Fúria Assassina (1987)

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Fúria Assassina
Original:Backwoods / Geek
Ano:1987•País:EUA
Direção:Dean Crow
Roteiro:Dean Crow, Charles Joseph
Produção:Maureen Sweeney
Elenco:Christina Noonan, Jack O'Hara, Brad Armacost, Dick Kreusser, Leslie Denise, Gary Lott

Os bons filmes de assassinos em série seguem habitualmente duas vertentes diferentes: as que privilegiam o sangue, com atores ruins e mortes criativas; e as que destacam o suspense, colocando em foco o desenvolvimento de poucos personagens. E quando não consegue uma coisa nem outra, você normalmente tem 90 minutos de tempo perdido, pensando nas partidas de futebol que tem a mesma duração e são mais divertidas.

Então posso começar dizendo que Fúria Assassina é basicamente uma mistura dos três: são poucos personagens e consequentemente poucas mortes, um roteiro simples com um elenco sem estrelas, mas que, apesar de tudo, não é o tipo de coisa que faz você ficar pensando em pular da janela na primeira bobagem que aparece.

Produzido em 1987, Fúria Assassina é um filme que tenta pegar uma carona no barco de Quadrilha de Sádicos, Amargo Pesadelo entre outras películas sobre famílias de assassinos que moram nos cafundós do Judas, mas com algumas peculiaridades que se não os tornam interessantes, pelo menos os fazem diferentes, mesmo que no frigir dos ovos não fique muito além da linha da mediocridade.

Na abertura, uma música sobre um guaxinim é cantada aparentemente por um caipira – um som não muito agradável por sinal e quando acaba temos a visão de um casal de ciclistas, Karen (Christina Noonan) e Jamie (Brad Armacost). Eles podem estar dando a volta ao mundo ou em férias, tanto faz, nada é dito e também não vai fazer muita diferença.

Sobre as características do casal basta passar dois minutos e você já começa a querer espancar o homem, porque ele é aquele tipo de criatura urbana que reclama de tudo quando vai para o campo: é a bunda que dói, cobras, pernilongos e todo o tipo de “aberração” rural, um verdadeiro mala sem alça. A garota é mais cabeça, exatamente o outro peso da balança, faz parte da geração saúde e está na cara que arrastou o namorado para lá.

Enfim, faltam apenas algumas horas para o pôr do Sol e os dois chegam a uma base da polícia florestal a fim de se informarem sobre algum local para estabelecerem acampamento. O xerife (Gary Lott) indica três das quatro direções possíveis e ganha um doce quem adivinhar porque a última direção não é boa, hehehe… E adivinha para onde eles vão? Pois é, mesmo com o lugar tendo a fama de agourento é para lá que Karen quer acampar, levando seu namorado a tira colo. Resolvem ir até o final da colina mais distante da floresta, uma péssima ideia como podem notar. Durante a caminhada, Jamie encontra uma cabeça de galinha no meio do caminho (Uh.. que medo..). A noite finalmente cai e os campistas armam a barraca, se é que você me entende… Enquanto isso um vulto sonda o acampamento, mas a suposta ameaça fica só na promessa.

Amanhece e o casal desperta com o som de um tiro de espingarda próximo a eles. Vm velho está de pé e uma garotinha jaz no chão com um inchaço grave no pescoço que vai matá-la em pouco tempo. Jamie corre em socorro a menina e pede que Karen traga sua maleta, pois calha de ele ser um médico. O velho continua impassível e carrega novamente sua espingarda, apontando para a cabeça do doutor que fica entre aliviar o inchaço e salvar a menina ou ter seus miolos estourados.

Karen desvia a arma antes que ela dispare e o doutor consegue salvar a garotinha. Embaraçado, o velho homem que havia pensado que Jamie iria feri-la, resolve compensar convidando-os para sua casa onde lhes dará abrigo e comida. O nome do velho matuto de poucas palavras é Eben (Dick Kreusser). que afirma que a garotinha, chamada Beth (Leslie Denise), se contundiu batendo em um galho (que baita galho…). Chegando à rústica fazenda de Eben, chama a atenção uma cabana que o velho afirma que foi a casa do cachorro que morreu. Claro que é grande demais para um cachorro e que não está vazia, mas…chegaremos lá.

Após o jantar, Karen vai dormir na barraca armada no quintal da fazenda enquanto Eben e Jamie tomam um porre de moonshine (cachaça feita em casa e com gosto de mijo de lobo), e o velho convida o doutor para uma caçada de guaxinim ao amanhecer.

No dia seguinte Karen acorda para tomar um banho no lago e é surpreendida por um homem grande, sem a maioria dos dentes e que tem dificuldade em manter sua saliva dentro da boca. Ela grita e foge para a casa de Eben. O velho dá um safanão no homem que corre atrás dela. Seu nome é William (Jack O’Hara), o filho de Eben, que tem problemas mentais por causa de uma mordida de cachorro quando era pequeno e agora mora no galpão fora de casa e, como um tipo de Ozzy Osborne do interior, costuma arrancar cabeças de pequenos animais, especialmente galinhas. William perseguiu Karen por causa de seu cabelo que o faz lembrar sua mãe morta, que está enterrada no quintal de Eben. E o velho leva-o para o túmulo e o faz colocar uma flor nele, como uma forma de pedir perdão pelo sofrimento que de sua irmã e por ter apavorado Karen. Para Jamie este já foi motivo suficiente para que deixem o lugar, mas Karen impõe resistência afirmando que a família precisa de ajuda e que devem permanecer até que a situação esteja sob controle. Jamie acaba cedendo e vai caçar guaxinim com o velho enquanto as mulheres ficam na casa.

Aí muito tempo passa sem que nada substancial aconteça. Eben conta para Jamie que já havia tentado matar William antes e que sua segunda esposa foi morta por seu filho. Jamie se assusta com a história e resolve voltar, uma boa atitude, pois Karen está para ser atacada novamente por William. E o velho, já cambaleando de bêbado de novo, vem junto. William segura Karen pelos cabelos na frente da casa, ao passo que os dois homens acabam de chegar. Jamie toma a espingarda do velho, faz mira em William e atira, mas apenas fere o maluco. Eben, no entanto, com a situação, sofre uma parada cardíaca e está à beira da morte. O doutor tenta fazer uma ressuscitação, William o impede e arrasta Jamie para a mata, não aparecendo mais no filme, assim como Beth. O malucão volta e, sacando que seu pai está morto, parte para cima de Karen que foge pela floresta.

O restante do filme é a velha perseguição na mata que vai até a noite, mas o que soa bem inverossímil é que a garota resolve enfrentar o doido na mesma moeda e atrai William para uma armadilha feita com anzóis e linhas, digna de deixar McGyver com inveja. A conclusão é inteligente e até me surpreendeu, dado o nível da produção, por sair do lugar comum de filmes semelhantes.

E é só isso, o roteiro é bem simples como a maioria deste sub-gênero e que alguns vão reclamar da forma que a história é contada, bem devagar e a conta gotas, por causa da opção de desenvolver os poucos personagens, sem quase sangue como podem perceber. A direção é muito pobre, na maior parte do tempo você até esquece que é um filme de terror, aliado com a insistência do diretor em tocar uma musiquinha de suspense em qualquer situação sem o menor critério (Oh, ele está pisando em um galho… Oh, eles falaram com o xerife… Oh, aquilo é uma cabeça de galinha…), chega a ser irritante em certos momentos e torna a construção da tensão menos eficiente.

Sobre os bons aspectos, um destaque deve ser dado aos atores Jack O’Hara e em especial Dick Kreusser, que entregam personagens convincentes e que em dado momento você começa a simpatizar-se com eles, mais até do que com os mocinhos. Isso acaba tornando mais interessante do que viver o terror do casal perseguido pelo doido William, acompanhar o drama de Eben, um caipira viúvo, com um filho problemático e uma filha frágil que precisa tomar uma decisão entre matar o seu próprio rebento ou deixar que ele continue a causar pânico aos visitantes que salvaram a vida de sua filha. Uma pena, tanto por eles quanto pelos outros envolvidos no projeto não terem conseguido engajar maiores destaques em suas carreiras, pois certamente teriam muito a oferecer.

Outro ponto, é que diferente da maioria das famílias reclusas de produções de terror, apenas um componente é assassino, ainda assim não o faz com frequência e muitas vezes sem a intenção de matar. Essa opção pela humanização do vilão do roteiro também torna a projeção diferente, mais fluida e que faz o público se envolver um pouco mais com a história.

Certamente este não é o tipo de filme que vai mudar sua vida, com poucos méritos e que no dia seguinte você nem vai se lembrar mais do que passou, até porque existem caipiras bastardos bem mais violentos e assustadores nas montanhas e desertos dos Estados Unidos, mas estes aqui valem no mínimo seus 90 minutos de atenção.

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Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados. Co-autor do livro Medo de Palhaço, produz as Horreviews e Fevericídios no Canal do Inferno!

2 thoughts on “Fúria Assassina (1987)

  • 24/08/2017 em 09:11
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    Caramba vi esse filme no tempo que o SBT Passava filmes depois da meia noite como O Incrível Homem que Derreteu, Nasce Um Monstro e vai esse filme fúria assassina passou Nessa época bem Bacana Claro Hoje o SBT Passa Algo bem mais pavoroso o Programa Danilo Gentili !!!!!!

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  • 27/07/2017 em 15:05
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    Adorei sua crítica faz do filme 7 desejos (2017) pff

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