4.3
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Arraste me para o Inferno (2009)

Arraste-me Para o Inferno
Original:Drag Me To Hell
Ano:2009•País:EUA
Direção:Sam Raimi
Roteiro:Sam Raimi, Ivan Raimi
Produção:Grant Curtis
Elenco:Alison Lohman, Justin Long, Lorna Raver, Ruth Livier, Dileep Rao, David Paymer, Adriana Barraza, Chelcie Ross, Reggie Lee, Molly Cheek, Bojana Novakovic,
Kevin Foster

Arraste-me Para o Inferno marca o retorno em grande estilo de Sam Raimi às suas raízes. Para os não-iniciados, Raimi foi o cara por trás de um dos filmes mais bacanas da década de 80. Com A Morte do Demônio (Evil Dead, EUA, 1981), o então jovem e desconhecido cineasta demonstrava talento e criatividade de uma forma singular, numa produção de baixo orçamento que rapidamente arrebatou uma legião de seguidores. “Fadado” ao sucesso, bastaram alguns anos, erros e acertos, para que todas as portas e janelas de Hollywood se abrissem, e Raimi chegasse ao topo. Em 2002, a Fox convidou Raimi para dirigir a adaptação para os cinemas um dos principais super-heróis da editora Marvel, o Homem-Aranha. O longa surpreendeu a todos, superando as melhores expectativas: quebrou recordes de bilheteria, agradou a crítica e ao público. E eis que, sete anos depois, quando menos se espera, o agora cineasta-de-respeito Sam Raimi nos brinda com uma bela homenagem (mais do que merecida, diga-se de passagem) ao gênero em qual apostou todas as suas fichas ainda em início de carreira.

É curioso que dois momentos tão distintos na carreira de um cineasta proporcionem a mesma – ou pelo menos semelhante – liberdade “criativa”. Na ocasião de Evil Dead, Raimi pôde abusar dos exageros e das inovações, sem preocupar-se com censura, bilheteria ou com o que os produtores iriam achar, já que seu debute era uma produção praticamente independente. Exatamente três décadas depois, com o prestígio exagerado característico dos maiores diretores de Hollywood e com seu próprio estúdio especializado em filmes de horror (a Ghost House Pictures), Raimi pôde tomar decisões com a mesma independência que assegurou a Evil Dead a presença garantida na lista dos 10 melhores filmes de horror de todos os tempos.

Entretanto, Raimi preferiu, ao invés de inovar, resgatar a fórmula que sempre agradou os fãs da série Evil Dead: o humor e os amados momentos de escatologia. O roteiro, escrito a quatro mãos, repete a parceria entre o cineasta e seu irmão Ted Raimi – os dois já haviam trabalhados juntos em Uma Noite Alucinante 3. No enredo de Arraste-me Pro Inferno, Christine Brown é uma analista de crédito financeiro que se encontra numa verdadeira encruzilhada: seguir seu bom coração e renovar a hipoteca imobiliária da Sra. Ganish, evitando assim que a pobre velhinha perca sua casa; ou negar o novo empréstimo, impressionar o chefe e ocupar uma prometida vaga de assistente de gerência. Obviamente Christine toma a decisão errada, banca a durona e não renova a hipoteca. Inconformada, a Sra Ganish ajoelha-se e implora pelo empréstimo. Mesmo constrangida, a funcionária do banco mantém-se convicta de sua decisão. O “porém” é que a vovozinha não é assim tão boazinha. Na verdade, a rancorosa Sra. Ganish é uma misteriosa anciã cigana que não leva desaforo pra casa. Enfurecida, a cigana lança uma poderosa maldição contra Christine, despertando uma entidade maligna que transformará a vida de Christine num verdadeiro inferno.

Arraste me para o Inferno (2009)

É inegável que existam algumas semelhanças entre o enredo de Arraste-me Para o Inferno e de A Maldição (Thinner, EUA, 1996). Na adaptação da obra de Stephen King, dirigida por Tom Holland, o gorducho Billy Halleck atropela “acidentalmente” a filha de um chefe cigano. Quando ele é inocentado pela justiça, o velho cigano lança uma maldição que faz Billy definhar até a morte.

O caso é que, intencionalmente ou não, Raimi revisita o mesmo tema de Evil Dead, ou seja, a luta insana de uma pessoa comum contra uma criatura demoníaca praticamente invencível. Enquanto no primeiro o demônio era libertado após a leitura em voz alta de uma passagem do Livro dos Mortos, em Arraste-me para o Inferno é a maldição da cigana que acorda o poderoso demônio Lâmia, cuja especialidade é dragar literalmente suas vítimas para o inferno. Isso mesmo, ele as arrasta ainda vivas até as profundezas do inferno.

No elenco, a escolha de atores menos conhecidos do grande público ajuda a legitimar o estilo B da produção. Christine é interpretada pela jovem Alison Lohman, que apesar da pouca idade traz na bagagem papéis em dramas de peso, como em Peixe Grande, de Tim Burton e Os Vigaristas, de Ridley Scott. Sua interpretação alterna extremos, ora exagerada ora inexpressiva, mas não compromete o resultado final; pelo contrário, se encaixa na proposta cômica/desesperada da personagem. Justin Long (mais conhecido por viver um dos irmãos perseguidos no horror Olhos Famintos) interpreta sem maiores problemas Clay Dalton, o cético e apaixonado namorado de Christine. O elenco conta ainda com a participação de outros membros da família Raimi: Ted Raimi (irmão de Sam) vive o medico que atende Christine após o ataque da cigana Ganish; Emma Raimi (filha) interpreta a filha da cigana; Henry e Lorni Raimi (filhos) fazem uma ponta durante o velório da cigana. Outra figurinha carimbada e folclórica marca presença em Arraste-me Para o Inferno: o Oldsmobile Delta 88, amarelo, ano 73. Sim, a velha caranga, aqui no “papel” do automóvel da cigana, participou de todos os filmes de Sam Raimi (dizem que até mesmo no faroeste Rápida e Mortal o carrão apareceu disfarçado). Ainda em relação ao elenco, os mais ligados na carreira do diretor sentirão falta do canastrão Bruce Campbell (herói de Evil Dead, cujas aparições também são frequentes nos longas dirigidos por Sam). Sua presença, mesmo que pequena, certamente acrescentaria um charme a mais a produção.

Apesar dos tão odiados efeitos em CGI, um dos grandes destaques do filme é a sucessão de cenas nauseantes. Inclua aí vômitos, hemorragias nasais jorrando litros e litros de sangue, vermes, gosmas, moscas, lama entre outras substâncias que possam embrulhar o estômago dos mais fracos. A medonha maquiagem da Sra. Ganish – interpretada com maestria por Lana Raver – também merece destaque. Cega de um olho, com uma dentadura podre que vive caindo, unhas em decomposição e a pele toda enrugada, a velha cigana junta-se ao rol dos grandes vilões do cinema de horror.

Arraste me para o Inferno (2009)

Arraste-me Para o Inferno, embora faça de tudo para parecer, não é um filme de baixo orçamento. A produção custou cerca de US$30 milhões (um valor razoável para os níveis hollywoodianos) e rendeu mais de US$70 milhões em bilheteria pelos cinemas americanos e europeus (sem contar a arrecadação em solo tupiniquim). Recebeu boas críticas de todos os sites especializados e caiu nas graças dos fãs, que aguardam ansiosamente uma possível quarta parte da franquia Evil Dead, dirigida pelo próprio Sam Raimi, é claro.

Pra finalizar, um pequeno comentário sobre o desfecho do filme, logicamente contendo SPOILERS, portanto se não viu, pare por aqui. A revelação é óbvia: o final pessimista, onde a mocinha é arrastada para o inferno, ainda que faça de tudo para se livrar da maldição, está anunciado no próprio título do filme. É engraçado como este final parece até mais moralista e cristão do que pessimista: a heroína se corrompe por ambição (chega a matar seu gatinho de estimação num ritual para espantar o demônio) e é castigada exemplarmente, como pregam muitos pastores por aí.

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12 Comentários

  1. Ainda não me conformo que esse site maravilhoso, com críticas tão boas, tenha gostado de um dos piores filmes de terror já feitos, nível Corrente do Mal. SOCORRO

    1. Avatar photo

      Oi, Anônimo! Você não se divertiu vendo o filme? Talvez o estilo não lhe interesse. Corrente do Mal é bem diferente de Arraste me para o Inferno. O primeiro é mais carregado na atmosfera, o segundo no humor caricato. Ambos são filmes moldados no entretenimento, cada um ao seu modo.

      Eu particularmente me diverti horrores, principalmente no do Sam Raimi.

  2. Que vergonha alheia desse filme, tinha tudo para ser um terror épico e fizeram uma piada de mau gosto….lenço voador, olho no bolo…enfim uma sucessão de coisas que ridicularizaram o filme. É uma pena por que no trailer parecia uma p* filme de terror.

    1. O próprio filme é uma mistura de terror com comédia,então você quer o que minha filha?

  3. Filme porcaria, lixo…Perdi meu tempo assistindo um filme que enrola pra caramba e o final é uma bosta.

  4. Eu achei ótimo !!atuações perfeitas !sam Raimi eh brilhante seja terror aventura não importa o gênero esse nasceu para trabalhar no cinema!

  5. Que tristeza me dava quando assistia á propaganda de lançamento nos cinemas e eu não podia ir. Uns cinco anos depois fui assistir em DVD
    Sra. Ganish ganha o prêmio de maior cuspidora kkk
    Enfim, ótimo filme 😀

  6. Sam Raimi mostrando que entende do riscado filme muito bom em que a moral da história é seja sempre bom se não o capeta vem atrás de você kkkkkkkkkkkkkkkkkk.

  7. Filme incrivel. É raro um filme com abordagem assim me chamar atenção
    Esse tem algo diferente. ele é realista, passa uma mensagem legal apesar da sensação arrepiante
    O acontece no final é para mim,super desnecessario e até mesmo clichê. O que a jovem fez no começo com a velha chega a se tornar injustiça até porque, de santa, a velha tinha nada. ambição todos temos, uns mais, outros menos.

  8. Cara! Se a continuação de Army of Darkness for no estilo desse filme, vai ser demais!!!!!

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