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Dollhouse - A Boneca da Casa
Original:Dōruhausu
Ano:2025•País:Japão
Direção:Shinobu Yaguchi
Roteiro:Shinobu Yaguchi
Produção:Tomoo Fukatsu, Hisashi Usui
Elenco:Masashi Nagasawa, Koji Seto, Tetsushi Tanaka, Aoi Ikemura, Naomi Nishida, Hiroki Konno, Totoka Honda

Me lembro da gigantesca expectativa quando fui conferir Annabelle em 2014. Sendo um fã inveterado de Chucky, era difícil conter a empolgação com um spin-off dedicado à boneca macabra que havia roubado os holofotes em sua breve participação em Invocação do Mal. Infelizmente, o longa dirigido por John R. Leonetti foi um fracasso retumbante, sendo amplamente considerado um dos piores do Invocaverso. Particularmente, me incomodou bastante como a boneca é apenas uma coadjuvante em seu próprio filme, com uma contribuição meramente imagética. Não me entendam mal, não é como se eu esperasse que a criatura ganhasse vida e arrancasse um naco do braço de alguém (pobre Karen Barclay), mas o mínimo esperado de um brinquedo possuído é que ele consiga provocar arrepios. Esse é o caso de Dollhouse, produção japonesa dirigida por Shinobu Yaguchi e vencedora do Fantasporto 2025.

Na obra, acompanhamos Yoshie (Masashi Nagasawa) e Tadahiko Suzuki (Koji Seto), um casal que tenta se recuperar do trágico acidente doméstico que tirou a vida da sua filha de apenas 5 anos. Mergulhada em tristeza e culpa, Yoshie encontra conforto em uma boneca antiga que adquire em um mercado de pulgas, passando a tratá-la como se fosse humana. Preocupado com a sanidade da esposa, Tadahiko é tranquilizado pela psiquiatra dela, que ressalta como bonecos podem ser um eficiente mecanismo de enfrentamento do luto. De fato, o estado mental de Yoshie melhora cada vez mais, e parecia que tudo ficaria bem quando o casal foi abençoado com outra filha. No entanto, quando a criança descobre a boneca ancestral, coisas estranhas começam a acontecer com a família Suzuki.

Um jovem casal iniciando uma família, lidando com uma tragédia ao mesmo tempo em que é perturbado por uma boneca amaldiçoada. Ora, já não vimos isso antes com a menina dos olhos de Ed e Lorraine Warren? É nítido que o diretor Shinobu Yaguchi teve suas inspirações, mas aqui tudo é muito mais bem feito e crível. Durante boa parte do primeiro e segundo atos, nos perguntamos se a boneca é realmente maligna, se tudo seria uma grande representação metafórica do estado mental de Yoshie, ou ainda, se alguma das filhas do casal Suzuki poderia ser a real responsável.

ALERTA DE SPOILERS! SIGA POR SUA CONTA E RISCO

Quando finalmente descobrimos que o brinquedo é um dos itens mais assombrados do país, a diabólica boneca Aya já nos causou alguns sustos, e este é o maior acerto em Dollhouse. Diferente de Annabelle, que basicamente só serve para compor o cenário, Aya consegue instigar o desconforto sempre que aparece. Com movimentos inteligentes de direção, a criatura não para quieta mesmo que não se mova de fato em nenhum momento. Em uma das melhores cenas do filme, Yoshie tenta destruir a marionete disfarçada com um saco na cabeça, apenas para perceber que se tratava de sua própria filha.

Toda a composição cultural enriquece o roteiro e contribui para a aura horripilante em torno da marionete demoníaca. Aqui temos uma referência direta à lendária boneca Okiku, cujo cabelo e unhas crescem continuamente há mais de um século, segundo relatos. Outra referência cultural interessante presente em Dollhouse são os chamados “Ningyō Kuyō”, rituais de cremação realizados em templos japoneses para homenagear brinquedos que não servem mais para as crianças. Existe uma crença popular de que os brinquedos devem ser respeitados para que não se tornem um tipo de espírito maligno chamado “tsukumogami.

Nem tudo são flores, sendo o final o ponto mais baixo do filme. Não morro de amores pela aparência real do espírito obsessor, e toda a sequência na ilha se arrasta mais do que deveria, seguindo uma tendência excessivamente pessimista de alguns filmes de horror asiáticos (como A Ligação, que acaba esticando demais um final que já era satisfatório). Dito isso, o saldo de Dollhouse é bastante positivo, valendo muito a pena ser conferido. Esqueça Megan, Buddi e outras bizarrices Black Mirror-like. Estamos falando aqui de uma boneca de porcelana endiabrada. E o que é pior, funciona. É a Annabelle que deu certo.

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