço não deu muito certo,, nem mesmo como possível encerramento.
O longa tem início em um breve vislumbre de 1989, no funeral de Margaret, no momento em que Catherine conversa com Patrick sobre a tragédia. Atordoado pela perda, o rapaz se mostra disposto a se vingar daqueles que a ocasionaram: ora, ele é membro do clube dos palhaços malditos de Andrew Tully, bastando saber quem seria os tais responsáveis. Um deles é Troy Hopewell (Kenneth Andrew), que, em 1993, se viu atraído para um jogo Down-a-Clown somente para offscreen ver seu destino selado por um palhaço demoníaco. Sim, como se percebe, tudo está relacionado ao acidente de carro e uma vingança sobrenatural!
No dias atuais, Vanessa Shepherd busca apoio com sua terapeuta, a Dra. Farrell (a limitada Felicia Curry), contando sua experiência no Hotel Abaddon, suas visões e pesadelos envolvendo as ruínas da “casa dos horrores” e um local que possui uma cruz exposta. A doutora revela que outras pessoas de Abaddon estão sofrendo da mesma visão, incluindo Bobby Hopewell (Bo Bogle), que trabalhou com Vanessa e é o filho da vítima de 1993 — isso você claramente já percebeu. Bobby também terá um encontro com um palhaço e uma bola vermelha na mesma noite em que tentou contato com Vanessa.

A jornalista e agora empresária, dona de um restaurante, conversa com seu bartender Max (Nicholas Stoesser), contando suas experiências até ser assombrada por uma Margaret fantasma e ter uma visão da casa Carmichael, quando Margot e Rebecca estavam lá investigando. A ideia de mostrar a mesma situação sob outro prisma já havia sido explorado pelo diretor em Estrada Florestal 825, como se o som ouvido pelas moças poderia ser na época a própria Vanessa em seu pesadelo. Ela recebe a visita de Alicia Cavalini, que passou a ser autora de crimes reais, e pretende visitar a mansão Carmichael com um padre, visando um exorcismo.
Vanessa faz o de sempre: conversa sobre o que aconteceu. Quem acha que poderá se sentir perdido pelo retorno de personagens dos filmes anteriores, temendo que não possa entender esses cruzamentos, fique tranquilo porque Vanessa serve como a ponte entre os acontecimentos, relatando tudo a todos que cruzam seu caminho, incluindo sua colega de quarto Crystal (Emily Fan) e o ex-marido Tom Haskins (Matthew Dalton Lynch), que almeja que Vanessa assine os papéis de divórcio. O que importa é o que Alicia conta, com mais detalhes sobre a vingança de Patrick e sua busca por imortalidade: em 89, o carro dele colidiu com um grupo de cinco rapazes bêbados, oriundos da Feira do Condado de Rockland.
A vingança do rapaz teve a consequente morte estranha dos envolvidos e seus descendentes. Um deles, por exemplo, Winston, desaparecido da feira em 1995, tinha uma filha chamada Melissa (Lauren A. Kennedy), que foi uma das atrizes desaparecidas na tragédia no Hotel Abaddon em 2009, vista no primeiro filme. Harper Graves foi morto em um milharal em 1994, enquanto sua filha, Diane (Alice Bahlke), sumiu em 2014, no segundo filme da franquia. Tom também está na lista da morte, mas Vanessa não entende sua própria conexão ao acidente, apenas revela posteriormente que tem um irmão gêmeo. Enquanto a jornalista continua envolta em pesadelos e visões sinistras, Alicia convoca o padre David (Mike Sutton) para vistar a mansão, alternando as ações entre as aparições aterrorizantes na casa e a tentativa de Vanessa de descobrir seu vínculo.
Se a opção de abandonar o found footage evita que o longa caia mais uma vez nas armadilhas do formato, por outro lado revela deficiências técnicas como a fotografia excessivamente iluminada, que impede que uma atmosfera medonha pudesse assumir o controle, e as atuações de novela. Sem o aprofundamento da protagonista na proposta, saltando entre cenários, visões e diálogos, cabe ao infernauta se interessar pela curiosidade escritora de Alicia e seu passeio pela mansão. Nem mesmo o drama de Max, disposto a buscar uma fuga desse pesadelo por sua coincidente conexão com a tragédia, é capaz de prender a atenção, sendo um personagem facilmente descartado.

Falta também a Cognetti um esforço ousado. Era mais fácil no formato anterior eliminar personagens fazendo a câmera simplesmente cair ou vendo-as ser arrastadas para a escuridão. Aqui, basta a aproximação do palhaço para que o corte indique a morte de alguém, acrescentando em uma delas um som de ossos se quebrando. O exposto se deve às assombrações, como as vítimas do filme anterior ou ao fantasma de Margaret, visto excessivamente. E o ritual de Tully pela abertura de um portal para uma dimensão demoníaca poderia simplesmente ser substituído por uma possível invocação de Patrick para se vingar dos assassinos de sua irmã.
Por fim, Cognetti tenta surpreender o espectador com um terceiro endereço maldito, concluindo o longa com um gancho para um futuro novo filme, faltando saber qual será o formato da produção, se seguirá as filmagens tradicionais ou retornará para as câmeras achadas. De toda forma, o desgaste do conceito não parece indicar força para mais palhaços malditos e expressões vazias de seus personagens. Talvez seja melhor abandonar o hotel Abaddon e continuar alimentando o horror com enredos novos, até que suas limitações sejam finalmente sanadas.






















É uma franquia MUITO boa, exclusivamente pela história. Assisti o último filme hoje, mas confesso que quase abandonei no 3º. Tudo muito parado e maçante. Tive dificuldade em achar eles dublados e ver legendado dá mais sono ainda, mas fiquei curiosa em entender como iria a acabar a história, mas pra falar a verdade acho que o final ficou em aberto dando a entender que terá um próximo.
Mas é uma boa franquia pra quem não espera muito jumpscare e quer algo mais psicológico.