![]() O Fantasma da Rua Morgue
Original:Phantom of the Rue Morgue
Ano:1954•País:EUA Direção:Roy Del Ruth Roteiro:Harold Medford, James R. Webb, Edgar Allan Poe Produção:Henry Blanke Elenco:Karl Malden, Claude Dauphin, Patricia Medina, Steve Forrest, Allyn Ann McLerie, Anthony Caruso, Veola Vonn, Dolores Dorn, Merv Griffin, Paul Richards, Rolfe Sedan |
As histórias de detetive passaram a ser mais interessantes com o surgimento de C. Auguste Dupin, no conto “Os Assassinatos da Rua Morgue“, de Edgar Allan Poe, publicado na Graham’s Magazine, em 1841. O próprio termo “detetive” nem sequer existia, e os casos de mistério investigativo envolviam obviedades atestadas por inspetores e agentes da polícia. Foi a capacidade de análise e observação de Dupin para solucionar crimes que configurou os moldes das tramas policiais, e serviu de inspiração para o desenvolvimento de detetives mais conhecidos como Sherlock Holmes e Hercule Poirot. Dupin apareceria também em mais dois contos do autor, “O Mistério de Marie Rogêt” e “A Carta Roubada“, deixando um legado de inteligência e perspicácia.
“Os Assassinatos da Rua Morgue” traz o narrador e o amigo Dupin, que dividem quartos numa mansão, em uma conversa sobre raciocínio analítico. Dupin demonstra suas habilidades de observação ao acompanhar silenciosamente a lógica de pensamento do amigo enquanto caminham, evidenciando as pistas que permitiram que ele findasse no nome de um ator de palco. Ao lerem no jornal sobre um duplo assassinato ocorrido na Rua Morgue, eles decidem visitar o local, fazendo uso dos depoimentos e detalhes observados para chegar à conclusão da autoria do “crime“, confrontando uma pessoa que poderia ter relação indireta com as mortes. Em poucas páginas, Poe faz um ensaio sobre análise e observação, ilustrando com o caso em si e despertando no leitor um absoluto fascínio pelo personagem, com uma visão ágil sobre a investigação de mistérios.
O conto teve várias adaptações, desde 1908, sendo a de 1932, Os Assassinatos da Rua Morgue, de Robert Florey, com Bela Lugosi e Sidney Fox, considerada a mais conhecida. A versão seguinte, O Fantasma da Rua Morgue (Phantom of the Rue Morgue, 1954), é uma produção da Warner Bros., colorizada por computador e lançada em 3D, numa tentativa de manter o sucesso do anterior, Museu de Cera (House of Wax, 1953). Como o texto original é curto e possui poucos personagens, as adaptações precisaram incluir subtramas e mais mortes e até mesmo vilões, como é o caso dos dois filmes, com aspectos bem distintos entre si e da obra de Poe.
Com roteiro de James R. Webb e Harold Medford, O Fantasma da Rua Morgue começa com uma estranha sombra rondando os telhados da França em 1870, quando gritos de uma moça desesperada acusam um assassinato na Rua Morgue. Coletando as pistas deixadas no local, como um lenço de marinheiro, um broche e uma pulseira, o inspetor Bonnard (Claude Dauphin) não tem nada a fazer que não seja aguardar a próxima morte. E ela acontece na noite seguinte, tendo como vítima a assistente do atirador de facas Rene (Paul Richards), encontrada em um quarto todo destruído, com sugestão de que o assassino possa ter fugido pela janela.
Outros crimes irão acontecer, mas o incompetente inspetor irá sempre indicar como crime passional e fazer perguntas óbvias sobre a estadia de suspeitos na noite fatídica, até chegar ao Prof. Paul Dupin (Steve Forrest), que também se torna alvo das investigações, embora consiga identificar pelas pistas uma possível autoria. Destacam-se como possível responsáveis o biólogo Professor Marais (Karl Malden), que realiza estudo de animais e reside em um zoológico e seu ajudante Jacques (Anthony Caruso), um marinheiro que possui apenas um olho.
Quem conhece a história original já facilmente identifica a autoria até mesmo pela descrição acima, com algumas curiosas diferenças em relação ao conto. Aqui, como dito, há um vilão por trás dos assassinatos, com subtramas envolvendo luto pela perda de alguém e cárcere privado. Embora Dupin seja o que irá decifrar o mistério, está muito distante da genialidade do personagem de Poe: ele basicamente se defende das acusações, tentando provar sua inocência e desviando as investigações. Em meio ao processo, eles pedem ajuda a um artista de circo para mostrar o provável caminho de fuga do assassino, saltando entre antenas até os limites da capacidade humana.
O Fantasma da Rua Morgue é um thriller de investigação curioso, embora pouco surpreendente, e que peca por não destacar personagem algum. Ainda que Dupin esteja lá, há mais tempo em cena para Marais e o investigador, além do ator, Steve Forrest, não transmitir o carisma ou inteligência de sua inspiração. O longa foi considerado violento para a época pela apresentação dos corpos, destacando a vítima deixada no interior da lareira, numa boa referência ao conto, tendo até uma censura mais rígida. Nada que o público atual já não esteja acostumado.
Patricia Medina até atua bem como Jeanette, mas quem rouba a atenção no elenco feminino é Veola Vonn (de Caçando Múmias no Egito, 1955), lembrando em alguns momentos Sarah Paulson. Também vale menção a presença do ator veterano Paul Richards, de Caverna do Terror (1957) e De Volta ao Planeta dos Macacos (1970). Vale conhecer.






