Segredo Sombrio (2012)

Thale (2012)

Segredo Sombrio
Original:Thale
Ano:2012•País:Noruega
Direção:Aleksander Nordaas
Roteiro:Aleksander Nordaas
Produção:Bendik Heggen Strønstad
Elenco:Silje Reinåmo, Erlend Nervold, Jon Sigve Skard, Morten Andresen, Roland Astrand, Sunniva Lien

por Estela Heise

Dentre várias personagens da mitologia escandinava, a huldra é uma constante de todos os países que constituem aquela região, tendo sua versão inclusive no antigo folclore finlandês e germânico. Na Noruega, país natal do longa Thale, a huldra é retratada como uma criatura que vive nas florestas, uma sedutora mulher com uma característica física muito peculiar: um rabo. As lendas dizem que as huldras iludem os homens que vão até as florestas, com o intuito de ter relações sexuais com eles, e caso não se sintam satisfeitas, levam a morte a este breve parceiro.

O norueguês Aleksander L. Nordaas, tendo ouvido a lenda desde sua infância, decidiu adaptá-la ao cinema. Thale começou a ser produzido em 2009, e foi lançado nos cinemas de seu país em fevereiro de 2012. No final deste mesmo ano, foi exibido no SXSW Festival, nos EUA, sendo adquirido para distribuição pela XLrator Media.

O longa se inicia de maneira lenta, enquanto os amigo Leo (Jon Sigve Skard) e Elvis (Erlend Nervold) limpam uma cena de crime, onde foi encontrada apenas metade de um corpo, e eles ainda devem encontrar o restante. O local logo é apresentado como sendo uma casa em meio a uma floresta, próximo a fjords da costa oeste da Noruega. Enquanto os amigos discutem sobre assuntos de suas vidas pessoais, e esperam a chegada do resto da equipe que irá auxiliá-los, encontram um porão escuro e aparentemente fechado há muito tempo. Teias de aranha envolvem vidros que contém líquidos de cor escura, uma mesa com um gravador empoeirado e aparentemente inutilizado, e uma banheira, cheia com algum líquido branco onde podem ser vistos alguns tubos. Nas cenas fora da casa, alguns vultos são vistos passando rapidamente pelas árvores, e algumas tomadas do ponto de vista de observadores externos chegam até a criar um clima de leve suspense, mas as cenas são rápidas e superficiais demais para que cheguem a proporcionar algum incômodo no espectador.

Thale (2012) (2)

Logo, de volta ao porão, a nossa musa se revela, surgindo da água branca contida na banheira: assustada e faminta, é tida como uma jovem que não consegue se comunicar, mas claramente entendendo o que lhe falam. Logo Elvis, o mais assustado e nauseado dos dois companheiros, aperta o play do toca-fitas empoeirado, e ouve a voz de um senhor, que fala em segunda pessoa com alguém a quem ele chama de Thale (Silje Reinåmo). Logo, ela conta sua história para Elvis, porém sem se utilizar da linguagem falada, demonstrando seu poder psíquico: ao tocá-lo, ela consegue passar a ele imagens dos seus primeiros anos de vida, seguida pela narração do senhor da fita. Elvis encontra então um rabo dentro de uma geladeira no aposento, deixando o jovem ainda mais desconfiado da real natureza da jovem.

Passado este primeiro e longo momento de apresentação das personagens, o longa se transforma com a chegada de um grupo de homens armados, liderados por um senhor que, aparentemente, estava em busca de Thale já há bastante tempo. Ameaçada, Thale demonstra sua verdadeira natureza selvagem em uma bonita cena muito bem filmada, onde se defende dos seus atacantes, com agilidade e muita destreza. Seguido este momento mais voltado à ação, o longa segue para sua finalização, deixando muito a desejar no quesito surpresa.

Com apenas 76 minutos, Thale acaba deixando uma sensação de bem-estar e leveza. Opa… bem-estar e leveza? Pois é, alguém disse que Thale era um filme de terror. Mas parece que alguém se enganou. As criaturas irmãs de Thale, que aparecem em alguns momentos do filme representando as reais huldras que vivem na floresta, deveriam ter sido bem mais exploradas, e com certeza trariam um ar mais sombrio ao filme, além de terem sido realizadas com um fraco CGI. Os longos momentos iniciais de apresentação, assim como as partes narradas, tornam o longa enfadonho e o final positivista não trouxe melhoria a esta posição.

As atuações não trazem nenhum grande diferencial a Thale, com exceção de Silje Reinåmo, que, sem proferir sequer uma palavra, consegue retratar muito bem a agonia de Thale, em ser meio humana meio huldra, assim como a naturalidade animal da criatura em cenas de nudez.

Thale (2012) (3)

Apesar das várias falhas do longa, Alexander Noordas, que além de diretor, foi também escritor, produtor, editor e operador de câmera, fez um ótimo trabalho considerando o baixíssimo orçamento a que teve acesso. Levando estas informações em consideração, esta junção de folclore e terror leve vale a pena, sim, ser conferida, mas de maneira despretensiosa.

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Autor Convidado

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Um infernauta com talentos sobrenaturais convidado a ter seu texto publicado no Boca do Inferno!

9 comentários em “Segredo Sombrio (2012)

  • 11/07/2016 em 09:50
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    Boa idéia, porém péssima execução. O filme é chato, nada acontece e quando acontece é confuso ou a cena é escondida (como quando cortam o rabo/cauda da huldra). Os personagens são chatos e sem carisma, a história é desinteressante. Unica coisa boa é a idéia de trazerem uma criatura mitologica para a telas, isso sempre me anima, mas infelizmente o filme é ruim demais. Não vale os minutos gastos, assista algum outro filme novamente que é melhor.

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    • 11/09/2016 em 15:41
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      esqueceu de dizer que é a maior droga, sem pé nem cabeça

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  • 09/01/2016 em 00:36
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    Vi esse filme ontem.
    Vale a pena ser visto por quem tá procurando por um terror light. Mas a ação e o terror realmente só começam quando chega o outro grupo, já perto do final. Nos primeiros 2 terços do filme não vi muito mais do que blábláblá.

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  • 05/05/2013 em 02:07
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    Um filme interessante, pequena surpresa de 2012. Meio fraco mas gostei.

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  • 03/05/2013 em 18:13
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    Nesse filme a melhor parte é a foto do início. Aproveite pois ela é a única que verás.

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  • 03/05/2013 em 08:18
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    A semelhança de seu conterrâneo “O Caçador de Trolls” , esta produção norueguesa de baixo orçamento tb versa sobre uma lenda escandinava interessante, porem bem mais fraquinha pois foi tocada feito mix de “The Woman”, “Splice” e “A Experiência”, so que em primeirinha . Fotografia, atmosfera, interpretações e efeitos bacaninhas, o problema maior é q a pelicula se arrasta demasiado até os finalmentes. É mais interessante pela premissa (mal executada) q o conjunto em si. E claro, por ver desfilar a deliciosa atriz q intitula o filme, peladona a maior parte da projeção. Opção curiosa q daria um otimo curta, não um longa. O Brasil bem q tb poderia explorar suas lendas..saci, boitata, iara, mula-sem-cbeca, etc..

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    • 03/05/2013 em 18:06
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      pois é.. mas os diretores daqui procuram sempre fazer filmes de comedia bobos, roubo a banco, favelas … triste, mas realidade.

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