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Socorro!
Original:Send Help
Ano:2026•País:EUA
Direção:Sam Raimi
Roteiro:Damian Shannon, Mark Swift
Produção:Sam Raimi, Zainab Azizi
Elenco:Rachel McAdams, Dylan O'Brien, Edyll Ismail, Xavier Samuel, Dennis Haysbert, Chris Pang

Linda Liddle (Rachel McAdams) é uma funcionária do departamento de Planejamento e Estratégia (e não da Contabilidade, como ela gosta de deixar bem claro) de uma grande companhia. É o tipo de pessoa que se sente inspirada por frases motivacionais e slogans de coachs, que acredita ser possível vencer no mundo corporativo apenas com honestidade, dedicação e trabalho duro. Ela é também leitora voraz de livros sobre a vida na selva e espectadora assídua do reality show de sobrevivência Survivor – que deu origem ao nosso No Limite. Enquanto Linda se depara com a escrota realidade de um ambiente profissional machista e predatório, um acidente aéreo a caminho de uma reunião na Tailândia deixa ela e seu novo patrão, o herdeiro e CEO Bradley Preston (Dylan O’Brien), como os únicos sobreviventes. Uma ilha aparentemente deserta acaba tornando-se o refúgio da dupla. Porém, na natureza as regras são diferentes, e Linda é quem passa a comandar a situação, com unhas, dentes e outras armas.

Exceto pelas séries, Sam Raimi retorna à sua mistura de comédia e terror (que, confesso, não é minha faceta preferida do icônico cineasta) pela primeira vez desde, talvez, Arraste-me para o Inferno (Drag Me to Hell, 2009). Além do cruzamento de gêneros, Socorro! (Send Help, 2026) possui em comum com aquele filme uma protagonista que descobre que para ser bem-sucedida na carreira é necessário tornar-se mais agressiva. No entanto, se no longa de 2009 tal mudança de atitude trazia como consequência para a personagem uma maldição infernal, aqui ela é a chave para satisfação pessoal, valorização perante um superior hierárquico e, acima de tudo, sobrevivência.

É curioso notar que Linda e Bradley começam o filme como personagens bastante caricatos, mas vão se tornando mais “reais” ao longo dos dias que passam presos na ilha. É como se, num ambiente distante do mundo dito civilizado, os indivíduos conseguissem se despir dos estereótipos em que se colocam ou são colocados para enfim mostrarem-se humanos de verdade. E, ao usar a palavra “humano”, refiro-me ao tom da atuação, e não a alguma noção de virtude, até porque o isolamento na ilha acaba amplificando tanto o lado bom quanto o ruim da dupla – especialmente o ruim.

E é aí que Rachel McAdams brilha. A atriz conduz as transformações de sua personagem com maestria e inteligência. McAdams vai nos revelando as camadas de Linda de uma maneira que torna quase impossível tirar os olhos dela durante as quase duas horas de duração. Seu parceiro em cena, Dylan O’Brien, não compromete, mas um pouco mais de nuance em sua interpretação não faria mal.

Curioso também é perceber que, no ambiente selvagem, o CEOzinho Bradley, parasita do trabalho alheio, vê-se forçado a submeter-se a Linda, a pessoa que realmente produz. Já na selva de pedra, esse mesmo parasita – assim como Donovan (Xavier Samuel), que ganha a vice-presidência por causa da “brodagem” com o herdeiro da companhia – é quem dá as cartas do jogo.

Com tudo isso, é inevitável a comparação imediata entre o filme de Raimi e o excelente Triângulo da Tristeza (Triangle of Sadness, 2022), que usa o naufrágio de um navio de luxo e a convivência dos sobreviventes – passageiros e tripulantes – em uma ilha para mostrar como a pirâmide social pode virar de ponta-cabeça em situações extremas. Em ambos os filmes, são as mulheres que estão no controle. E existe ainda mais uma semelhança entre eles, porém revelá-la aqui seria spoiler demais.

Socorro! não possui a mesma sagacidade e acidez do filme de Ruben Östlund, mas seu enredo, dotado de algumas boas cenas de humor, violência e escatologia, realiza desvios de rota tão surpreendentes em determinados momentos que o saldo final faz essa turbulenta viagem ter valido a pena.

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