0
(0)

Terror em Shelby Oaks
Original:Shelby Oaks
Ano:2024•País:EUA, Bélgica
Direção:Chris Stuckmann
Roteiro:Chris Stuckmann, Sam Liz
Produção:Cameron Burns, Aaron B. Koontz, Tyler Smith, Ashleigh Snead
Elenco:Camille Sullivan, Brendan Sexton III, Michael Beach, Sarah Durn, Mason Heidger, Joe Quinn, Mariah Burks, Rebecca DeMarco, C.L. Simpson, Sloane Burkett, Caisey Cole, Anthony Baldasare, Eric Francis Melaragni, Lauren Ashley Berry, Lori Palminteri

Nas últimas décadas, o uso do recurso “found footage” tem se mostrado um terreno apropriado para a produção de filmes de horror, ainda mais pelo custo-benefício. Diretores renomados e estreantes passaram a experimentar esse cinema que permitia que os próprios autores fizessem os registros, com a desculpa de realização de falsos-documentários e investigação de lendas urbanas. Terror em Shelby Oaks (Shelby Oaks, 2024) parecia ser mais um que pisaria nessas terras já devastadas por exemplares ruins e sem sentido, conforme alguns press releases e teasers indicavam, com referência direta À Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1999), mas, após dezesseis minutos, houve uma mudança bem-vinda de perspectiva.

O roteiro, de Sam Liz e do diretor Chris Stuckmann, realmente parece uma mistura de Terror em Silent Hill (Silent Hill, 2006) com a bruxa obscura das matas de Maryland. Em 2008, a apresentadora de um programa de investigação paranormal, intitulado “Paranormal Paranoids“, compartilhado no youtube, desapareceu juntamente com seus parceiros Peter Bailey (Anthony Baldasare), Laura Tucker (Caisey Cole) e David Reynolds (Eric Francis Melaragni) enquanto investigavam a cidade abandonada de Shelby Oaks, no Condado de Darke, Ohio. Imagens de episódios do programa na busca por assombrações reais deixam algumas evidências de que Riley Brennan (Sarah Durn) tinha alguma mediunidade ou sensibilidade para perceber vestígios sobrenaturais que intrigavam seus seguidores.

Doze anos depois, sua irmã Mia (Camille Sullivan) participa de um documentário sobre o desaparecimento, mostrando que foi feita uma busca imensa pela desaparecida e houve quem cogitasse inicialmente que tudo era parte de um marketing de divulgação da equipe. Com registros do passado, quando as irmãs costumavam escrever nas árvores as iniciais R e M, de maneira triangular, para permitir um retorno caso se perdessem, e dos terrores noturnos que incomodavam Riley, sentindo-se observada durante a madrugada, o mistério parcialmente se encerrou quando o Detetive Burke (Michael Beach) anunciou que um telefonema anônimo havia indicado o local dos corpos da equipe, à exceção de Riley.

Durante a entrevista de Mia, ela faz uma pausa para atender a porta e é surpreendida pelo estranho Wilson Miles (Charlie Talbert), que dispara uma arma sobre a cabeça, dizendo antes que havia sido libertado por Riley. Esse homem é o mesmo visto em relance em alguns vídeos, até mesmo observando a garota pela janela, deixando a entender que se trata do sequestrador e talvez assassino da garota. E é exatamente o ato de suicídio que coloca um fim no formato found footage, explorado apenas na fita que ele tinha em mãos, com mais pistas sobre o que teria acontecido com Riley.

Assim, tem início a jornada de Mia, visitando a cidade maldita, seus ambientes sinistros, como o presídio abandonado e o parque, além de uma casa decrépita na floresta. Os cenários mortos ajudam na atmosfera de investigação sobrenatural — o ponto alto do filme, ainda que a fotografia exageradamente iluminada atrapalhe na composição de insegurança — e algumas pistas indicam, como em um jogo, para aonde a protagonista deve ir para buscar outras informações que completam o quebra-cabeça investigativo. As respostas virão, mas algumas abrirão rombos no enredo (como aquilo não foi visto antes quando houve uma busca intensa pelo grupo desaparecido?), principalmente no terceiro ato, quando o longa referenciar outro filme.

Além da fotografia iluminada de Andrew Scott Baird, Terror em Shelby Oaks também sofre com efeitos digitais ruins e um enredo coberto de clichês. Com produção executiva de Mike Flanagan, é provável que o filme fizesse mais sentido e fosse mais bem recebido, se tivesse sido lançado uns vinte anos antes, quando toda esse fórmula ainda engatinhava. Com o infernauta já calejado de tanto rebobinar fitas encontradas, é apenas mais um produto do estilo, sem apresentar novidades ou empolgar, não justificando sua passagem pelos cinemas brasileiros. De toda forma, pode ser que o mistério desperte seu interesse em visitar Shelby Oaks, nem que seja para alimentar os lobos que rondam o lugar.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 0 / 5. Número de votos: 0

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *