![]() Filhos das Trevas
Original:Cold Hearts
Ano:1999•País:EUA Direção:Robert A. Masciantonio Roteiro:Robert A. Masciantonio Produção:Josh Bender, Kevin Noland Elenco:Marisa Ryan, Rob Floyd, Amy Jo Johnson, Christopher Wiehl, Fred Norris, Jon Huertas |
Figurinha comum e barata presente nas prateleiras inferiores da seção de horror das locadoras da década de 1990 (parece que ninguém queria alugar esse filme), Filhos das Trevas é o trabalho de estreia da curta carreira do diretor Robert A. Masciantonio. Com uma produção forçosamente comedida pela falta de recursos, o filme peca ao destacar algumas falhas (terríveis, para um filme de terror), mas impressiona positivamente pela qualidade do roteiro, que dispensa os excessos do terror mainstream para desenvolver um sólido drama de horror adolescente.
O filme gira em torno de Viktoria (Marisa Ryan), que aparentemente vive de rolê com os amigos Alicia (Amy Jo Johnson – a eterna primeira Ranger Rosa dos Power Rangers) e Darius (John Huertas) no parque de diversões local, sendo este o ponto de encontro da galera jovem da minúscula cidade litorânea. Há uma rivalidade entre Vik e Charles (Christopher Wiehl), que se intensifica com a chegada de Seth (Rob Floyd), que logo se torna interesse romântico de Vik.
Ao longo de vários minutos de papo furado, roda gigante e muita maconha, só com mais ou menos meia hora de filme percebemos que estamos assistindo a duas facções de vampiros se engalfinhando, no melhor estilo Garotos Perdidos – provável influência maior de Filhos das Trevas -, condição que se concentra nos jovens e é ignorada pelos demais moradores da cidade, que da mesma forma ignoram a origem dos estranhos assassinatos que têm acontecido pela cidade ao longo dos últimos anos.
Em 1999, Filhos das Trevas já apresentava algumas características que se tornariam moda na TV e cinema vampirescos da década seguinte. O primeiro é o fato de a turma de Vik não matar pessoas para consumir sangue, optando por conviver em sociedade. Por escolha, o grupo compra sangue traficado de bancos de sangue próximos e mantém uma alimentação restrita, mote que a série True Blood aprofundaria anos depois.
Outra característica interessante é que o filme contém uma das primeiras batalhas (até onde consegui rastrear) entre vampiros e lobisomens do cinema (ou da TV). Mesmo que tenha acontecido de forma eventual em filmes anteriores, trata-se de um tropo que Anjos da Noite e o próprio True Blood levariam ao exagero na década seguinte.
No que diz respeito aos efeitos visuais e as precárias doses de violência, Masciantonio faz o que pode tirando leite de pedra para fazer com que o espectador “pegue a visão”: praticamente não há cenas de mortes, com os ataques vampirescos acontecendo longe da lente da câmera; e as maquiagens são péssimas, mesmo destacando os quatro caninos dos vampiros, outra curiosidade que diferencia os filhos das trevas praieiros de outros vampiros do período.
Há espaço ainda para uma das batalhas mais toscas entre um vampiro e um lobisomem da história de todos os filmes. É de fechar os olhos de vergonha alheia a manobra feita pelo diretor para esconder a péssima encenação dos atores durante a luta.
Apesar da precariedade gritante da produção (o filme inteiro se desenrola em basicamente dois ambientes, um aberto e um fechado), o roteiro se destaca pela originalidade e pela construção inteligente que faz de uma narrativa vampiresca adolescente, que flui com leveza e certa dose de drama, provando que boas ideias podem brilhar mesmo sem grana. Filhos das Trevas tá disponível no Youtube.





