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Link - O Animal Assassino
Original:Link
Ano:1986•País:UK
Direção:Richard Franklin
Roteiro:Everett De Roche, Tom Ackermann, Lee David Zlotoff
Produção:Richard Franklin, Rick McCallum
Elenco:Elisabeth Shue, Terence Stamp, Steven Finch, Richard Garnett, David O'Hara, Kevin Lloyd, Joe Belcher, Geoffrey Beevers

No Reino Animal cinematográfico dos macacos assassinos, Link ocupa um espaço nas fileiras da frente. Não que seja um exemplar tenso ou que possa ter servido de alguma inspiração para o gênero, mas por se tratar de uma produção bem realizada, dirigida por Richard Franklin, de Patrick (1978) e Psicose 2 (1983). Trata-se do que o próprio cineasta chamou de “thriller antropológico“, colocando uma jovem isolada com um assassino em série, disfarçado de um simpático orangotango. Aliás, apesar da evidente aparência da espécie e consciente de sua natureza não tão agressiva, transformaram o orangotango e um chimpanzé, com pelos escuros e orelhas protéticas — da série maravilhas da Sétima Arte.

A concepção teve início em 1979, quando Franklin recebeu o argumento e o imaginou como “Tubarão com chimpanzés“. Deixou a ideia de lado até o roteirista Everett de Roche lhe mostrar uma reportagem do National Geographic, escrita por Jane Goodall, sobre violência entre chimpanzés, contrariando a ideia central e pensamento do Dr. Steven Phillip (Terence Stamp) sobre o ser humano ser a única espécie a guerrear contra os seus. Mesmo com o roteiro escrito por Roche em 1981, Franklin buscou financiamento enquanto filmava Psicose 2 e Os Heróis Não Têm Idade (1984). Queria Anthony Perkins no lugar de Stamp, mas se contentou com o General Zod, o que se mostrou bem funcional.

Para o papel principal, Elisabeth Shue foi uma escolha ainda mais acertada. Não havia estourado ainda nos cinemas, tendo como destaque apenas Karate Kid: A Hora da Verdade (1984), mas já evidenciava um carisma que lhe seguiria em produções mais importantes como Uma Noite de Aventuras (1987), Cocktail (1988) e principalmente De Volta para o Futuro II e III. Ela se mostrou bem à vontade no papel, interagindo sozinha naturalmente com os animais em boa parte do filme até os momentos em que precisa se esconder da ameaça primata, com a aproximação de futuras vítimas.

A jovem Jane Chase (Shue) almeja ser a assistente do professor e escritor Dr. Steven Phillip, aceitando até mesmo uma oferta de doméstica. Quando ele pergunta a ela se sabe limpar e cozinhar, a garota responde que “tem uma propensão genética para isso“. Para tal, ela irá se mudar para uma mansão vitoriana na Costa Inglesa onde o professor estuda chimpanzés (Imp, Voodoo e o orangotango travestido de chimpanzé Link). Para um bom convívio com os animais, três instruções são passadas para Jane: 1. Você é a especie dominante. Não trate o animal como igual; 2. Não se envolva nas brigas entre os animais. Eles costumam resolvê-las sozinhos. 3. Não perca o controle. Perdoe-os em qualquer situação.

Enquanto cuida da casa e nota alguns comportamentos agressivos do Dr. Steven no trato com os chimpanzés, ela percebe o contato de um tal Bailey (Kevin Lloyd) visando a compra de um deles, algo que terá uma importância posteriomente. Quando o professor desaparece, ela fica sozinha com os três macacos, sentindo uma mudança gradual e preocupante em Link. O animal fica obcecado por ela ao ponto de eliminar concorrências — matando um cachorro e um da mesma espécie — e outras aproximações até perder completamente o controle e persegui-la pela mansão rural. Curiosamente, a casa possui um porão que dá acesso à praia, um poço fechado e uma porta de metal para proteger o laboratório, elementos que servirão ao propósito do roteiro de Roche, desenvolvido a partir de um argumento de Tom Ackermann e Lee David Zlotoff.

Link – O Animal Assassino é um suspense leve, sem violência ou sangue. Boa parte de sua narrativa poderia fazer parte de um longa dramático sobre uma garota aprendendo a lidar com chimpanzés, depois que o dono desaparece. A própria trilha, do experiente Jerry Goldsmith, e a fotografia iluminada de Mike Molloy evocam essa atmosfera de “filme para ver com a família“, ainda mais com algumas trapalhadas dos animais e os testes de inteligência e comunicação. Contudo, é bem feitinho ao propor uma ambientação cercada por cães soltos e raivosos — um toque claustrofóbico — e a falta de opções de contato da jovem com o mundo externo.

Destaca-se quando Link se mostra um animal astuto, sabendo inclusive esconder os corpos de suas vítimas e os veículos ao mesmo tempo que expõe sua simpatia característica. E também deve-se enaltecer o prólogo, com a visão primata, dialogando com a última cena, como se deixasse no ar se todos os crimes foram mesmo cometidos por Link ou se ele possui um parceiro misterioso. Lançado em DVD em versão completa e restaurada no box da Versátil Obras-Primas do Terror – Animais em Fúria – Anos 80, é uma boa pedida para quem aprecia filmes com a temática “animais assassinos” e quer um exemplar bem feitinho e carismático.

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