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De Volta ao Planeta dos Macacos
Original:Beneath the Planet of the Apes
Ano:1970•País:EUA
Direção:Ted Post
Roteiro:Paul Dehn , Mort Abrahams,
Produção:Arthur P. Jacobs
Elenco:James Franciscus, Kim Hunter, Maurice Evans, Linda Harrison, Paul Richards, Victor Buono, James Gregory, Jeff Corey, Natalie Trundy

É difícil encontrar uma obra singular para o gênero fantástico datada de 1968. Obras-primas como O Bebê de Rosemary, A Noite dos Mortos-Vivos, As Bodas de Satã,  2001: Uma Odisseia no Espaço foram lançadas na época, enquanto a humanidade acompanhava desdobramentos políticos, crescimento de grupos religiosos e extremismo. A despeito de todos os demais clássicos, há certamente uma admiração por um dos trabalhos de ficção científica mais influenciadores do cinema e que agregaria muito valor ao período. Escrito por Rod Serling (Além da Imaginação) e Michael Wilson (A Ponte do Rio Kwai), a partir de um romance de Pierre Boulle, trata-se de O Planeta dos Macacos, filme de ficção científica e aventura com uma excelente crítica social, tendo Charlton Heston (A Última Esperança da Terra) no papel de um astronauta num planeta dominado por macacos inteligentes, e que possui ironicamente características associadas à identidade humana. E aqueles que não concordam com a política adotada pela maioria são caracterizados pela ausência da voz, ou seja, os verdadeiros humanos, e até mesmo o protagonista Taylor – quando tem o seu pescoço ferido por uma arma de fogo – não podem criticar o que não consideram correto. Infelizmente, tal fato foi ignorado no remake de Tim Burton ao utilizar humanos que raciocinam e se comunicam, embora o resultado seja bem interessante! Já a cena final é absolutamente genial, quando Taylor descobre que todos esses absurdos estão acontecendo no nosso planeta e não em outro qualquer, como seria fácil apontar, e que o homem conseguiu finalmente destruir a Terra com seu poderio bélico!

Com um orçamento pífio para os padrões atuais, O Planeta dos Macacos arrecadou 5 vezes mais e estimulou a realização de uma continuação, mesmo a contragosto do ator principal, que só concordou em voltar para o Planeta se sua participação fosse bem pequena. Na época, Heston já tinha contrato para outras produções e não queria que seu nome fosse associado ao papel; inclusive, algumas fontes afirmam que o final foi alterado seguindo indicação do próprio ator, dando um possível ponto final à franquia.

De Volta ao Planeta dos Macacos foi lançado dois anos depois, sob o comando do especialista em séries e filmes para a TV Ted Post, baseado no roteiro de Paul Dehn (007 Contra Goldfinger) e argumento de Mort Abrahams. Além da ponta de Charlton Heston, a produção trazia de volta Linda Harrison como Nova, Maurice Evans mais uma vez como Dr. Zaius e Kim Hunter reprisando como a simpática Zira. A ausência sentida na produção ficou por conta do fabuloso Roddy McDowall como Cornelius – fato que ele corrigiria nas continuações. Provavelmente o ator estava ocupado com participações em séries de TV como The Name of the Game e Medical Center.

A continuação começa exatamente onde terminou o anterior, quando Taylor descobre a Estátua da Liberdade e percebe que está no Planeta Terra, realizando um pequeno monólogo que acabou sendo homenageado em diversas produções. Com a belíssima Nova, ele continuou sua cavalgada pelo deserto até encontrar um vale onde algumas ilusões o deixaram intrigado: uma enorme parede de fogo cruzava seu caminho, enquanto rochas apareciam e sumiam como mágica. Ele se despede da companhia, pedindo que a garota encontre Zira e Cornelius, vai ao encontro da parede virtual e desaparece. No ato seguinte, conhecemos o novo protagonista da produção, o astronauta John Brent (James Franciscus), cuja nave seguiu a rota de Taylor até se chocar no planeta. Com a perda do companheiro, Brent encontra Nova e a cidade dos macacos, sendo conduzido a uma visita à morada de Zira, que o alerta para jamais falar para evitar ser dissecado pelos cientistas. Novamente, o ato da fala servindo como metáfora para a censura!

Quando o filme parecia apontar para um remake – com a prisão de Brent -, o roteiro inova ao apresentar uma nova raça e encher a tela de novas críticas sociais. Surge então uma raça de humanos extremamente inteligentes, capazes de se comunicar e torturar suas vítimas com o pensamento, venerando uma Bomba Atômica como se fosse seu deus. Uma bela alfinetada nas nações que brigam por questões bélicas e nas religiões que pregam a intolerância! Curiosamente, essa raça de humanos inteligentes voltaria a aparecer na série em Batalha do Planeta dos Macacos, o último filme da franquia, sendo apresentados como vítimas da guerra nuclear – amarrando as pontas da série. Como é curioso acompanhar toda as orações para o símbolo bélico, assim como a revolta dos humanos “normais” diante do fato!

Tão intenso e empolgante quanto o original, mas menos surpreendente, De Volta ao Planeta dos Macacos quase não foi realizado e muitos o consideram extremamente dispensável.  Havia certamente a curiosidade dos fãs do original em imaginar um retorno ao universo dos apes, mesmo consciente que as surpresas não seriam as mesmas. Mas os bons efeitos de maquiagem estão lá, assim como as ótimas atuações e situações de confronto, que justificam um novo capítulo na saga.

Ainda dispõe de boas mensagens para a sociedade em qualquer época, permitindo reflexões sobre selvageria e a relação entre colonizador e colonizado. Vale a pena conferir essa segunda aventura, sempre resgatando na memória a excelência do clássico.

 

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