![]() Iron Lung
Original:Iron Lung
Ano:2026•País:EUA Direção:Mark Fischbach Roteiro:Mark Fischbach, David Szymanski Produção:Jeff Guerrero, Will Hyde Elenco:Mark Fischbach, Caroline Kaplan, Troy Baker, Elsie Lovelock, Elle LaMont, Mick Lauer, Dave Pettitt, Holt Boggs |
Iron Lung é um jogo que simula um submarino de curto espaço, com elementos sci-fi e horror. Desenvolvido por David Szymanski, depois que se inspirou no museu do Lago Ness, na Escócia, ele lançou em 2022 para Windows e Nintendo Switch e depois para PS5 e o Android, com excelentes venda e popularidade. Os elogios à atmosfera opressiva e o design de som motivaram o youtuber americano Mark Fischbach, conhecido como Markiplier, a realizar uma adaptação completamente independente: ele escreveu o roteiro, dirigiu, editou e atuou no filme, com lançamento previsto para hoje em alguns cinemas brasileiros.
Os passos de produção foram constantemente informados por Markiplier em seu canal, incluindo o atraso devido à greve dos atores de 2023. Quando disponibilizou o teaser trailer, ele pediu que os seus fãs e do jogo enviassem e-mail e entrassem em contato com redes de cinema para que o filme tenha um maior alcance: de apenas 60 cinemas, como lançamento limitado, o longa passou para mais de 4000, sendo que muitos ingressos foram adquiridos antecipadamente. Assim, com orçamento de aproximadamente US$3 milhões de dólares, Iron Lung já chegou a quase US$ 50 milhões, mostrando-se uma adaptação de sucesso comercial.
Será que todo esse hype é compensado pelo que é visto em cena? Em um enredo com mais de duas horas, em um ambiente único, pode ser que os fãs do jogo se sintam bem servido pelo fanservice, pelo cuidado técnico e até o dinamismo da produção, tendo mais “ação” que o próprio jogo. No entanto, como não sou fã do estilo de game e conheci a jogabilidade apenas por gameplays ironicamente em vídeos no youtube, faço a análise como produção cinematográfica: trata-se de um horror cósmico claustrofóbico, com uma atuação exagerada de Markiplier e bons efeitos, mas que poderia ter resultado em um filme de apenas 1h30. Por vezes, se torna repetitivo e cansativo, ou, fazendo uso de um trocadilho, um longa que parece não sair do lugar.
A base narrativa é interessante: ele é ambientado em um futuro distante, após um evento cataclísmico conhecido como “Arrebatamento Silencioso“, que fez com que todas as estrelas, planetas e pessoas simplesmente desaparecessem. Os poucos sobreviventes habitam estações espaciais e naves, como Simon (Mark Fischbach), que foi preso por ter destruído uma estação espacial e condenado a uma missão suicida: ele deve comandar o submarino SM-13, apelidado de “Iron Lung“, em uma lua com um oceano coberto de sangue. Caso cumpra seus objetivos, ele acredita que alcançará a liberdade.
O submarino tem as saídas soldadas e não há visor frontal; Simon somente consegue “enxergar” o ambiente exterior através de fotos de uma câmera rudimentar, que expõe imagens similares às emitidas por raio-x. E sua locomoção é feita com a orientação de mapas e coordenadas, além da comunicação através de rádio. Durante seu trajeto, ele faz registro de um esqueleto submerso e, ao retornar à superfície, recebe a instrução de recolher uma amostra. Como as fotos utilizam o sistema de raio-x, a frustração de Simon por não ter a liberdade o fez ativar a câmera e lançar radiação nos tripulantes externos.
Quando o oxigênio começa a mostrar sinais críticos, ele passa a ser assombrado por visões que o fazem questionar se está mesmo sozinho. Vozes que podem não existir, vultos nos cantos e a descoberta de que ele não foi o primeiro a participar da missão o deixam ainda mais transtornado, ainda mais quando o veículo anuncia um vazamento. Assim, o infernauta acompanha essa jornada solitária de encontro a uma ameaça que pode ou não estar ali, sentindo a todo momento que o submarino pode vir a seu seu caixão submerso.
Com mais de 80 mil galões de sangue falso, Iron Lung apresenta a considerada cena mais sangrenta da história do cinema, superando até mesmo A Morte do Demônio (The Evil Dead, 2013). Visualmente superior ao jogo e com uma boa dinâmica de mudanças de câmera, Iron Lung quase acerta na proposta de horror claustrofóbico. Muitas sequências se repetem entre fotos externas, anotações no mapa e conversas com variadas pessoas do lado de fora. Há até umas cenas em flashback que serve para sair um pouco da ambientação curta, mas também são momentos que poderiam ter ficado de fora, entre outras edições que tornariam o filme mais divertido.
Mark Fischbach é um ator de excessos expressivos, mostrando a todo momento raiva, com gritos e ações agressivas. Não consegui me importar com o destino de seu personagem por se mostrar artificialmente impulsivo, ainda que a situação justifique algumas de suas atitudes. Diferente do que aconteceu com Paul Conroy, personagem de Ryan Reynolds em Enterrado Vivo (Buried, 2010): numa situação ainda mais extrema, ele evidenciava a angústia do espaço curto e a sensação intensa de pessimismo, apostando sua sobrevida em um fio tênue de esperança.
Iron Lung irá interessar aos fãs do jogo e do youtuber. Aos demais, pode valer uma espiada discreta, como a imagem estática de uma fotografia de raio-x.






