![]() Férias Macabras
Original:Get Away
Ano:2024•País:UK, Canadá, EUA, Finlândia Direção:Steffen Haars Roteiro:Nick Frost Produção:Maxime Cottray, Nick Frost, John Hegeman, Miles Ketley, Lee Kim, Nick Spicer, Aram Tertzakian Elenco:Nick Frost, Aisling Bea, Sebastian Croft, Maisie Ayres, Ville Virtanen, Eero Milonoff, Anitta Suikkari, Jouko Ahola, Verneri Lilja, Kari Kinnari, Ilkka Koivula, Maria Järvenhelmi |
Svälta: 1. morrer de fome; ficar faminto em sueco
2. uma ilha sueca isolada, onde, no século XIX, aconteceu uma tragédia
Desde Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, 2004), Nick Frost entrou no meu radar cinematográfico de atores ingleses que fazem papéis divertidos. Depois ele repetiria a parceria orgânica com Simon Pegg em Chumbo Grosso (Hot Fuzz, 2007) — este também com a direção de Edgar Wright —, Paul: O Alien Fugitivo (Paul, 2011) e Escola da Morte (Slaughterhouse Rulez, 2018), além de atuar em boas comédias de horror e fantasia como Ataque ao Prédio (Attack the Block, 2011) e Heróis de Ressaca (The World’s End, 2013). Na sua filmografia há também dublagens em animações e também participações em filmes de horror como Black Cab (2024) e no recente O Som da Morte (Whistle, 2025), que chegará aos cinemas em 6 de fevereiro. Foi com uma perspectiva otimista que conferi Férias Macabras (Get Away, 2024), em mais uma incursão dele pelo gênero, a partir de um roteiro de sua autoria.
No prólogo, uma camponesa aparece ameaçada por ingleses, enquanto segura seu bebê. Eles expressam fome, destacando uma figura mascarada. Duzentos anos depois, a família Smith está em viagem de férias. A mãe, Susan (Aisling Bea), conta ao marido Richard (Frost) e aos filhos Jessie (Maisie Ayres) e Sam (Sebastian Croft) a história por trás da ilha onde pretendem passar uns dias: “Em 1824, a ilha inteira colocou-se em quarentena por dois anos e meio devido a uma pandemia de gripe mortal. Mesmo o continente tendo encerrado a quarentena, a ilha permaneceu assim até a morte da maioria das pessoas ou até recorrerem ao canibalismo, alimentando-se até mesmo de seus filhos“. Enquanto Sam se preocupa com a quantidade exata de mortos, a mãe afirma que, de dez em dez anos, os habitantes celebram o chamado “karantän” (quarentena), com a apresentação de uma peça sangrenta de oito horas.
Os Smiths estão indo para a ilha para exatamente participarem das celebrações, sendo que a tal quarentena também está relacionada à invasão dos ingleses. Todos os encontros, desde uma passagem por um restaurante, despertam hostilidade e aquelas frases clichês sobre não ter razão para eles irem até lá e o quanto o ambiente não costuma receber bem turistas, principalmente estrangeiros. Como alugaram a casa de um tal Matts Larsson (Eero Milonoff), eles prosseguem com a viagem, atravessando um trecho de barco, sendo realmente mal recebidos, ainda mais quando Susan diz que um antepassado dela foi “morto aqui pelos seus“.
Com a ajuda de Matts, eles consegue se estabelecer no estranho local, enfrentando diversas situações de hostilidade, enquanto a líder da comunidade local, Klara (Anitta Suikkari), tem planos de incluir os visitantes no menu principal, uma prática que não é feita há muitos anos. Um letreiro anuncia a contragem regressiva para o “karantän“, ao passo que a família passa a ser observada por um Matt voyeur ao estilo Norman Bates, sem saber que inevitavelmente irão participar das comemorações.
É claro que Férias Macabras é mais do que um survival horror bem humorado. O longa, de Steffen Haars, reserva algumas surpresas sangrentas para o terceiro ato, um massacre de grandes proporções, envolta em claustrofobia e humor ácido. Entre facões e mutilações, corpos incendiados e desmembramentos, há uma boa dose de humor inglês, com piadas inteligentes envolvendo contexto histórico. “Tenho certeza que existem vegetarianos na Suécia“, diz Sam, tendo a resposta do pai: “Em Estocolmo, com certeza. Malmo…Gotemburgo, se tiver sorte.“. Ou “Acho horrível alguém guardar rancor durante 200 anos.“, comenta Susan, com o comentário de Richard: “Falou a irlandesa…“.
Apesar da diversão proposta, Férias Macabras não surpreende. São muito óbvias as pistas sobre o que está acontecendo, e o infernauta não terá problemas em perceber o que o roteiro tenta esconder. Mesmo assim, com o carisma de Nick Frost e o sangue em profusão, o filme pode ser uma boa pedida para fãs de produções splatter irônicas, embebidas no sempre bem-vindo humor inglês.





