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Apocalyptic / Apocalyptic Cult
Original:Apocalyptic / Apocalyptic Cult
Ano:2014•País:Austrália
Direção:Glenn Triggs
Roteiro:Glenn Triggs
Produção:Glenn Triggs
Elenco:Jane Elizabeth Barry, Geoff Pinfield, David Macrae, Ashleigh Gregory, Frederique Fouche, Nalini Vasudevan, Felicity Steel, Zoe Imms

Imagine-se como um jornalista cobrindo os seguidores de Jim Jones ou Charles Manson na perspectiva de realização de um documentário sobre suas ações nebulosas. Depois que os realizadores de found footages deixaram de lado as lendas urbanas e apontaram suas câmeras para os cultos religiosos, os resultados foram, no mínimo, curiosos: Bryan Loves You (2008), O Último Sacramento (The Sacrament, 2013), Filhos da Dor (Children of Sorrow, 2013) e o segmento “Safe Haven” de V/H/S/2 (2013) são amostras de uma necessidade de minorias ingênuas de seguir líderes, acreditar em profecias e a salvação da alma. Apocalyptic aka Apocalyptic Cult (2014), de Glenn Triggs, veio nessa mesma onda de exploração de uma temática que teria feito mais sentido na década de 70 ou na virada do milênio.

Jodie (Jane Elizabeth Barry) e Kevin (Geoff Pinfield) são documentaristas em busca de ampliar a carreira com registros sonolentos de um centro comunitário no auxílio de pessoas que estão em um processo de se libertar de seus vícios como bebida e drogas. Como Angela Vidal em [REC], ela está à porta do encontro de ex-viciados não muito contente com sua própria apresentação. É estranho imaginar que todas essas pessoas iriam topar assumir publicamente em vídeo seus passos para escapar da dependência, assim como a fala do barbudão Presley (Tom McCathie), cujo vicio teria sido sua associação a um culto religioso secreto ao qual ele teria se livrado.

Seu relato atrai o interesse de Jodie e Kevin, dispostos a traçar o caminho ao local, não sem antes entrevistar populares na cidade apenas para descobrir o óbvio: se o culto é secreto, ninguém teria como saber da existência dele. Eles adentram uma mata fechada, seguindo as orientações adquiridas, até serem interceptados por duas moças, Samara (Rachel Torrance) e Gray (Zoe Imms), que aceita levá-los à comunidade, desde que deixem os celulares no carro e estejam vendados durante todo o percurso. São recebidos nA Vila, de M. Night Shyamalan, um ambiente amplamente rural, sem qualquer vestígio de tecnologia e conhecimento do mundo exterior.

Composto apenas de mulheres – mas Presley não fazia parte? -, seguidoras do líder espiritual Michael Godson (David Macrae), com o sobrenome mais criativo que se podia imaginar, as locais se vestem de roupas rosas, à exceção do guia, e aparentam simplicidade e união. Entre inúmeros “obrigada” e “que lugar lindo” de Jodie, logo alguns rituais ali começam a incomodar os visitantes como a chegada de duas mulheres, Neve (Nalini Vasudevan) e April (Meghan Scerri), que passaram dias na floresta apenas em orações; e a escolha de Michael todas as noites após o jantar: ele seleciona qual de suas seguidoras irá dormir com ele. O problema é que entre moças e senhoras há também crianças como Amy (Ashleigh Gregory), de apenas oito anos, que, durante a entrevista diz adorar os beijos de Michael e que pretende se casar com ele.

Tudo parece conduzir o grupo a uma profecia, dividida em três partes. Até que Jodie e Kevin entendam o que está acontecendo naquele ambiente Midsommar, eles acompanharão uma moça sendo cortada e amarrada a uma árvore, encontrarão corpos enterrados com as mãos para fora e testemunharão um apedrejamento. Enquanto Kevin se mostra mais arredio na continuação dos registros, Jodie parece aos poucos fascinada pelo que acontece ali, ainda que demonstre certa repulsa por algumas coisas.

Como um found footage que preza pela nossa ingenuidade, Apocalyptic não se justifica em seus registros intermináveis. Se a desculpa de realização de um documentário poderia até servir para a proposta, Jodie, com a experiência e a vontade de aumentar seu portfolio, deveria fazer mais gravações para a câmera além de captar relatos. E por qual motivo eles deixam a câmera ligada em um hotel antes de ir à mata, se não apenas para informar o espectador que Presley foi dado como desaparecido? E na hora em que a situação aperta e você precisa fugir, por que continua gravando, usando a câmera como se fosse seus olhos até para espiar numa janela?

É claro que não se pode esperar muito de um elenco que, em sua maior parte incluindo os protagonistas, nem fotinho no IMDB possuem pelo caráter amador. O “Inri Cristo” da vez até tem um currículo um pouco maior, com participações rápidas em curtas e séries de TV, e a que faz a seguidora Mary, Frederique Fouche, teve uma pontinha em Superman: O Retorno (2006), porém não foram além de alguns papéis coadjuvantes. Parece até que o elenco improvisou boa parte das falas pela forma como parecem escolher as palavras.

Sem a ousadia que se espera pelo título – achei até que seria visto o monstro que habita o lago, na crença das meninas, ou algo como o final de O Segredo da Cabana e “Safe Haven” -, Apocalyptic caminha para chegar a lugar algum. Glenn Triggs é o falso profeta de seu filme, dando indícios de que algo terrivelmente legal irá acontecer, mas que, ao final, mostram-se apenas falácias oportunistas.

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