![]() Terror Entre Quatro Paredes
Original:We Need to Do Something
Ano:2021•País:EUA Direção:Sean King O'Grady Roteiro:Max Booth III Produção:Peter Block, Ryan Lewis, Josh Malerman, Bill Stertz Elenco:Sierra McCormick, Vinessa Shaw, Pat Healy, Lisette Olivera, John James Cronin, Ozzy Osbourne, Dan John Miller, Logan Kearney |
por Matheus Santos Rangel
Filmes independentes não são novidade no cinema de terror, e extensas e lucrativas franquias, como A Morte do Demônio e Jogos Mortais, nasceram justamente como produções de baixo custo que conquistaram grandes públicos. A história do gênero prova que, muitas vezes, os fãs não estão necessariamente interessados em efeitos especiais complexos ou em elencos dignos de Oscar, mas sim na boa e velha paixão pelo projeto por parte de seus responsáveis.
Foi justamente por me considerar um desses fãs que, quando vi o pôster de Terror Entre Quatro Paredes — enquanto zapeava por um dos trocentos streamings que fazem meu cartão de crédito chorar lágrimas de sangue —, não resisti à tentação de clicar em “play”! O resultado? Uma experiência mais frustrante do que prazerosa…
No filme, uma família disfuncional acaba presa no banheiro da própria casa quando uma tempestade feroz atinge a cidade. Passada a tormenta, eles logo descobrem que a chuvarada trouxe coisas mais terríveis do que goteiras e poças d’água, e precisam enfrentar seus próprios demônios para sobreviver à calamidade.
Em um primeiro momento, o longa é instigante. A dinâmica entre os personagens e o mistério geral do que está acontecendo são suficientes para prender a atenção do telespectador pelos primeiros minutos. Porém, não demora para que esses aspectos, até então elogiados, se tornem repetitivos, demonstrando a inabilidade da direção de lidar com esse contexto de reclusão para além do óbvio. O uso excessivo de flashbacks e jumpscares dentro de montagens oníricas, a falta de ação geral e os diálogos enfadonhos formam uma estrada tortuosa, e o final da jornada não legitima a extensa duração do projeto, que se delonga muito além do necessário.
Assim, com direito a picadas de animais peçonhentos, bruxaria de adolescente revoltado com a vida e a participação especial do eterno Ozzy Osbourne (e mais outras duas referências ao Príncipe das Trevas, mostrando que Sean King O’Grady é um verdadeiro fã de Black Sabbath), a trama avança, mas acaba chegando ao pior destino possível para qualquer roteiro: lugar nenhum.
Talvez ainda houvesse esperança se o filme apostasse na personalidade, como nos casos dos indies já citados — se o diretor imprimisse um estilo próprio, deixasse sua marca (tal qual Sam Raimi e James Wan). No entanto, nada salta aos olhos ou vai além da mediocridade. A paleta de cores e os efeitos práticos, em certas cenas, são até legais, mas não passam disso.
No fim, Terror Entre Quatro Paredes é um longa sem substância, que tenta desenvolver uma história e surpreender com uma reviravolta nos acréscimos do segundo tempo, mas falha em recompensar o interesse do público, seja com um texto mais profundo ou com cenas de maior impacto. Talvez os únicos pontos merecidos ao projeto sejam aqueles relacionados aos momentos iniciais, que entretêm por certo período, antes de degringolarem por completo numa apática mesmice sem fim.





