
![]() Coyotes
Original:Coyotes
Ano:2025•País:EUA Direção:Colin Minihan Roteiro:Nick Simon, Daniel Meersand, Tad Daggerhart Produção:Ford Corbett, James Harris, Joshua Harris, Nathan Klingher, Jib Polhemus Elenco:Justin Long, Mila Harris, Brittany Allen, Kate Bosworth, Norbert Leo Butz, Kevin Glynn, S. William Hinzman, Katherine McNamara |
No começo de 2025, entre 7 e 31 de janeiro, a Califórnia foi afetada por uma série de incêndios florestais, ocasionando 29 mortes, perdas materiais e trazendo problemas para a fauna e a flora da região — até diversos filmes tiveram seus lançamentos adiados ou a produção interrompida, com notícias sobre mansões de famosos destruídas, saques, modificações estruturais e escassez de água e alimento. Ainda que não diretamente relacionado, o longa Coyotes, de Colin Minihan, aborda os animais do título, afetados por mudanças climáticas, atacando os moradores de Hollywood Hills, em um provável oportunismo da situação.
Provável porque o filme de Colin Minihan é uma comédia, pelo menos devia ser. É um exemplar bem humorado do subgênero “humanos vs natureza“, estrelado por Justin Long, Brittany Allen e Kate Bosworth. Embora os coiotes normalmente evitem humanos, um bando resolve se alimentar dos excêntricos moradores das colinas de Los Angeles. A primeira vítima é vista no prólogo: a influenciadora Kat (Katherine McNamara), que entre selfies e conversas furadas pelo celular, vê seu cãozinho Gigi ser destroçado pelos animais, antes de ser atropelada e ter o mesmo destino.
Eis que surge a família protagonista, destacando o patriarca Scott (Long), um quadrinista que mais se preocupa com seus desenhos do que com seus entes; a esposa Liv (Bosworth) e a filha Chloe (Mila Harris). Após acionar o exterminador Devon (Keir O’Donnell), com o estereótipo dos insanos, numa constante guerra particular com ratos, um personagem que desponta somente para servir de vítima ao propósito do roteiro, Scott ignora os pedidos de sua esposa para que corte a árvore, e os ventos fortes que atingem a região destroem o carro — claro que a ideia é propor uma sensação claustrofóbica de não ter como fugir da ameaça iminente.
Durante a noite, a prostituta Julie (Allen) aparece à porta da casa, procurando o vizinho Trip (Norbert Leo Butz) para permitir piadas de cunho sexual para a adolescente Chloe: “Não use o termo prostituta. É melhor…’dama da noite‘”, diz Scott. A filha responde: “Mas aí seria uma vampira.“, e ele retruca: “Vampiros sugam sangue e…“, sendo interrompido pela esposa. Entre as excentricidades de todos os nove personagens, todos absolutamente caricatos, coiotes digitais aparecerão para alguns ataques, eliminando o gato de Trip, o amigo de Scott, Tony (Kevin Glynn), a esposa modelo Sheila (Norma Nivia) e por aí vai. Os animais entrarão na casa, rondarão cômodos, criando uma leve tensão no ataque ao próprio Scott e Chloe, quando ela tenta se esconder no armário — não aprendeu com Laurie Strode sobre isso ser uma má ideia!
Não é culpa dela. Pode-se apontar as responsabilidades a Nick Simon, Daniel Meersand e Tad Daggerhart. São ideias deles congelarem cada primeira aparição de personagem com o nome como se fosse parte de uma história em quadrinhos; ainda que estabeleça uma conexão com o trabalho de Scott não explica porque no começo há cenas de aparições de coiotes em imagens granuladas como um documentário ou como se fosse a abertura de Pânico na Floresta (Wrong Turn, 2003). E há falhas também na estrutura narrativa, não permitindo que o espectador saiba quantos dias se passaram, com cenas se alternando como esquetes, com os personagens esperando o momento de suas falas e quando situações terão importância: a coleira do gato de Trip é um exemplo de uma cena perdida entre outras.
Além de algumas piadinhas em diálogos e expressões faciais exageradas, o humor é basicamente centrado na excentricidade dos personagens e suas caricaturas. Elas não funcionam o tempo todo, ainda mais no momento melodramático de Scott reconhecendo suas deficiências como pai e marido, numa cena bem deslocada. Há algum grafismo em corpos expostos e jumpscares com os saltos dos coiotes, mas nada que surpreenda e possa ser recomendado aos fãs de horror. Talvez divirta uma parcela menos exigente, fãs do Justin Long e que curtam produções com animais assassinos, mesmo que estes não seja assim tão convincentes.




