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Isolamento Mortal
Original:Sick
Ano:2022•País:EUA
Direção:John Hyams
Roteiro:Kevin Williamson, Katelyn Crabb
Produção:Kevin Williamson, Bill Block e Bem Fast
Elenco:Gideon Adlon, Bethlehem Million, Dylan Sprayberry, Marc Menchaca, Jane Adams e Joel Courtney

Está muito fresco na nossa memória o terror causado pelo início da pandemia do COVID-19, em 2020. Nenhum filme conseguirá replicar a histeria generalizada, a incredulidade frente à gravidade da situação, o pavor de ser infectado e infectar os nossos, a sensação de impotência frente à perda dos entes queridos, a revolta perante o descaso de outrem. Alguns tentaram, como Host, Safer at Home e Songbird, com níveis variados de sucesso. Mas foi com Sick, obra slasher roteirizada pelo mestre responsável por Pânico, Kevin Williamson, que tivemos uma das produções mais divertidas envolvendo esse período tão delicado.

Abril de 2020. Com os casos positivos de COVID-19 disparando, 42 estados americanos decretaram isolamento obrigatório, e aproximadamente 97% do país está em quarentena. Logo na primeira cena, o jovem Tyler (Joel Courtney) tenta fazer compras em um mercado de aparência quase apocalíptica (uma realidade que também se tornaria comum a nós, brasileiros). De repente, um desconhecido começa a assediar o garoto por mensagens de texto, e ele se vê sendo perseguido por um assassino mascarado (uma clara referência a Pânico). Puro suco de Kevin Williamson. Cena de abertura finalizada, somos apresentados a Parker (Gideon Adlon) e Miri (Bethlehem Million), duas amigas que resolvem aproveitar a quarentena na casa de campo dos pais da primeira. Mal sabiam elas que não estariam tão isoladas assim…

ALERTA DE SPOILERS! PROSSIGA POR SUA CONTA E RISCO!

A palavra-chave em Sick é identificação. O roteiro de Williamson, em parceria com Katelyn Crabb, é muito feliz em trazer situações que se tornaram corriqueiras no “novo normal”. Quem não se recorda do desaparecimento de papel higiênico e álcool gel nas prateleiras dos mercados, dos olhares tortos ao tossir em uma fila, ou perder minutos higienizando os produtos com álcool ao chegar do mercado? Isso sem falar nas protagonistas, que simbolizam arquétipos comuns da pandemia: quem não conhece aquela pessoa que se recusava a usar máscara e participava de aglomerações ilegais, ou aquela outra que não removia a máscara nem dentro do carro e temia colocar a integridade física dos pais em risco.

É também guiada pela identificação que a catarse final acontece, imortalizada na frase “assuma a responsabilidade pelo seu egoísmo”. Sendo um profissional da área da saúde, vi mais vezes do que gostaria a dicotomia de um caos nos hospitais e festas clandestinas nas redes sociais. É baseado nessa reflexão que os antagonistas geram identificação no espectador, quando revelam suas motivações no terceiro ato. E é aí que reside uma das questões que mais me incomodaram em relação ao filme: ora, os pais do tal Benji culpam Parker pela morte do seu filho, mas ele só se infectou por ter participado da tal aglomeração, o que o torna tão culpado quanto ela. Fiquei com a impressão de que o terceiro ato prepara o terreno para uma crítica maior sobre insensibilidade e desrespeito à quarentena, em vez disso o roteiro parece mais preocupado em problematizar a infecção assintomática.

Alguns outros pontos também devem ser destacados negativamente. Desde clichês porcos como subir escadas na hora da perseguição ou acertar o vilão com um remo e virar as costas, até tomadas de decisão descaradamente malfeitas, como quando o grupo está em vantagem numérica de 3 para 1, mas duas personagens acham mais inteligente deixar o terceiro sozinho contra o mascarado, e ficar buzinando da garagem. Por outro lado, a sonoplastia é extremamente competente em criar um clima angustiante, principalmente em cenas como a da invasão no segundo ato.

Apesar da conclusão não ter tomado o rumo que eu esperava, Sick é, possivelmente, um dos melhores exemplares de filmes de horror que abordam a crise gerada pela pandemia do COVID-19. Original e com uma crítica social pertinente, o “Pânico da Pandemia” é uma boa pedida para já ir esquentando os motores para Pânico VII, previsto para este mês.

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