![]() Um Passado Sombrio
Original:Every Secret Thing
Ano:2014•País:EUA Direção:Amy Berg Roteiro:Laura Lippman, Nicole Holofcener Produção:Anthony Bregman, Frances McDormand Elenco:Diane Lane, Brynne Norquist, Eva Grace Kellner, Lily Pilblad, Clare Foley, Paige King, Danielle Macdonald, Dakota Fanning, Tonye Patano, Elizabeth Banks |

O que é a verdade quando uma mentira se veste como tal? Na psicologia comportamental, o ato de mentir pode ser um padrão disfuncional, desenvolvido a partir de experiências anteriores. A questão que mais intriga em qualquer análise sobre situações contadas é que há casos em que a pessoa mentirosa acredita em absoluto no que inventou, criando um universo paralelo fantasioso mas condizente com o que ela acredita. A identificação da mentira, quando se percebe fragilidades no que foi dito, também traz consequências ao mentiroso ao ponto dos conhecidos “perderem a confiança” nele a partir de então. O thriller psicológico Um Passado Sombrio (Every Secret Thing, 2014), baseado em um romance de Laura Lippman, intriga exatamente por não permitir antecipadamente que o espectador saiba em que confiar.
O desaparecimento de uma criança, neta do primeiro juiz negro do condado, teve um desfecho terrível, resultando na morte de pequena. Ronnie Fuller (Dakota Fanning) e Alice Manning (Danielle Macdonald) foram condenadas pelo sequestro da menininha, tendo que cumprir sete anos de reclusão no Juvenile Hall. Alice nunca assumiu responsabilidade pelo crime, dizendo desde a descoberta que Ronnie articulou seu envolvimento ao “plantar” seu boneco na caixa onde a criança foi deixada para incriminá-la. Agora com 18 anos, Alice busca um recomeço, fingindo procurar emprego no incentivo exagerado de sua mãe Helen (Diane Lane) para comer besteiras escondida, ficar à espreita de um clube e sonhando em participar de um reality show, enquanto Ronnie trabalha numa loja de rosquinhas e baguetes e é pressionada pela chefe por atrasos e desculpas.
Ambas entram novamente no radar da detetive Nancy Porter (Elizabeth Banks), que recebeu prêmio sete anos antes ao desvendar o desaparecimento da criança, depois que outra menina desaparece, Brittany Lyttle, no momento em que seus pais faziam compras numa loja de móveis. Alice nega que tenha algo a ver com o novo sumiço e voltar a alegar sua inocência, ao passo que Ronnie opta por fugir, ficar distante da investigação. Nancy entrevista os envolvidos em busca de pistas, mas precisa agir com precisão para evitar um novo final trágico.
O roteiro de Nicole Holofcener é muito inteligente ao propor reflexões e entregar as respostas a conta-gotas através de flashbacks que mostram o que aconteceu no passado, consciente que eles têm grande interferência no presente. Instiga ao mesmo tempo que incomoda por lidar com inocência e crueldade nas mesmas medidas, sem permitir julgamentos prematuros. Conta, claro, com a belíssima direção de Amy Berg, apontando a lente da câmera sem juízo de valor, e a expressividade de Danielle Macdonald, de Caixa de Pássaros, com uma calma que assusta. Diane Lane, sempre envolvida em personagens psicológicos, também está bem como a mãe angustiada, que sente culpa pelo passado ainda que continue com algumas atitudes questionáveis como a de falar do sobrepeso da filha e a necessidade de emagrecer.
É um thriller morno, carregado no drama e envolto em teor psicológico, condicionado por completo no envolvimento de mulheres fortes e seus segredos. Fez um relativo sucesso quando estreou na sessão Spotlight no Festival de Cinema de Tribeca em 2014, e depois foi distribuído nos EUA pelas Starz e a Anchor Bay Entertainment. Vale pela narrativa instigante e pela profundidade de seus personagens, contando com uma produção bem eficiente.




