O Lobo de Gysinge

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Os lobisomens são quase sempre vistos como criaturas sobrenaturais solitárias. Diferente de seus co-irmãos monstros como vampiros e múmias, por trás dos pelos abundantes e seu andar semi quadrúpede está uma pessoa vítima de uma maldição, tendo que enfrentar a inconsciência de seus atos animalescos nas noites de Lua Cheia. Há, claro, no cinema e na literatura alguns exemplos envolvendo mais de uma criatura, mas a maioria tem como representante apenas um, homem ou mulher. Já os lobos, os animais que serviram de inspiração para o desenvolvimento do mito, costumam atacar em bandos, facilitando a destruição da presa sem se preocupar em dividir a refeição.

Em 1817, o filhote de um lobo foi encontrado numa zona rural na Suécia, chamada Gysinge, e mantido enclausurado por anos. Assim que escapou, sua voracidade ampliada pelo estresse transformou-se em um banho de sangue em regiões próximas, como Dalarna e Gastrickland. O lobo, que depois seria apelidado de “o lobo de Gysinge“, atacou 31 pessoas e matou 12, entre 30 de dezembro de 1820 e 27 de março de 1821. Boa parte de suas vítimas foram crianças com idades que variavam de 3 a 15 anos, encontrados com o corpo dilacerado e com vestígios de terem servido de alimento.

O pânico se estabeleceu em todas as regiões próximas, com supostas declarações que acreditavam se tratar do próprio demônio ou um monstro. Para abrandar o problema, o governo suéco colocou uma recompensa pela captura e morte dos lobos, sejam filhotes ou não, numa atitude exagerada que quase extinguiu os animais do período. Determinaram como data provável da morte do lobo assassino o dia 27 de março, quando os ataques finalmente cessaram.

Em 2005, o canal BBC, em sua série Manhunters, dramatizou o episódio, intitulando-o “The Man-Eating Wolves of Gysinge“, que foi ao ar no dia 16 de dezembro desse mesmo ano. No entanto, fizeram uso da liberdade de criação ao apresentar dois lobos como culpados dos ataques ao invés de um, provavelmente por saberem que os animais realmente preferem atacar em grupo, contrariando os lobisomens tradicionais.

https://www.youtube.com/watch?v=o5D1TMnK5KM

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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