![]() Porcos
Original:The 13th Pig/Pigs/Daddy's Deadly Darling
Ano:1973•País:EUA Direção:Marc Lawrence Roteiro:Marc Lawrence Produção:Marc Lawrence Elenco:Toni Lawrence, Jesse Vint, Catherine Ross, Paul Hickey, Iris Korn, Walter Barnes, Erik Holland, William Michael, Jim Antonio, Bone Adams |
Uma opção curiosa a ser conferida é o filme Porcos, disponível atualmente no Darkflix+. Trata-se do segundo e último longa-metragem dirigido pelo ator Marc Lawrence – também presente no elenco – e chama atenção pela boa execução e pela trama que, embora soe absurda em um primeiro momento, se alinha aos melhores roteiros slasher do período.
Lynn Webster (Toni Lawrence) está fugindo de seu passado quando, viajando a esmo pelos Estados Unidos, resolve parar em uma velha lanchonete em busca de um lugar para ficar. Em uma das entrevistas de emprego mais rápidas e estranhas do cinema, o dono do estabelecimento, o velho Zambrini (Marc Lawrence), oferece trabalho e moradia na própria lanchonete. Zambrini, no entanto, é um tipo peculiar: paranoico e com grande afeição por seus porcos — que fazem muito barulho na hora das refeições —, é também alvo dos olhares e burburinhos dos moradores da região, que o acusam de assassinar garotas e alimentar os animais com seus corpos.
Aqui é preciso salientar algumas curiosidades sobre o lançamento e a distribuição do filme. Após a estreia da versão original, sob o título The Pigs, a obra foi vendida e relançada como The Secret of Lynn Hart. Na esteira do sucesso de O Exorcista, o filme ganhou novas cenas de possessão, que passaram a justificar os eventos retratados como um possível caso sobrenatural. Essa versão recebeu o título Lynn Hart, The Strange Love Exorcist. Na sequência, as cenas de exorcismo foram removidas e o filme voltou a ser relançado, agora como Daddy Girl.
Após mais uma série de adições e cortes, a versão hoje estabelecida como “oficial” é a do diretor, intitulada The 13th Pig — justamente a disponível no streaming —, e aparentemente a mais interessante entre todas as edições.
Ao estilo hesitante e sugestivo dos slashers do início da década de 1970, Marc Lawrence constrói uma atmosfera eficiente de dúvida em torno da dupla de protagonistas. Embora não haja porcos assassinando pessoas — uma provocação maliciosa sugerida pelo título original —, aquilo que à primeira vista parece absurdo ganha densidade dramática à medida que o filme avança.
Construído de forma crua, sem muitos recursos além de boas locações e um competente trabalho de câmera e iluminação, o filme se mantém elegante enquanto revela, de maneira gradual, os segredos e facetas ocultas de seus personagens, instigando especialmente a curiosidade em torno do destino de Lynn.
O toque de fantasia introduzido no final, no entanto, desvirtua a conclusão para longe do que havia sido cuidadosamente construído até então. Trata-se de um acréscimo desnecessário e deslocado, que não dialoga com a lógica apresentada — provavelmente mais um reflexo das inúmeras intervenções sofridas pela obra ao longo dos anos.
Lançado em 1973, Porcos surge em um contexto em que quase tudo ainda parecia, de certa forma, original: ideias sendo testadas, riscos assumidos e fórmulas ainda em processo de definição. Mesmo com suas imperfeições e cicatrizes editoriais, o filme permanece como um registro curioso e inquietante desse período de experimentação do cinema de horror, mais interessado em sugerir do que em explicar, e justamente por isso capaz de causar desconforto duradouro.





