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O Chamado de Cthulhu
Original:The Call of Cthulhu
Ano:2021•País:EUA
Autor:H. P. Lovecraft, François Baranger •Editora: DarkSide Books

Se existe um nome que até quem não acompanha o mundo do horror conhece, esse nome é Cthulhu. Seja por meio de músicas, RPG, games, séries, filmes ou funkos, em algum momento de sua vida, esse nome foi ouvido, essa imagem foi vista, essa lenda foi repassada, mesmo que inconscientemente. Nas profundezas de R’lyeh, o imponente e implacável deus cósmico Cthulhu aguarda o momento de seu retorno e, enquanto isso, nós, insignificantes mortais, cultuamos e espalhamos sua mensagem. O culto à figura mais famosa da literatura fantástica criada por H. P. Lovecraft ficou tão forte que realmente podemos dizer que existe uma seita de adoração a Cthulhu, tamanha a grandiosidade e misticismo de sua mitologia e tudo que o envolve.

Com tantas coisas existentes sobre, faltava uma edição ilustrada do conto original que fizesse jus aos horrores narrados e a essa monumental criatura. A Darkside Books fez questão de preencher essa lacuna, aliando a narrativa de Lovecraft às ilustrações de François Baranger.

Publicado em 1928 na revista Pulp Weird Tales, o conto narra a descoberta de Francis Wayland Thurston acerca de várias notas e diários deixados por seu falecido tio-avô, George Gammel Angell, professor da Brown University, em Providence. No meio de tantas anotações, Francis encontra uma escultura de argila de alguma… entidade. Uma mistura de tentáculos de polvo, asas de dragão e ainda por cima algo humanoide no meio disso tudo. Lendo os escritos do tio, descobre que o mesmo estava investigando surtos maníacos ao redor do mundo, pessoas com sonhos estranhos e assustadores, cultuando a volta de algum ser místico desconhecido em diversos locais e épocas diferentes.

Ao longo da narrativa, acompanhamos a tentativa de Thurston de desvendar os mistérios que cercam a morte de seu tio-avô e também as descobertas do professor em sua busca obsessiva pela figura de Cthulhu e a desconhecida R’lyeh, desenterrando horrores inomináveis e mais antigos do que a própria humanidade.

O conto é simplesmente brilhante. O horror cósmico vai muito além de algo assustador, e sim utiliza o fato de que somos tão insignificantes para o universo que a humanidade ser destruída por algum deus-monstro-ancestral não fará a mínima diferença, é apenas um efeito colateral. O enredo é construído aos poucos, primeiro com um ar nebuloso e misterioso que vai se entranhando na sua mente e imaginação, de repente adensando e se transformando em um pânico de proporções tão gigantescas quanto a própria figura de Cthulhu. Vamos do suspense ao terror psicológico ao horror fantástico em poucas páginas.

As ilustrações de Baranger refletem bem essas nuances. No começo temos ilustrações mais sóbrias, retratando Thurston e os escritos de Angell. Conforme a leitura avança – tanto a do sobrinho quanto a nossa -, as imagens começam a ficar mais misteriosas, mais sombrias e obscuras. E enfim chegamos ao ápice: retratar a insanidade concebida por Lovecraft ao descrever antigos seres cósmicos. A imagem de Cthulhu se erguendo, em especial, chega a ser de tirar o fôlego. O artista tentou ao máximo captar com exatidão as sensações que o texto causa e transformar isso em arte, o que deve ter sido um trabalho e tanto.

Claro, é muito difícil atender expectativas ao retratar em imagens algo escrito, afinal cada leitor tem uma imaginação diferente. Sem entrar no mérito da pergunta “Essa figura está fiel o suficiente à original?”, já que é algo que apenas o próprio Lovecraft poderia responder, toda a arte que mostra a descoberta de R’lyeh em diante passa aquela atmosfera de horror e insignificância perante algo verdadeiramente grandioso e mortal, então arrisco dizer que os objetivos foram alcançados com relativo sucesso.

As artes, tão fantásticas quanto o próprio conto, ocupam ambas as páginas, com os trechos escritos sobre elas, causando uma maior imersão conforme a leitura é feita. Sem dúvidas uma adição e tanto a uma história já tão conhecida e cultuada. Ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn.

François Baranger também adaptou para a versão ilustrada outro conto de Lovecraft, Nas Montanhas da Loucura.

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